A mudança

1100 Palavras
Alexa O enterro de Aline foi três dias depois e bem simples, os pais dela não quiseram que ninguém participasse, apenas eu e eles.Era pessoas muito discretas e ela também não tinha muitas amizades. Quando morre alguém aqui no Morro da forma que ela morreu, geralmente a Polícia nem sobe, nao se metem quando é guerra entre facções, então não teve perícia o que me deixou ainda mais longe de descobrir exatamente quem a matou.Mas eu iria descobrir. De vez em quando eu me pegava pensando em Patrick, mas não podia prolongar esses pensamentos, se ele realmente tivesse gostado não teria ido embora daquele jeito e nem fez questão de deixar o número. Eu que talvez tenha ficado "emocionada " demais.Só isso. _Alexa, você está tão diferente, minha filha, o que está acontecendo com você?_perguntou mamãe, preocupada.Eu já não dormia em casa há três dias, ficava no escritório com Mauricio aprendendo tudo o que eu podia, sobre drogas, armas, tudo.Tínhamos nos tornado muito amigos.Meu pai ja nem olhava mais na minha cara, acho que ele já sabia. _Não se preocupe, mamãe, eu estou bem. _Você está se envolvendo com essas pessoas, nao está?Pode me dizer, eu sei que está. Desde que Aline morreu você está virando outra pessoa! _Mesmo que eu esteja me envolvendo não vou deixar de ser quem sou, mãe e fique tranquila, nao irei trazer problemas para vocês._Eu disse enquanto pegava minha bolsa, já saindo. _Só não vai acabar com sua vida minha filha._Disse mamãe me abraçando. _Te amo, mãe. Se cuidem. Quanto mais tempo eu ficasse ali, mais ela iria querer me convencer a mudar de ideia.É claro que eu entendia, era minha mãe e estava preocupada comigo mas eu não iria voltar atrás. Desci o Morro debaixo dos olhares curiosos dos vizinhos que deviam estar cansados de tanto falar da minha vida, provavelmente me achavam uma irresponsável, mas eu não ligava pra isso. Precisava ir ao mercado comprar umas coisas básicas para mim, desci a escadaria que dava acesso ao lado mais nobre do bairro, aonde a realidade mudava completamente. Eu não queria ser rica, definitivamente não me imaginava com milhas de dinheiro mas eu queria poder ter meu dinheiro sem precisar ficar me humilhando para o meu pai me dar alguma coisa.Entrei no mercado e estava escolhendo uns doces quando vi que um cara aparentemente bem mais velho que eu segurava duas barras de chocolate e resmungava sozinho, parecia confuso. _Eu acho que a de chocolate Branco é bem melhor do que a outra._brinquei sorrindo, devia estar indeciso. _Haha, o pior é que eu sei disso, mas eu não faço ideia se minha filha gosta dessa marca.Sabe, ela é bem chata._disse ele já virando pra mim, era um baita homem lindo! _Quantos anos ela tem? _Tem 11 anos, esses pré adolescentes de hoje em dia já são cheios de coisa. Sorri imaginando se ele também não estaria me incluindo naquela lista de pré adolescentes. Continuei olhando os doces e notei que ele continuou ali me olhando discretamente. _E você, quantos anos tem?Mora por aqui?_ele perguntou. _Eu faço 18 semana que vem.Moro aqui perto._Respondi sem muitos detalhes, até porque não sou maluca. _Desculpa, fui meio intrometido.Deixe me apresentar, sou Roberto Siqueira. _Prazer, Alexa. _Muito prazer Alexa, obrigada por me ajudar com o chocolate._ele disse sorrindo e passando a mão de leve na cintura onde consegui ver claramente um volume de arma.Que merda, ele era um policial. _Imagina._respondi saindo pelo corredor, definitivamente eu não estava em condições de dar mole pra um policial. Abri a porta do escritório e Maurício ja me esperava tomando uma cerveja. _Como você pode ficar tão tranquilo com alguém tentando te matar?_perguntei. _Depois que você passa quase metade da vida com todo mundo tentando te matar você se acostuma também.O que tem ai nessa sacola? _Ah, uns biscoitos e coisas pra comer.Vocês não comem nada por aqui, fica difícil!_reclamei colocando as sacolas na mesa e abrindo uma lata. _E teus pais Alexa, como estão com isso tudo? _Minha mãe está preocupada e entendo também, meu pai ja não olha mais na minha cara. Mas tudo bem, nao me importo. _Você ainda pode deixar isso pra lá cara e voltar pra tua vida normal.Sabe que aqui só tem fechamento._disse Maurício ainda tentando me fazer mudar de ideia. _Então, já tem alguma suspeita de quem possa ser o cara?_perguntei mudando de assunto. _Então mano...Eu to aqui pensando no Pinheiro, tive um desentendimento fudido com ele há um tempo atrás, acho que pode ser ele. _E quem é esse Pinheiro? _Ele é o dono do Pavão Pavãozinho ta ligada?La eles são Comando Vermelho. _Entendi...Pra entrar la, so invadindo então né? _Eu com certeza, agora se fosse você é uma escolta escondida ninguém iria desconfiar. _Vamos planejar isso direito, vai ser isso que vou fazer. O escritório era uma casa e por mais estranho que pudesse ser, passei a ter meu próprio quarto, um canto pra me encostar quando não estava cobrindo Maurício para ele resolver algo.Os caras obviamente ficaram meio putos comigo por eu m*l chegar e já virar praticamente o braço direito do cara, mas a questão era que eu conseguia planejar , fazer contas com mais rapidez do que muitos ali que nunca nem tinham pisado numa escola.Eu não estava mais indo, mas já estava no último ano e sabia muita coisa.Mauricio dizia que eu era a cabeça do escritório. Duas semanas se passaram e eu já sabia tudo na teoria, como roubar, como fugir, como embalar as drogas e mais mil coisas que se possa imaginar pra poder sobreviver nessa vida.Mauricio ja estava nessa há anos e era como um professor se é que se pode dizer assim.Fizemos todo o planejamento de como eu entraria no Pavão Pavaozinho e quem iria comigo, mas ainda não era a hora, Mauricio ainda não queria despontar uma guerra de facções e eu ainda não estava pronta pra dar de cara com o filha da p**a que matou minha amiga, mas não faltava muito. Era sexta e dia de baile, desde que Aline havia morrido não tinham tido mais bailes no Morro, mas resolvemos voltar com eles já que geravam muito lucro.Comprei um vestido vermelho sangue para minha estreia no baile como gerente do Morro Chapéu Mangueira, Maurício tinha me nomeado aquele dia. _Qual foi mano, ta gata ein. _Disse Bubo asobiando. _Sai fora, não pode ver uma mulher bonita que já fica assim!_disse Maurício colocando a pistola na cintura. _Vocês são chatos pra c*****o, me deixem.Vamos logo que quero ver essas piranhas beijando meus pés hoje!_gritei amarrando o salto alto e pegando meu copo.
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