NARRAÇÃO: ROCHA O mundo não é feito de leis, parágrafos ou audiências em salas com ar-condicionado; o mundo é feito de força e silêncio. O Daniel Bittencourt brilha no topo dos prédios de vidro, mas sou eu quem garanto que os alicerces não apodreçam. Eu sou a sombra que o acompanha, o braço que executa o que o terno sob medida dele não pode sujar. Enquanto ele assina cheques de milhões, eu assino sentenças de dor na calçada fria. É um equilíbrio necessário. Para ele ser o deus do mercado, eu preciso ser o demônio do asfalto. Eu estava encostado em um muro descascado, a duzentos metros da saída do batalhão, fundido à escuridão daquela rua m*l iluminada. Meu sobretudo preto, pesado e de corte impecável, escondia não apenas o meu corpo, mas o peso reconfortante da minha pistola customizada

