NARRAÇÃO: RICARDO VIANA O gosto de pólvora e fracasso inundava a minha boca, mais amargo que o sangue que escorria pelo meu queixo. Do mezanino, eu vi o impensável: o Daniel, o homem que eu planejei destruir com a precisão de um cirurgião, jogando o próprio corpo sobre a Mariana. O projétil de alta precisão que deveria ter atravessado o coração dela encontrou as costas dele. Vi o terno italiano de Daniel Bittencourt explodir em um rastro de escarlate e senti um urro de ódio rasgar a minha garganta. — Não! Não era você, seu desgraçado! — rosnei, a luneta ainda colada ao meu olho, vendo a Mariana gritar sob o peso do homem que a comprou. Tentei recarregar, as mãos trêmulas pela adrenalina e pela visão deformada que as cicatrizes no meu rosto permitiam. Mas o tempo de caça tinha acabado. O

