ANANDA A alça do vestido preto insistia em escorregar do meu ombro. Eu a ajustei com os dedos, puxando-a com força demais, talvez descontando nela a tensão que me atravessava o corpo inteiro. O tecido colava nas minhas costas suadas, e a casa parecia mais abafada do que de costume, mesmo com as janelas abertas. Quase como se soubesse para onde eu estava indo e tentasse me dar algum tipo de aviso. Pedro continua me mandando mensagens, embora faça duas horas desde a última. “Não venha. Por favor, Ananda.” Mas eu vou. Desci o último degrau da escada com a respiração presa no peito. Darlene já me esperava no portão, dentro do carro emprestado do tio, com os olhos discretamente atentos, como se tentasse medir meu humor antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa. Ela foi a única pessoa a q

