NARRAÇÃO: DIEGO Simone deu um meio sorriso, um daqueles que misturam inocência com uma malícia que eu nunca imaginei que ela possuísse. Ela ajeitou a alça fina do vestido azul e me encarou com uma intensidade que fez o barulho do coqueiral de investidores ao redor virar apenas um chiado estático, um ruído de fundo sem importância. O mundo parecia ter se afunilado apenas para nós dois ali, no canto daquele salão monumental. — Você sempre foi mulherengo, Diego — ela disparou, a voz doce, mas carregada de uma verdade que doeu mais do que o soco do Daniel ou qualquer ressaca de uísque barato. — Não é uma boa companhia para uma garota que o irmão quer manter em um convento de luxo. Ela deu um passo para trás, criando um abismo de meio metro entre nós que me deixou subitamente ansioso, como s

