Capítulo 38 — O Peso da Verdade
Clara ficou completamente imóvel.
As palavras de Lúcio pareciam não fazer sentido.
"Eu posso ser o pai do seu bebé."
Era a resposta que ela procurou durante semanas.
Mas ouvir aquilo dele...
Do rapaz que sentava atrás dela todos os dias.
Do homem que sabia quem ela era desde o início.
Era demais para processar.
Seus olhos começaram a se encher de lágrimas.
— Então... você sabia...
A voz dela saiu baixa.
Lúcio não tentou negar.
— Sim.
Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.
— Durante todo esse tempo...
Ele deu um passo à frente.
— Clara, eu posso explicar.
Ela balançou a cabeça lentamente.
Não porque não queria ouvir.
Mas porque precisava de um momento para respirar.
— Eu preciso apanhar ar.
Mariana aproximou-se imediatamente.
— Clara, eu vou com você.
Mas Clara apenas fez um pequeno gesto.
— Eu só preciso de um minuto.
Ela saiu da sala.
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O corredor da universidade parecia mais longo do que nunca.
Clara caminhava devagar no início.
Depois começou a andar mais rápido.
As lágrimas continuavam caindo.
Sua mente estava cheia de perguntas.
Por que ele não contou?
Por que fingiu não conhecê-la?
Por que a observava todos os dias sem dizer nada?
Ela levou a mão ao peito, tentando controlar a respiração.
— Eu não consigo...
Murmurou.
Tudo parecia girar.
O choque.
O medo.
A emoção acumulada durante semanas.
Seu corpo, já cansado pela gravidez, não conseguiu acompanhar a força daquele momento.
A visão começou a ficar embaçada.
Ela tentou apoiar-se na parede.
Mas suas pernas falharam.
— Clara!
A voz de Mariana ecoou pelo corredor.
Lúcio chegou logo atrás.
No instante seguinte, Clara perdeu a consciência e caiu.
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— Clara!
Lúcio ajoelhou-se imediatamente ao lado dela.
O rosto normalmente frio estava completamente transformado.
Havia preocupação.
Medo.
Mariana segurou a mão da amiga.
— Ela não está acordando...
A frase fez o coração de Lúcio apertar.
— Chamem ajuda!
Alguns estudantes correram para chamar a equipe da universidade.
Lúcio permaneceu ao lado de Clara, sem se afastar.
Ele segurava sua mão, mas sem apertar.
Como se tivesse medo de machucá-la.
— Clara...
Sua voz saiu baixa.
— Por favor.
Mas ela continuava inconsciente.
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A equipe médica da universidade chegou rapidamente e começou a avaliá-la.
— Precisamos levá-la para um local mais tranquilo.
Lúcio afastou-se apenas o necessário para deixarem os profissionais trabalharem.
Mariana observava tudo em silêncio.
Pela primeira vez, ela via o quanto Lúcio estava abalado.
Não parecia o herdeiro Moretti.
Não parecia o homem frio que todos conheciam.
Parecia apenas alguém com medo de perder uma pessoa importante.
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Enquanto Clara era levada para receber atendimento, Lúcio ficou parado no corredor.
A verdade finalmente tinha sido revelada.
Mas não da forma que ele imaginou.
Ele queria que Clara soubesse sem sentir medo.
Queria explicar tudo.
Queria que ela entendesse que nunca tentou enganá-la por maldade.
Mas agora ela estava inconsciente...
E ele só podia esperar.
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Pouco depois, o celular de Lúcio vibrou.
Era uma mensagem de Vittorio.
> "Precisamos conversar. Agora."
Lúcio olhou para a porta onde Clara estava sendo atendida.
Depois para a tela do celular.
Pela primeira vez na vida, ele ignorou uma ordem do pai.
Guardou o aparelho.
E permaneceu ali.
Porque naquele momento, nada era mais importante do que esperar Clara abrir os olhos.