QUATRO

1024 Palavras
No dia seguinte, ao sair do estacionamento da empresa, notou um homem encapuzado parado próximo ao portão. Ele a fitou por um instante antes de desaparecer nas sombras de um beco próximo. O frio que percorreu sua espinha não era apenas pelo vento da manhã — era um aviso. No escritório, Alexander a recebeu com seu habitual semblante sério, mas havia um brilho diferente em seus olhos — uma mistura de preocupação e determinação. — Isabela — chamou baixinho, quando ela entrou em sua sala —. Você está bem? Ela hesitou antes de responder. — Não exatamente. A carta que encontrei… ela confirma tudo. Eu… sou da família Valente? Ele assentiu, abrindo uma gaveta e puxando um álbum antigo. — Você sempre foi, desde que nasceu. Mas algumas pessoas não querem que isso venha à tona. Não por acaso, você foi mantida longe de tudo isso. Folheando o álbum, Isabela viu fotos dela quando bebê, com Alexander e outras pessoas que ela nem conhecia, sorrindo em um jardim amplo e luxuoso. — Por que ninguém me contou? — sua voz falhou. — Para te proteger — respondeu ele, sentando-se à sua frente. — A família tem inimigos, segredos obscuros, e a verdade poderia colocar sua vida em risco. Os dias seguintes foram uma mistura de tensão e descoberta. Alexander se tornou seu aliado mais próximo, compartilhando detalhes sobre o passado da família, enquanto trabalhavam juntos para desvendar o mistério do que acontecera com seus pais biológicos. Mas as ameaças começaram a se intensificar. Mensagens anônimas, telefonemas com silêncio do outro lado da linha, sombras suspeitas ao redor da empresa. Em uma tarde chuvosa, enquanto Isabela organizava documentos na sala de arquivos, ouviu passos atrás dela. Virou-se rapidamente e deu de cara com um homem alto, rosto coberto por capuz. — Você deveria parar — disse ele com voz firme. — Isso vai te destruir. Antes que pudesse reagir, ele deixou um envelope no chão e saiu correndo. Dentro do envelope, Isabela encontrou fotos dela em momentos íntimos com Alexander, acompanhadas de uma mensagem clara: “Se continuar, todos os seus segredos serão expostos.” Assustada, ela correu para o escritório de Alexander, que a recebeu com um abraço protetor. — Não importa o que aconteça — garantiu ele —, eu vou te proteger. Somos mais fortes juntos. E ali, naquela sala iluminada por poucos raios de sol que passavam pela janela, Isabela entendeu que sua vida jamais seria a mesma. Entre segredos, ameaças e um amor inesperado, ela estava prestes a entrar em um jogo perigoso, onde a verdade valia mais do que tudo. A atmosfera dentro da Valente Enterprises estava carregada. Mesmo com os corredores silenciosos e o clima de eficiência de sempre, havia algo no ar — como se todos sentissem que algo grande estava prestes a acontecer. Isabela andava mais cautelosa. Carregava consigo o envelope com as fotos, sem saber em quem confiar além de Alexander. Sua confiança nele crescia a cada gesto de proteção, mas também a deixava vulnerável. Vulnerável demais. Naquela tarde, ele a chamou para uma reunião fora do prédio. Dissera que precisava conversar em um lugar onde ninguém pudesse ouvi-los. O carro preto de luxo a esperava na garagem subterrânea, e ao entrar, Isabela sentiu o coração acelerar. Alexander estava no volante. — Vamos para a casa da serra. Lá estamos seguros — disse ele, encarando-a pelo retrovisor com um olhar intenso. Durante o trajeto, Isabela observava a chuva cair pela janela e se perguntava em que momento sua vida comum virara um enredo digno de um thriller. Ela confiava em Alexander… mas ainda não sabia tudo sobre ele. A casa da serra era isolada, rodeada por árvores e silêncio. Lá dentro, uma lareira já aquecia o ambiente, e pela primeira vez em dias, Isabela conseguiu respirar fundo. Alexander trouxe um vinho e os dois se sentaram próximos ao fogo. — Quem quer nos separar? — ela perguntou. — Por que alguém tem medo da verdade? Alexander olhou para o fogo por longos segundos antes de responder. — Porque a verdade pode destruir heranças. E há gente que mata por dinheiro. Inclusive… da minha própria família. Isabela sentiu o estômago revirar. — Você acha que alguém da sua família está me ameaçando? Ele assentiu lentamente. — E alguém da empresa está passando informações. Há uma traição dentro da Valente. Eu só ainda não descobri quem. O silêncio foi cortado apenas pelo crepitar da lenha. De repente, Isabela se levantou e foi até a janela. Estava nervosa, cheia de perguntas. Alexander se aproximou por trás, colocou as mãos na cintura dela com delicadeza. — Ei… você não está sozinha — murmurou. — Eu prometo. Ela virou-se devagar, os olhos fixos nos dele. — E o que somos agora? Uma assistente e um CEO ou… duas pessoas tentando sobreviver juntas? Alexander a puxou para perto. A distância entre eles desapareceu. O beijo aconteceu como uma liberação — da tensão, da dúvida, do medo. A noite foi marcada por confissões e entrega. Pela primeira vez, Isabela viu o homem por trás do terno: vulnerável, real… apaixonado. Mas ao amanhecer, a paz se desfez. O celular de Alexander tocou. Uma voz grave do outro lado da linha disse apenas: — Já sabemos onde ela está. Ou você volta para a cidade agora, ou não garantimos a segurança dela. Alexander desligou o telefone com o maxilar travado, os olhos fixos em Isabela, que ainda dormia. O calor da noite anterior m*l começara a se dissipar, mas a ameaça no outro lado da linha esfriava tudo de forma brutal. “Eles sabem onde estamos.” Era a prova de que alguém muito próximo, talvez alguém dentro da empresa, estava jogando dos dois lados. Ele acordou Isabela com um leve toque no ombro. — Precisamos ir. Agora. Ela abriu os olhos assustada, ainda desorientada. — O que aconteceu? — Descobriram que você está aqui. E se sabem disso… significa que a traição está perto. Perto demais. Enquanto ela vestia o casaco às pressas, o celular vibrou novamente. Uma nova mensagem: “Avisamos. Saia com ela agora ou prepare-se para perder tudo.”
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