ANANDA — Tira as mãos dela. Agora. Virei o rosto e o vi. Pedro. Parado ali, a poucos metros de distância, com o peito subindo e descendo rápido, como se tivesse acabado de correr uma maratona. Os olhos dele… Meu Deus… Nunca tinham estado tão escuros. O maxilar travado, os punhos fechados ao lado do corpo. O olhar era um raio direto em cima do Joaquim. — Pedro... — Minha voz saiu num sussurro, entre surpresa e pânico. Ele avançou antes mesmo que eu pudesse reagir. Em dois passos, agarrou Joaquim pela gola da camisa e o empurrou com força pra trás, fazendo o corpo dele bater contra a mureta de pedra que separava a areia da calçada. — Eu disse… tira as mãos dela! — rosnou, a voz grave, baixa e carregada de uma fúria que eu raramente tinha visto. Joaquim tentou reagir, ergueu as mãos,

