Capítulo 42 — A Floresta e a Transformação

477 Palavras
O sol ainda se erguia devagar sobre a montanha, espalhando luz dourada sobre os campos de trigo e arroz recém-colhidos. Góvia ajustou a cintura e olhou para Kael, que se aproximava em sua forma de lobo, olhos atentos e o pelo brilhando sob a luz matinal. — Hoje vamos procurar os temperos que quero — disse Góvia, com firmeza. — Manjericão, alfavaca, coentro… e qualquer outra erva útil que conheço. Kael inclinou a cabeça, compreendendo imediatamente. — Conheço cada canto da floresta — disse ele. — Podemos encontrar tudo o que você procura. Enquanto caminhavam entre árvores altas e clareiras escondidas, Góvia começou a indicar locais onde sabia que determinadas ervas cresciam. O lobo a seguia cuidadosamente, usando seu olfato para localizar folhas frescas e aromas específicos. — Aqui! — exclamou Góvia, apontando para um pequeno agrião escondido perto de um córrego. — E ali, coentro. Kael se abaixou, observando-a colher cuidadosamente cada planta. — Impressionante — disse ele. — Mesmo no corpo de uma ogra, você sabe exatamente o que está fazendo. Depois de coletar manjericão, alfavaca, coentro e outras ervas, Góvia sentou-se em uma pedra à beira do córrego e respirou fundo. Um leve formigamento percorreu seu corpo. O sistema ativou silenciosamente na mente dela: “Recompensa física concedida: eliminação gradual das toxinas acumuladas. Corpo mais saudável e equilibrado.” Góvia sentiu sua pele mais clara, os músculos menos pesados e a energia aumentando. Sorriu, satisfeita. — Agora que meu corpo está melhor — disse ela, levantando-se — é hora de cuidar do conforto da caverna. Não quero mais dormir no chão duro. Ela olhou para Dargan, que estava próximo. — Você pode ir à cidade e trazer travesseiros, colchas e colchão para mim? Quero que nossa caverna seja aconchegante. Dargan arqueou uma sobrancelha, surpreso, mas assentiu. — Se é para você ficar confortável, vou buscar. De volta à caverna, Góvia começou a organizar as ervas recém-coletadas em pequenos recipientes, planejando molhos, temperos e combinações para suas próximas receitas. Enquanto isso, o aroma fresco das plantas começou a preencher o ar, misturando-se com a lembrança do trigo, arroz e carne que haviam preparado anteriormente. Ela olhou para Kael, que limpava o pelo molhado do córrego. — Obrigada por me trazer aqui. Sem você, não teria encontrado tudo isso. Kael inclinou a cabeça, olhos âmbar brilhando. — É um prazer. Além disso, sei que vai usar cada planta com inteligência. Enquanto o casal voltava para a caverna, o lobo percebeu algo nas sombras da floresta: pequenos movimentos, quase imperceptíveis. Seraphyne continuava observando, calculando e planejando seu próximo passo. Mas, naquele momento, a montanha respirava o frescor das ervas recém-colhidas, e Góvia sentia pela primeira vez que estava recuperando o controle de sua vida e de seu corpo, preparando-se para dominar também a arte de conquistar os maridos e transformar sua caverna em um verdadeiro lar. 🌿🌾🐉🛏️
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