— Leonardo. — A voz de Omar me arranca de meus pensamentos. Ele fala com um sorriso de canto, leve e disfarçado, mas que não esconde o desprezo em suas palavras. — Jonas me disse que você tem uma oficina mecânica? Percebo a tentativa de desqualificar minha profissão, o julgamento implícito em seu tom. Uma sensação de desagrado se instala em mim. Ele não sabe o quanto eu abomino esse tipo de atitude, essa tendência de inferiorizar minha categoria. É um preconceito que ressurge sempre que alguém imagina um mecânico, como se eu fosse um simples trabalhador sujo de graxa, parado no tempo. E o que é mais irritante: essas pessoas, que vivem cercadas de tecnologia, ainda carregam essa imagem ultrapassada. As coisas mudaram. O tempo dos carros simples já passou. Hoje em dia, eu só me sujo de gra

