O Plano

1019 Palavras
Já fazia dois dias que minha irmã havia sido "adotada". Bernardo me obrigou a mentir para Nico e Emilia que eu estava de acordo com isso e que achei que seria melhor para ela, para que Lupita tivesse uma família e tal, e ainda me mandou dizer que eu estava tendo contato com ela, que eu a via e tudo. Nico pareceu ter acreditado, porém, Emilia ficou meio desconfiada, mas eu assegurei que era verdade, acho que ela acreditou. Ah, eu estava tão preocupado com a minha irmã, só queria saber se ela estava bem, se estava sendo bem cuidada… Era um sábado. Eu estava na sala vendo TV com Mar quando o telefone tocou, e resolvi atendê-lo. - Alô! - Gas? - Eu conhecia muito bem aquela voz. - Lupita? Lupi, onde você está? - Eu não sei. É uma casa vermelha, fica perto de uma ponte e de uma padaria. - Acho que sei onde fica. - Falei. - Eu não quero ficar aqui, quero ficar com você, me tira daqui, por favor. - Começou a chorar. - Fica calma, eu vou dar um jeito de te tirar daí. Confia em mim? - Sempre! - Com quem você está falando? - Ouvi uma voz do outro lado da linha. - Com ninguém. - Respondeu minha irmã. E nisso a ligação caiu, ou melhor, aposto que desligaram. Contei para Mar o que Lupi havia me dito. Se era a casa que eu estava pensando, eu sabia onde ficava, e eu precisava dar um jeito de buscá-la, só não sei o que faria com Bernardo quando Lupita voltasse, certamente ele não deixaria por isso mesmo, mas eu estava pouco me fudendo pra ele, o que importava era a minha irmãzinha. E por falar no capeta, o homem surgiu chamando por mim. Olhei rapidamente para Mar, que também me olhou em silêncio, e então, eu fui até o escritório do homem. - O que você quer? - Perguntei. - Quero que você me faça um daqueles servicinhos. - Falou. - Tá maluco? Você leva minha irmã sei lá pra onde e vem me pedir favor? Meu cu que vou fazer. - Como é? - Me puxou pelos cabelos. - Não farei nada pra você enquanto a minha irmã não voltar. A minha cabeça estava doendo quando bateram à porta. O homem me soltou rapidamente e abriu a porta. Era Nico, querendo falar com Bernardo. - Pode ir, querido, depois a gente termina a nossa conversa. - Falou o homem para mim. - Está tudo bem? - Nico me perguntou. Acho que ele viu a minha cara de choro. - Aham. - Sai rapidamente. (...) Fui até meu quarto, onde Tato estava. Mar, ao me ver passar pela sala, acabou indo atrás de mim. - O que o Bernardo queria com você? - A garota perguntou. - Que eu entregasse drogas pra ele, mas eu não farei nada até ele trazer a minha irmã de volta. - Falei indignado com essa situação toda. Contei para Tato que Lupi havia ligado e me dado informações de onde ela poderia estar e o garoto me aconselhou a irmos buscá-la. Mar quis ir conosco, mas eu achei que não seria uma boa ideia, para não levantar muita suspeita e também porque poderia ser perigoso. Combinei tudo com Tato, só não sabia como avisaria a minha irmã, mas isso era só um detalhe, pois eu daria um jeito de tirar a minha irmã daquele lugar. Tato e eu saímos e fomos até o local que Lupita havia dito que estava. Chegamos na casa e ficamos observando-a. - O que faremos agora? - Tato perguntou. - Vamos esperar um pouco pra ver se a gente avista ela. Se ela não aparecer, vou inventar uma desculpa e darei um jeito de entrar lá. Ficamos aguardando mais de 1h e nem sinal da minha irmã, então resolvemos ir tocar a campainha. Em seguida, uma mulher abriu a porta. - Olá. Pois não? - Hã… Oi. Eu… - Comecei a falar. - Ora, ora, mas quem é que temos aqui? - Disse Bernardo, ao aparecer. Ele estava na casa da família. Tato e eu nos olhamos sem sabermos o que falar ou o que fazer. p***a, que azar! Por que Bernardo tinha que estar justo na casa onde minha irmã estava? - O que vocês fazem aqui? - O homem perguntou, já sabendo a resposta. - Cadê a minha irmã? Lupita! Lupita! - Comecei a chamar por ela. - Ela não está, saiu com meu marido. - Falou a mulher. - O que acharam? Que iam vir aqui e levá-la? Acho que não! - Disse Bernardo com ar de deboche. - Vamos, (...) Já no abrigo, Tato e eu chegamos acompanhados de Bernardo, que foi o caminho todo rindo da nossa cara, se vangloriando. Assim que entramos, vimos Mar e Euge, que estavam prestes a subir as escadas. As duas se olharam já percebendo que havia dado r**m. Nisso, Juan apareceu pedindo para conversar com o pai, e os dois saíram juntos. Tato e eu subimos com as garotas e contamos o que havia acontecido. Ah, eu estava com tanta raiva disso tudo. Como Bernardo podia ser tão c***l assim? Mas eu ainda daria um jeito de tirar a minha irmã daquela casa, custe o que custasse. Mais tarde, resolvi ir falar com Juan, pois Bernardo me obrigou a pedir desculpa para o garoto e dizer que eu havia inventado tudo. Fui até o quarto do garoto, e ele estava deitado em sua cama, tocando alguns acordes de violão. - Posso entrar? - Perguntei. - O que você quer? - Hã… Eu… Queria me desculpar pelo que eu disse. - Por quê? - Hã… Porque eu estava com raiva, mas… Hã… Já passou. Será que você pode me perdoar? - Tudo bem, não estou mais zangado. - Falou. - Valeu. Apesar da minha rivalidade com Juan por conta de Mar, eu sabia que ele não era mau, e nem merecia o pai que tinha, espero que algum dia ele possa ver com os próprios olhos o pai que tem.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR