Nos fundos da barraca de sementes, o velho homem-raposa observava a rua pela fresta da porta.
Seu nome era Dhoren.
Ele era um comerciante antigo no mercado da cidade das bestas, conhecido por vender sementes, ervas e grãos vindos de terras distantes.
Mas naquele momento, seu olhar não estava interessado em vendas.
Ele estava pensando no que havia acabado de ouvir.
Góvia.
O nome ecoava em sua mente.
Dhoren respirou fundo e entrou na pequena sala dos fundos.
Ali dentro, uma figura encapuzada aguardava sentada.
Silenciosa.
Dhoren fechou a porta atrás de si.
— Eles vieram mesmo — disse ele.
A figura encapuzada levantou a cabeça.
Uma voz masculina respondeu de dentro do capuz.
— Quem?
Dhoren cruzou os braços.
— Dois guerreiros.
— Um lobo e um tigre.
A figura ficou imóvel.
Dhoren continuou:
— Compraram sementes.
— Trigo, arroz, tomate, cebola e agrião.
O silêncio ficou pesado no pequeno quarto.
Então o homem encapuzado perguntou:
— Para quem?
Dhoren respondeu lentamente.
— Para Góvia.
A figura se levantou de repente.
A cadeira de madeira arrastou pelo chão.
Ele retirou o capuz.
Revelando um homem alto, de olhos estreitos e traços felinos.
Seu nome era Maelrik.
Ele era um homem-b***a leopardo — rápido, elegante e perigoso.
Mas acima de tudo…
Ele era marido de Seraphyne.
Maelrik franziu o cenho.
— Isso não é possível.
Dhoren suspirou.
— Foi o que eles disseram.
— Aquela ogra está plantando.
Maelrik caminhou lentamente pelo quarto.
Pensativo.
— Plantando…
Ele soltou uma pequena risada sem humor.
— Então ela realmente mudou.
Dhoren observava o filho com cuidado.
— Sua esposa não vai gostar disso.
Maelrik parou.
— Não.
— Ela não vai.
Ele encostou as mãos na mesa.
— Seraphyne passou anos esperando que aquela ogra morresse.
Dhoren falou em voz baixa:
— O veneno deveria ter sido suficiente.
Maelrik respondeu friamente:
— Foi preparado pelo próprio Mestre Valdrin.
O maior curandeiro da tribo.
E também…
Pai de Seraphyne.
Maelrik fechou os olhos por um instante.
Depois falou:
— Eu preciso contar a ela.
Dhoren assentiu lentamente.
— Melhor contar antes que ela descubra por outra pessoa.
Maelrik pegou sua capa escura.
— Se Góvia realmente está mudando…
Seus olhos ficaram frios.
— Então Seraphyne vai querer agir rápido.
Dhoren observou o filho sair da sala.
Ele conhecia bem aquela mulher.
Seraphyne era ambiciosa.
Ela sempre cobiçou os maridos de Góvia.
Cinco guerreiros lendários.
Todos com nível de poder nove.
Homens que qualquer fêmea da tribo desejaria.
Dhoren suspirou.
— Isso vai trazer problemas…
Enquanto isso…
Muito longe dali…
Na montanha isolada de Góvia.
Rhogar terminava de limpar o vale fértil.
Pedras enormes estavam empilhadas ao lado do terreno.
A terra escura estava exposta.
Perfeita para plantio.
Góvia observava o trabalho com atenção.
— Isso vai funcionar.
Rhogar olhou para ela.
— Sim.
Ela cruzou os braços.
— Quando eles voltarem com as sementes…
— Vamos começar.
Rhogar assentiu lentamente.
Mas no fundo de seus olhos âmbar havia uma pequena preocupação.
Porque ele conhecia bem aquela tribo.
E sabia que mudanças grandes…
Sempre atraíam inveja.
E a inveja…
Quase sempre vinha acompanhada de perigo. 🌾🐉