Serra Azul — Anos Depois "Alguns amores vivem calados... à espera do tempo certo." As manhãs em Serra Azul tinham um perfume que Lia Miranda nunca soube descrever. Talvez fosse o cheiro das flores que cresciam despretensiosas nos quintais das casas antigas. Ou o café recém-passado que escapava pelas janelas abertas, misturado com o som de rádio antigo tocando músicas que sua avó tanto amava. Ela agora tinha 23 anos. Lia cresceu naquela cidade onde o tempo parecia andar devagar. Trabalhava na pequena livraria da família — Miranda & Histórias — um canto aconchegante na rua principal, cheio de livros antigos, flores secas e uma vitrola que teimava em tocar as mesmas canções de sempre. Era conhecida por ser doce, mas reservada. Carregava no olhar um brilho nostálgico, como se esperasse po

