Um pai presente

441 Palavras
Capítulo 57 — Um Pai Presente Dois dias se passaram. A rotina na universidade foi retomada, mas nada parecia igual. Clara ainda recebia olhares curiosos de alguns colegas por causa do desmaio, embora ninguém soubesse o verdadeiro motivo. Naquela manhã, Lúcio esperava por ela no portão da universidade. Quando Clara chegou, ele caminhou ao seu encontro. — Dormiu melhor? — perguntou. Ela sorriu de leve. — Um pouco. Lúcio percebeu que ela ainda parecia cansada. — Se estiver muito cansada, podemos ir embora. Clara balançou a cabeça. — Não. Quero assistir às aulas. Ele apenas assentiu. Sem insistir. --- Enquanto isso... Na mansão Valenti. Dante caminhava de um lado para o outro em seu escritório. Sobre a mesa havia uma fotografia recente de Clara. Ele a observou por alguns segundos. Depois pegou o celular. — Prepare o carro. Um de seus homens respondeu imediatamente: — Sim, senhor. --- Pouco antes do almoço, Clara recebeu uma mensagem. Pai: "Estou perto da universidade. Podemos almoçar juntos?" Ela ficou olhando para a tela. Mariana percebeu. — É ele? Clara assentiu. — Sim. — Você vai? Ela respirou fundo. — Acho que está na hora. --- Meia hora depois... Clara saiu pelo portão principal. Um carro preto já a esperava. Assim que ela se aproximou, a porta foi aberta. Dante desceu do carro. Por alguns segundos, pai e filha apenas se olharam. Então Dante sorriu de forma discreta. — Olá, filha. Clara sentiu um nó na garganta. Durante anos, aquela palavra foi dita apenas pelo telefone. Agora ele estava ali. Na sua frente. — Oi, pai. Dante aproximou-se devagar. Como se tivesse medo de invadir o espaço dela. — Posso te dar um abraço? Clara sorriu, com os olhos marejados. — Pode. Dante a abraçou com cuidado. Era um abraço tímido. Mas sincero. Ao se afastar, ele segurou delicadamente seus ombros. — Você cresceu tanto... Clara riu baixinho. — Faz tempo que o senhor não me vê pessoalmente. Dante abaixou os olhos por um instante. — Tempo demais. --- Os dois seguiram para um restaurante reservado. Conversaram sobre a faculdade, os estudos e lembranças da infância. Pela primeira vez, a conversa não acontecia por telefone. Era uma conversa de pai e filha. Ao final do almoço, Dante olhou para Clara. — Quero recuperar o tempo que perdi. Ela sorriu. — Eu também. Sem perceber, os dois começavam a reconstruir uma r*****o que ficou marcada por anos de distância. Mas, enquanto deixavam o restaurante, um fotógrafo escondido do outro lado da rua registrou o momento em que Dante Valenti e Clara saíam juntos. E essa fotografia, nas mãos erradas, poderia chamar a atenção de muita gente.
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