Entrei na sala 304 tentando controlar a respiração. Ainda dava tempo. Eu repetia isso na cabeça como um mantra desesperado. Os alunos estavam curvados sobre as provas. O som das canetas riscando papel parecia um julgamento coletivo. O professor Álvaro levantou os olhos devagar. — Senhorita Mariana. A sala inteira virou para me olhar. Eu mantive a postura. — Bom dia, professor. Desculpa o atraso. Posso fazer no tempo restante. Ele olhou para o relógio na parede. Depois para o próprio pulso. — A prova começou às oito em ponto. — Eu sei. — São oito e quarenta e sete. Um murmurinho baixo atravessou a sala. — Ainda restam mais de duas horas — eu disse firme. — Eu entrego junto com os outros. Ele pousou a caneta sobre a mesa, cruzando as mãos. — O regulamento da instituição é claro.

