ANANDA Uma semana. Sete dias. Cento e sessenta e oito horas de silêncio passivo-agressivo dentro da minha própria casa. Minha mãe, a mulher que me criou, que cuidou de mim quando eu tinha catapora, que me ensinou a fazer cuscuz soltinho, agora age como se eu fosse um espírito penado que ela se recusa a reconhecer. Ela passa por mim como quem desvia de um móvel fora do lugar. Não me olha, não responde, não pergunta se eu tô viva, morta ou precisando de um exorcismo. Se não fosse o Joaquim… Ah, o Joaquim. Meu amigo, meu advogado de emergência e agora meu terapeuta informal de plantão. Ele é quem faz os comentários aleatórios na hora do jantar, quem pergunta do tempo só pra preencher o vácuo, quem me salva da vontade de arrancar os cabelos e me mudar pra uma caverna. — Eu não aguento m

