O sol ainda se erguia devagar sobre a montanha, espalhando luz dourada sobre os campos de trigo e arroz recém-colhidos. Góvia ajustou a cintura e olhou para Kael, que se aproximava em sua forma de lobo, olhos atentos e o pelo brilhando sob a luz matinal.
— Hoje vamos procurar os temperos que quero — disse Góvia, com firmeza. — Manjericão, alfavaca, coentro… e qualquer outra erva útil que conheço.
Kael inclinou a cabeça, compreendendo imediatamente.
— Conheço cada canto da floresta — disse ele. — Podemos encontrar tudo o que você procura.
Enquanto caminhavam entre árvores altas e clareiras escondidas, Góvia começou a indicar locais onde sabia que determinadas ervas cresciam. O lobo a seguia cuidadosamente, usando seu olfato para localizar folhas frescas e aromas específicos.
— Aqui! — exclamou Góvia, apontando para um pequeno agrião escondido perto de um córrego. — E ali, coentro.
Kael se abaixou, observando-a colher cuidadosamente cada planta.
— Impressionante — disse ele. — Mesmo no corpo de uma ogra, você sabe exatamente o que está fazendo.
Depois de coletar manjericão, alfavaca, coentro e outras ervas, Góvia sentou-se em uma pedra à beira do córrego e respirou fundo. Um leve formigamento percorreu seu corpo.
O sistema ativou silenciosamente na mente dela:
“Recompensa física concedida: eliminação gradual das toxinas acumuladas. Corpo mais saudável e equilibrado.”
Góvia sentiu sua pele mais clara, os músculos menos pesados e a energia aumentando. Sorriu, satisfeita.
— Agora que meu corpo está melhor — disse ela, levantando-se — é hora de cuidar do conforto da caverna. Não quero mais dormir no chão duro.
Ela olhou para Dargan, que estava próximo.
— Você pode ir à cidade e trazer travesseiros, colchas e colchão para mim? Quero que nossa caverna seja aconchegante.
Dargan arqueou uma sobrancelha, surpreso, mas assentiu.
— Se é para você ficar confortável, vou buscar.
De volta à caverna, Góvia começou a organizar as ervas recém-coletadas em pequenos recipientes, planejando molhos, temperos e combinações para suas próximas receitas. Enquanto isso, o aroma fresco das plantas começou a preencher o ar, misturando-se com a lembrança do trigo, arroz e carne que haviam preparado anteriormente.
Ela olhou para Kael, que limpava o pelo molhado do córrego.
— Obrigada por me trazer aqui. Sem você, não teria encontrado tudo isso.
Kael inclinou a cabeça, olhos âmbar brilhando.
— É um prazer. Além disso, sei que vai usar cada planta com inteligência.
Enquanto o casal voltava para a caverna, o lobo percebeu algo nas sombras da floresta: pequenos movimentos, quase imperceptíveis. Seraphyne continuava observando, calculando e planejando seu próximo passo.
Mas, naquele momento, a montanha respirava o frescor das ervas recém-colhidas, e Góvia sentia pela primeira vez que estava recuperando o controle de sua vida e de seu corpo, preparando-se para dominar também a arte de conquistar os maridos e transformar sua caverna em um verdadeiro lar. 🌿🌾🐉🛏️