NARRAÇÃO: MARIANA LACERDA Bati a porta do meu quarto com tanta força que o som ecoou pelo corredor vazio como um tiro de misericórdia. Tranquei a fechadura num movimento frenético, as mãos tremendo tanto que o metal da chave gritou contra o tambor. Encostei as costas na madeira fria, sentindo o meu coração martelar contra as costelas, parecendo uma fera encurralada querendo rasgar o meu peito para fugir. Minha respiração estava errática, curta, e o meu rosto queimava como se eu tivesse sido exposta a um incêndio de proporções catastróficas. — Maldito... maldito seja você, Daniel Bittencourt! — sibilei para a penumbra do quarto, apertando os olhos com tanta força que vi clarões. O que foi aquilo? O gosto amargo e caro do vinho Petrus ainda estava na minha boca, mas a sensação do corpo de

