Capítulo 88 Mariana

872 Palavras

NARRAÇÃO: MARIANA LACERDA O hospital particular Sírio-Libanês parecia uma catedral de vidro e metal, um monumento à esterilidade onde o silêncio era interrompido apenas pelo som rítmico, quase fúnebre, das máquinas e o passo frenético de enfermeiros que tentavam manter uma ordem artificial no caos que o Lobo da Faria Lima tinha acabado de causar ao ser abatido. O cheiro de antisséptico era tão forte, tão agressivo, que chegava a queimar as minhas narinas, mas nem todo o álcool do mundo era capaz de apagar o cheiro metálico, denso e ferroso que emanava do meu próprio corpo. Olhei para as minhas mãos. O sangue de Daniel Bittencourt já não estava mais fresco; ele tinha secado sob a luz fria do hospital, criando uma crosta escura, marrom e quebradiça que repuxava a minha pele, cravando-se so

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