Já fazia dois dias que minha irmã havia sido "adotada". Bernardo me obrigou a mentir para Nico e Emilia que eu estava de acordo com isso e que achei que seria melhor para ela, para que Lupita tivesse uma família e tal, e ainda me mandou dizer que eu estava tendo contato com ela, que eu a via e tudo. Nico pareceu ter acreditado, porém, Emilia ficou meio desconfiada, mas eu assegurei que era verdade, acho que ela acreditou.
Ah, eu estava tão preocupado com a minha irmã, só queria saber se ela estava bem, se estava sendo bem cuidada…
Era um sábado. Eu estava na sala vendo TV com Mar quando o telefone tocou, e resolvi atendê-lo.
- Alô!
- Gas? - Eu conhecia muito bem aquela voz.
- Lupita? Lupi, onde você está?
- Eu não sei. É uma casa vermelha, fica perto de uma ponte e de uma padaria.
- Acho que sei onde fica. - Falei.
- Eu não quero ficar aqui, quero ficar com você, me tira daqui, por favor. - Começou a chorar.
- Fica calma, eu vou dar um jeito de te tirar daí. Confia em mim?
- Sempre!
- Com quem você está falando? - Ouvi uma voz do outro lado da linha.
- Com ninguém. - Respondeu minha irmã.
E nisso a ligação caiu, ou melhor, aposto que desligaram. Contei para Mar o que Lupi havia me dito. Se era a casa que eu estava pensando, eu sabia onde ficava, e eu precisava dar um jeito de buscá-la, só não sei o que faria com Bernardo quando Lupita voltasse, certamente ele não deixaria por isso mesmo, mas eu estava pouco me fudendo pra ele, o que importava era a minha irmãzinha.
E por falar no capeta, o homem surgiu chamando por mim. Olhei rapidamente para Mar, que também me olhou em silêncio, e então, eu fui até o escritório do homem.
- O que você quer? - Perguntei.
- Quero que você me faça um daqueles servicinhos. - Falou.
- Tá maluco? Você leva minha irmã sei lá pra onde e vem me pedir favor? Meu cu que vou fazer.
- Como é? - Me puxou pelos cabelos.
- Não farei nada pra você enquanto a minha irmã não voltar.
A minha cabeça estava doendo quando bateram à porta. O homem me soltou rapidamente e abriu a porta. Era Nico, querendo falar com Bernardo.
- Pode ir, querido, depois a gente termina a nossa conversa. - Falou o homem para mim.
- Está tudo bem? - Nico me perguntou. Acho que ele viu a minha cara de choro.
- Aham. - Sai rapidamente.
(...)
Fui até meu quarto, onde Tato estava. Mar, ao me ver passar pela sala, acabou indo atrás de mim.
- O que o Bernardo queria com você? - A garota perguntou.
- Que eu entregasse drogas pra ele, mas eu não farei nada até ele trazer a minha irmã de volta. - Falei indignado com essa situação toda.
Contei para Tato que Lupi havia ligado e me dado informações de onde ela poderia estar e o garoto me aconselhou a irmos buscá-la. Mar quis ir conosco, mas eu achei que não seria uma boa ideia, para não levantar muita suspeita e também porque poderia ser perigoso.
Combinei tudo com Tato, só não sabia como avisaria a minha irmã, mas isso era só um detalhe, pois eu daria um jeito de tirar a minha irmã daquele lugar.
Tato e eu saímos e fomos até o local que Lupita havia dito que estava.
Chegamos na casa e ficamos observando-a.
- O que faremos agora? - Tato perguntou.
- Vamos esperar um pouco pra ver se a gente avista ela. Se ela não aparecer, vou inventar uma desculpa e darei um jeito de entrar lá.
Ficamos aguardando mais de 1h e nem sinal da minha irmã, então resolvemos ir tocar a campainha. Em seguida, uma mulher abriu a porta.
- Olá. Pois não?
- Hã… Oi. Eu… - Comecei a falar.
- Ora, ora, mas quem é que temos aqui? - Disse Bernardo, ao aparecer. Ele estava na casa da família.
Tato e eu nos olhamos sem sabermos o que falar ou o que fazer. p***a, que azar! Por que Bernardo tinha que estar justo na casa onde minha irmã estava?
- O que vocês fazem aqui? - O homem perguntou, já sabendo a resposta.
- Cadê a minha irmã? Lupita! Lupita! - Comecei a chamar por ela.
- Ela não está, saiu com meu marido. - Falou a mulher.
- O que acharam? Que iam vir aqui e levá-la? Acho que não! - Disse Bernardo com ar de deboche. - Vamos,
(...)
Já no abrigo, Tato e eu chegamos acompanhados de Bernardo, que foi o caminho todo rindo da nossa cara, se vangloriando. Assim que entramos, vimos Mar e Euge, que estavam prestes a subir as escadas. As duas se olharam já percebendo que havia dado r**m.
Nisso, Juan apareceu pedindo para conversar com o pai, e os dois saíram juntos. Tato e eu subimos com as garotas e contamos o que havia acontecido.
Ah, eu estava com tanta raiva disso tudo. Como Bernardo podia ser tão c***l assim? Mas eu ainda daria um jeito de tirar a minha irmã daquela casa, custe o que custasse.
Mais tarde, resolvi ir falar com Juan, pois Bernardo me obrigou a pedir desculpa para o garoto e dizer que eu havia inventado tudo.
Fui até o quarto do garoto, e ele estava deitado em sua cama, tocando alguns acordes de violão.
- Posso entrar? - Perguntei.
- O que você quer?
- Hã… Eu… Queria me desculpar pelo que eu disse.
- Por quê?
- Hã… Porque eu estava com raiva, mas… Hã… Já passou. Será que você pode me perdoar?
- Tudo bem, não estou mais zangado. - Falou.
- Valeu.
Apesar da minha rivalidade com Juan por conta de Mar, eu sabia que ele não era mau, e nem merecia o pai que tinha, espero que algum dia ele possa ver com os próprios olhos o pai que tem.