Fiquei parado do lado de fora do quarto dela por alguns segundos, ouvindo o silêncio que tinha caído depois do barulho da trava. Eu sabia que ela não ia abrir. Sabia que tinha ido longe demais. E o pior é que, mesmo sabendo disso, minha mão ainda estava apoiada na porta como se eu pudesse sentir ela do outro lado. Beijei ela. E não foi por impulso. Foi porque eu quis. Passei a língua pelos lábios ainda sentindo o gosto doce do açaí misturado com o beijo dela. Aquilo me deixou zonzo por dentro, de um jeito que há muito tempo ninguém conseguia. Respirei fundo, tentei me recompor e desci para a sala. Me sentei no sofá onde ela tinha estado segundos antes, e minha mente só conseguia reviver o momento em que minha boca encostou na dela. A surpresa nos olhos, o arrepio na pele, a forma como

