Parte 5...
“Faça qualquer coisa”.
Sua mente ficava repetindo isso sem parar, quase como um mantra, para não desistir e sair correndo dali.
— Não precisa exagerar - colocou a mão em sua perna — E estamos festejando, não é mesmo?
— Phoebe - retirou sua mão — Volte para dentro agora.
Ela não quis desistir. Voltou a colocar a mão em sua coxa e deitou a cabeça em seu ombro.
— Apolo, eu quero ficar aqui com você.
Ele suspirou alto.
— É melhor me deixar sozinho.
— Está chateado com alguma coisa?
— São problemas de adultos, nada a ver com você.
Ele falou de um modo irônico que soou como um desafio aos seus ouvidos. Lembrou das palavras de Yane.
“Prove a ele”.
Sim. Ela teria que provar que não era uma menina como ele achava que fosse. E iria provar isso.
Se encheu de coragem e se ajeitou. Virou o corpo de frente para ele, segurou seu rosto e o trouxe para perto de si, elevando a boca até ele e unindo os lábios.
O pegou de surpresa.
Apolo suspirou e fechou os olhos, se deixando beijar, mas não retribuiu como ela esperava. Ele se espantou com o comportamento ousado dela. Jamais tivera uma atitude dessa antes.
— O que está fazendo, Phoebe? - separou o rosto e segurou seus braços — Ficou louca?
— Eu... Eu... - gaguejou nervosa — Eu sou louca por você, Apolo. Sempre fui - revelou.
Ele levantou rápido a olhando estranho, surpreso. Ela umedeceu os lábios e levantou, ficando de frente para ele. Seus olhos grudados em seu rosto bonito e confuso.
Ela ergueu as mãos e agarrou seu rosto de novo, puxando sua cabeça para cima e lhe deu outro beijo, forçando sua boca a se abrir, mas ele não correspondeu.
Apolo se esquivou de seu beijo e segurou seu pulso.
— Você é só uma menina tonta - disse com raiva — Está ousada e cheia de si por causa do álcool. Não deveria ter bebido.
— Eu não sou menina - cambaleou para a frente e se apoiou nele — Sei o que estou fazendo.
— Não sabe nada. Vou levar você para os seus pais.
— Não! - falou alto — Eu posso até estar um pouco alta, mas não sou menina - repetiu.
Sentiu uma pontada na testa na lateral e apertou os olhos, ficando tonta. Teria caído se ele não a segurasse, abraçando-a.
— Meu Deus, você está muito bêbada, Phoebe - a segurou com força e a ajudou a sentar de novo — Não está bem - passou o braço por seus ombros e segurou seu queixo — Respire fundo e devagar.
Ela fez o que ele disse. Sua cabeça girava e sentiu vontade de vomitar. Deitou a cabeça em seu ombro e fechou os olhos.
— Você está fora de seu normal - alisou sua bochecha — E não deveria ter vindo aqui. Não deveria ter se jogado pra cima de mim.
— E por que não? - murmurou com os olhos marejados.
— Porque isso não é certo - respondeu sério.
— Mas eu gosto muito de você, Apolo - falou baixo o encarando — Eu sempre gostei de você... - tocou seu queixo com a ponta do dedo indicador — Eu quero te beijar, sentir seu gosto...
Em um rompante de coragem ela se jogou em cima dele, passando os braços por seu pescoço de novo e forçando outro beijo. Ele não se mexeu, não abriu a boca. Parecia feito de gelo.
Ela abriu os olhos, decepcionada.
— Eu te amo! - tentou novamente em desespero.
Ele franziu a testa. Estava confuso com essa Phoebe e com sua ousadia repentina. Ficou contrariado por seu comportamento.
— Phoebe - falou rude — Que diabos deu em você? - ele ficou rígido e puxou seus braços a afastando — Você é especial para mim, sempre gostei de sua companhia, de sua amizade - passou os dedos pelo cabelo — Mas você está passando dos limites - levantou.
— Eu...
Ela queria falar, mas sua postura era dura. Ficou com medo.
— Sempre foi adorável, uma boa amiga... Mas eu não posso brincar de casinha com você. Tenho algumas obrigações que me impedem de perder meu tempo com uma criança.
Não foi bem o que ela esperava ouvir quando o seguiu.
— Não quero ser sua amiga ou brincar com você - respirou fundo duas vezes — Quero me casar com você - soltou seu desejo.
— O que? - ele deu uma risadinha irônica — A bebida afogou seu juízo, garota? - gesticulou forte — Eu vou me casar.
Ela levou um choque. Literalmente seus ouvidos ouviram um zumbido irritante. Balançou a cabeça.
— Vai... O que?
— Vou me casar... Em três dias - disse seco — Até o final de semana estarei viajando em lua de mel com minha esposa.
Ela engoliu em seco puxando o ar. Sentiu uma tonteira que não estava lá antes, era diferente. Parecia que seu mundo estava ruindo.
Sentiu como se o chão fosse abrir e ela seria sugada para dentro das profundezas.
Ele a traiu. Enganou seus sentimentos. A fez ter sonhos e agora lhe cortava as asas quando mais desejava voar.
Foi h******l. E o modo como ele a olhava parecia que tinha raiva dela. Apenas por confessar seu amor escondido em seu coração.
Deu tudo errado, não foi como esperava, não foi como Yane disse que seria. Ele não ficou feliz.
Sentiu um aperto no coração como nunca antes e um desespero pesado tomou conta de seu corpo, a fazendo estremecer. Sentiu muita vergonha do que tinha feito.
— Você vai voltar para dentro agora - apontou na direção da casa — Eu vou fingir que isso nunca aconteceu - massageou a têmpora — Beba muita água, coma algo doce para ajudar a cortar o efeito da bebida, lave o rosto e procure deitar-se - a virou e a empurrou de leve — Sei que você é adolescente, mas isso não justifica seu comportamento f**o. Recomponha-se e não beba mais, por favor - a empurrou de novo — Você foi ridícula hoje - se virou de costas.
Ela arregalou os olhos, tomada por uma dor fina que nunca vivenciou e a vergonha a cobriu.
Abaixou a cabeça e se virou, se afastando dele o mais depressa possível, antes que desabasse em um choro absurdo e sua vergonha fosse ainda maior.
Não queria que a visse chorar. Fez o possível para prestar atenção onde pisava para evitar cair e aumentar sua humilhação.
Ela ali, se declarando como uma i****a e ele prestes a casar com outra. Que ela nem sabia que existia. Ele escondera isso, como da outra vez.
Passou entre os convidados como um furacão e nem se importava se estavam achando estranha a sua cara de choro. Queria um lugar para ficar sozinha.
Se enfiou em um dos banheiros e trancou a porta, se encolhendo dentro da banheira. Não queria chamar atenção mais do que já tinha chamado.
Começou a chorar baixinho, a cabeça doendo mais agora do que antes. Que situação ridícula ela tinha se metido e para nada. E o pior que ela sabia que não deveria ter feito isso e por causa da bebida se sentiu mais solta e ousada.
E ele a humilhou.
Autora Ninha Cardoso.
Deixe seu comentário para que eu saiba se está gostando do romance. Livro completo. Acompanhe!