O AMOR QUE HERDAMOS

1365 Palavras
A História de Teresa Lima" O campus da Universidade era grande, cheio de vida e de novos começos. Teresa Lima caminhava com o coração acelerado — não de nervosismo, mas de curiosidade e esperança. Filha de Clara e Gabriel, ela cresceu cercada de amor verdadeiro, de histórias que tocavam a alma e de ensinamentos que ficaram gravados em seu coração. Era impossível não se lembrar de Dona Teresa — sua maior inspiração. Teresa carregava consigo um colar especial, presente deixado pela avó antes de partir, com uma pequena mensagem gravada: "Nunca tenhas medo de amar, minha menina. O amor sempre encontra o caminho." E foi em um desses dias comuns que a vida resolveu surpreendê-la. Na biblioteca da Universidade, enquanto procurava um livro de poesias — uma paixão herdada da mãe — um leve esbarrão mudou tudo. — "Me desculpa! Deixei-me distrair..." — disse uma voz suave e gentil. Teresa ergueu o olhar e encontrou os olhos mais sinceros que já tinha visto. Ele se chamava Henrique. Estudante de engenharia ambiental, apaixonado por natureza e poesia — uma combinação rara, e exatamente o que o destino tinha preparado para ela. A partir daquele momento, suas vidas começaram a se entrelaçar... como se fossem feitos um para o outro. ********** Teresa Lima caminhava apressada pelo campus da universidade, segurando seus livros contra o peito. Os cabelos castanhos levemente ondulados dançavam ao vento, herdados de sua mãe, Clara, assim como o brilho no olhar doce e determinado. Naquele dia, porém, seu coração carregava uma saudade apertada — as lembranças de Dona Teresa, sua grande confidente e inspiração, estavam mais vivas do que nunca. Foi nesse instante, ao virar uma esquina do jardim da universidade, que o destino lhe pregou uma peça encantadora. Ela esbarrou, sem querer, em um rapaz que segurava um caderno de capa gasta, onde poemas estavam escritos à mão. — Me desculpe! — exclamou Teresa, corando. O rapaz, com um sorriso gentil e um olhar sereno, abaixou-se para pegar o caderno. — Não tem problema... poesia sempre se espalha quando encontra corações bons — respondeu ele, de forma inesperada, fazendo Teresa sorrir sem perceber. Ele se apresentou: Henrique. Estudava literatura, amava natureza, livros antigos e tinha uma sensibilidade que tocava a alma. Nada nele era forçado. Ele era apenas... ele mesmo. Puro, verdadeiro. Os dias seguintes foram recheados de encontros despretensiosos — uma troca de livros aqui, um café no pátio ali, conversas sobre a vida, sobre amores que duram, sobre o exemplo dos pais dela. Clara e Gabriel eram um espelho para Teresa, e Henrique ficou encantado ao ouvir a história de amor dos dois. Mas em meio a esse novo sentimento que florescia, Teresa também carregava a dor da partida de Dona Teresa. Lembrava-se do dia em que chegou em casa e encontrou sua mãe, Clara, com lágrimas calmas nos olhos, segurando uma carta deixada por aquela mulher que tanto as ensinou a amar. A carta era para Teresa. "Meu anjo, amar é um presente que você merece viver plenamente. Que seu coração seja sempre livre, mas que encontre um lar seguro nos braços de quem saiba cuidar dele. Estarei sempre com você, em cada flor, em cada pôr do sol, em cada sorriso seu." Essas palavras ecoavam no coração da jovem enquanto Henrique, com delicadeza, passava a ser o abrigo que ela nem sabia que precisava. Henrique sabia que Teresa era diferente de qualquer garota que já tinha conhecido. Ela era cheia de luz, delicadeza e força. Por isso, ele planejou o primeiro encontro deles com todo cuidado — não seria algo grandioso, mas cheio de significado. Ele a convidou para um lugar especial: um pequeno jardim escondido atrás da biblioteca da universidade, onde poucos iam. Um espaço cercado de flores, bancos de madeira e um silêncio confortável, onde o som das folhas e dos pássaros se misturava ao aroma da natureza. Teresa aceitou o convite, um pouco tímida, mas curiosa. Ao chegar lá, encontrou Henrique esperando com um pequeno lanche preparado por ele — nada extravagante, apenas coisas simples que ele soube que ela gostava, como bolo de cenoura caseiro e chá de camomila. — Achei que seria um bom lugar para conversarmos... sem pressa — disse ele, com aquele sorriso calmo. Sentaram-se e conversaram longamente. Falaram sobre sonhos, medos, família... Henrique ouvia com atenção, sem interromper. Quando Teresa falou de Dona Teresa, ele segurou sua mão com respeito. — Pessoas assim nunca partem de verdade — disse ele — elas florescem dentro da gente. E eu consigo ver muito dela em você. Teresa sentiu o coração se aquecer de um jeito bonito. Mas o momento teve uma pequena interrupção inesperada — Miguel apareceu, vindo pelo caminho de pedras, observando tudo com aquele olhar protetor de irmão mais velho. — Com licença... — disse ele, com um meio sorriso — só passei pra avisar que tenho um radar ligado pra minha irmã. Nada pessoal, Henrique... só irmão sendo irmão. Henrique levantou-se com educação. — Entendo perfeitamente. Eu também cuidaria assim de quem amo. Miguel o observou por um segundo, como se estivesse avaliando o coração dele. Depois deu um leve aceno, quase um sinal de aprovação. — Continua assim — disse ele, antes de se afastar. Teresa riu, envergonhada. — Desculpa por ele... Henrique balançou a cabeça. — Não precisa. Quem tem alguém pra cuidar assim é abençoado. E assim, naquele jardim simples, nasceu algo puro — confiança, carinho e um começo que prometia ser tão bonito quanto a história de Clara e Gabriel. Teresa caminhava de um lado para o outro dentro da livraria que tanto amava. Cada canto daquele lugar guardava lembranças preciosas de sua infância, de momentos com sua avó Dona Teresa, e agora era ali que o destino parecia querer surpreendê-la. Ela segurava o celular nas mãos, lendo a mensagem de Henrique pela terceira vez. Ele tinha sido gentil, educado e direto: "Teresa, será que posso te encontrar na livraria amanhã? Gostaria muito de te ver e conversar melhor... Sei que é um lugar especial pra você, e quero que se sinta à vontade." Sorrindo sem perceber, Teresa foi atrás da única pessoa que poderia ajudá-la naquele turbilhão de sentimentos: sua mãe. Encontrou Clara na cozinha, organizando algumas coisas enquanto cantarolava baixinho. — Mãe... — chamou, hesitante. Clara ergueu os olhos e sorriu ao ver o rosto da filha, que carregava um misto de ansiedade e encantamento. — O que foi, meu amor? Esse olhar tem nome... ou endereço? — brincou, com aquele jeito carinhoso que só as mães têm. Teresa se sentou à mesa e suspirou. — O nome é Henrique... e o endereço... é a livraria. Ele me convidou pra um encontro lá. Mas eu... — hesitou — eu fico com medo, sabe? De criar expectativas, de me machucar... Mesmo ele sendo tão respeitoso e gentil. Clara se aproximou, sentando-se ao lado dela. Pegou suas mãos com ternura. — Filha, o amor sempre traz um friozinho na barriga. Isso é bonito. Você tem o direito de viver isso... Mas com o coração tranquilo e os olhos bem abertos. E sobre o lugar... — sorriu emocionada — sua avó sempre dizia que a livraria era onde o amor marcava encontros inesquecíveis. Talvez ela estivesse mais certa do que nunca. Teresa deixou um pequeno riso escapar. — Ela me faz tanta falta, mãe... Clara acariciou o rosto dela. — Ela sempre está por perto, de um jeito ou de outro. E tenho certeza que ela estaria orgulhosa de ver você assim... com o coração pronto pra viver algo bonito. Teresa assentiu. Sabia que sua avó, de alguma forma, sorria pra ela naquele momento. E no dia seguinte, ao abrir a livraria, encontrou Henrique esperando do lado de fora, com um pequeno buquê de flores simples — margaridas, as preferidas de Dona Teresa. — Bom dia, Teresa... — ele disse, com um sorriso tímido e sincero — Espero que esse seja o primeiro de muitos encontros nossos, em um lugar tão cheio de histórias... e quem sabe, agora, cheio da nossa também. E assim, com o coração batendo acelerado, Teresa deu o primeiro passo para o que poderia ser o seu próprio e inesquecível capítulo de amor.
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