Grendel

518 Palavras
Luke acordou com o toque do seu celular, no visor, a descrição do seu maior, melhor e único cliente, para mais um serviço. Acreditava que isolado do mundo e de todos não corria o risco de ser visto pela sociedade como um monstro, a escuridão tomou conta do seu corpo e sua alma, e nunca saberia quando teria mais uma crise. Conhecido como Grendel, que na mitologia nórdica é retratado como um monstro e que teve como poema principal o ataque ao salão de festas do rei dinamarquês, onde devorou todos os guerreiros bêbados, assustava a qualquer um antes mesmo de mostrar a sua real intenção. Quem o viu, não sobrevivia para identifica-lo. Cada marca lhe trazia dor e lembranças que preferia não lembrar, mas a do seu rosto era a maior e a que mais doía, essa ganhou em seu aniversário de 7 anos. Era uma manhã de Sábado, Luke e sua mãe Catarina estavam preparando um bolo de chocolate com morangos, o seu sabor preferido. Enquanto faziam a massa do bolo ouviram a porta da casa abrindo, e uma voz seca e grossa chamar pela mulher. Alfredo era sempre assim, passava a noite fora e quando voltava espancava e estuprava Catarina e depois chegava a rir de como ela ficava desfigurada e andando com dores, Luke se lembra que antes dela atender ao chamado, pode ver um fio brilhante cair de seus olhos e contornar o seu rosto delicado. Sua mãe não gritava, sabia que se o fizesse, seria pior, mas naquele dia segurava a colher de p*u que estava fazendo o bolo, e para Alfredo aquele instrumento foi a tentativa de enfrenta-lo. A sessão durou muito mais do que o normal e Catarina gritou, pois sabia que não aguentaria mais, era o grito de libertação e o grito de súplica pelo filho, Luke em desespero pegou uma faca pequena e fincou no braço do pai para que ele liberasse a mãe, mas levou uma surra e um corte que começava abaixo do olho esquerdo, passava pela bochecha e terminava no pescoço. Naquela manhã Catarina partiu deixando uma criança sofrida, assustada e entregue a um destino c***l. Dinheiro não lhe faltava, mas de nada adiantava se o melhor a fazer era se manter isolado para o bem de todos e inclusive o seu, as lembranças lhe trazia dores fortes na cabeça e faziam a sua pele arder a ponto de gritar incontrolavelmente. Mais uma tarefa foi contratada, o dinheiro com toda a certeza já estava em sua conta, seria mais um montante para a pequena fortuna que se formava. Quanto ao novo serviço, sua consciência era totalmente tranquila, pois sabia que exterminava do mundo somente as frutas podres, os animais que não pensavam duas vezes antes de cometer as maiores atrocidades que uma mente doentia poderia cometer. E porque ele estava tão seguro do que se passava nessas mentes doentias??? Porque ele conviveu de perto com um monstro, aliás, ele tinha o sangue do monstro correndo em suas veias e as lembranças de momentos infelizes que o fizeram se transformar no que é hoje, um assassino...
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