ANANDA A loja estava com aquele cheiro de novidade que só tecido recém-chegado tinha. Misturado ao som do ventilador girando preguiçosamente no teto e a trilha sonora de alguma rádio local tocando MPB melosa, quase dava pra esquecer que o mundo estava de cabeça para baixo. Quase. A vitrine principal refletia o sol dourado da manhã e, dentro dela, Darlene tentava encaixar um biquíni de crochê amarelo-limão numa modelo de manequim que insistia em inclinar o quadril de um jeito estranho, como se tivesse passado a noite toda dançando forró. — Esse manequim parece que tem uma cãibra eterna — resmungou ela, franzindo a testa enquanto ajeitava a parte de cima. Eu observava tudo do balcão, mexendo numa caixa de pulseirinhas de conchinha que tinham acabado de chegar. Por dentro, era como se um

