Capítulo 57 — Um Pai Presente
Dois dias se passaram.
A rotina na universidade foi retomada, mas nada parecia igual.
Clara ainda recebia olhares curiosos de alguns colegas por causa do desmaio, embora ninguém soubesse o verdadeiro motivo.
Naquela manhã, Lúcio esperava por ela no portão da universidade.
Quando Clara chegou, ele caminhou ao seu encontro.
— Dormiu melhor? — perguntou.
Ela sorriu de leve.
— Um pouco.
Lúcio percebeu que ela ainda parecia cansada.
— Se estiver muito cansada, podemos ir embora.
Clara balançou a cabeça.
— Não. Quero assistir às aulas.
Ele apenas assentiu.
Sem insistir.
---
Enquanto isso...
Na mansão Valenti.
Dante caminhava de um lado para o outro em seu escritório.
Sobre a mesa havia uma fotografia recente de Clara.
Ele a observou por alguns segundos.
Depois pegou o celular.
— Prepare o carro.
Um de seus homens respondeu imediatamente:
— Sim, senhor.
---
Pouco antes do almoço, Clara recebeu uma mensagem.
Pai: "Estou perto da universidade. Podemos almoçar juntos?"
Ela ficou olhando para a tela.
Mariana percebeu.
— É ele?
Clara assentiu.
— Sim.
— Você vai?
Ela respirou fundo.
— Acho que está na hora.
---
Meia hora depois...
Clara saiu pelo portão principal.
Um carro preto já a esperava.
Assim que ela se aproximou, a porta foi aberta.
Dante desceu do carro.
Por alguns segundos, pai e filha apenas se olharam.
Então Dante sorriu de forma discreta.
— Olá, filha.
Clara sentiu um nó na garganta.
Durante anos, aquela palavra foi dita apenas pelo telefone.
Agora ele estava ali.
Na sua frente.
— Oi, pai.
Dante aproximou-se devagar.
Como se tivesse medo de invadir o espaço dela.
— Posso te dar um abraço?
Clara sorriu, com os olhos marejados.
— Pode.
Dante a abraçou com cuidado.
Era um abraço tímido.
Mas sincero.
Ao se afastar, ele segurou delicadamente seus ombros.
— Você cresceu tanto...
Clara riu baixinho.
— Faz tempo que o senhor não me vê pessoalmente.
Dante abaixou os olhos por um instante.
— Tempo demais.
---
Os dois seguiram para um restaurante reservado.
Conversaram sobre a faculdade, os estudos e lembranças da infância.
Pela primeira vez, a conversa não acontecia por telefone.
Era uma conversa de pai e filha.
Ao final do almoço, Dante olhou para Clara.
— Quero recuperar o tempo que perdi.
Ela sorriu.
— Eu também.
Sem perceber, os dois começavam a reconstruir uma r*****o que ficou marcada por anos de distância.
Mas, enquanto deixavam o restaurante, um fotógrafo escondido do outro lado da rua registrou o momento em que Dante Valenti e Clara saíam juntos.
E essa fotografia, nas mãos erradas, poderia chamar a atenção de muita gente.