A Verdade Sobre Gimena

1081 Palavras
Eu não conseguia crer que Juan havia comprado um celular para mim, o que esse maluco tem na cabeça? Ele não deve regular bem, só pode! - Gostou? É um iphone! - Iphone? - Perguntei sem entender. - Parece um celular. - Ele riu. - Não, Mar. Iphone é um modelo de celular. - Ah… Mas… Eu não posso aceitar, deve ter sido muito caro. - Você merece! - Ele sorriu. - Aceite. Por favor. - Mas… Eu nem sei mexer nisso. - Vem cá, que eu te ensino. O garoto sentou em minha cama e eu sentei ao lado dele. Juan começou a me ensinar a usar aquele celular, me mostrou como fazer ligação, como mandar mensagem, como tirar foto, tudo era tão novo para mim e parecia tão legal. - Eu já deixei o meu número na agenda… - E cadê? - O quê? - Perguntou sem entender. - Cadê a agenda? - Olhei para os lados, procurando-a. - Não estou vendo. - Não! - Ele riu. - É a agenda do celular, aqui ó… - Me mostrou onde ficava a agenda. - Ah… Legal… - E eu fiz um w******p pra você… - Fez o quê? - Um w******p, é um aplicativo de mensagens, você pode falar com qualquer pessoa do mundo. - Abriu o aplicativo. - Aqui já está o meu contato, se você quiser falar comigo é só mandar mensagem. - E precisa escrever nesse trequinho? - Se você quiser, pode mandar áudio também. - Interessante… - Assim, qualquer problema que você tenha pode me ligar ou me mandar mensagem. - Valeu. - Me pus a olhar para ele. - Por que está fazendo isso? - Porque somos amigos. E porque me preocupo com você. - Sorriu. - Bom, vou deixar você mexendo no seu novo brinquedo, combinei de sair com o Márcio. O garoto levantou da cama e foi em direção à porta. - Juan! - Ele se virou para mim. - Obrigada. O garoto sorriu docemente e saiu do meu quarto. Deitei em minha cama e fiquei mexendo no celular para descobrir tudo o que ele fazia, mas era meio difícil, pelo menos os tais aplicativos tinham "desenhinhos", assim facilitava a minha vida. - O que você está fazendo? - Euge perguntou ao entrar no quarto. Eu estava tão concentrada no celular, que nem vi a loura entrar no nosso dormitório. - O que é isso? - O Juan me deu. Legal, né? - Nossa, ele deve estar muito apaixonado por você pra te dar um presente desses. Mas você precisa esconder bem pra Júlia e pro Bernardo não verem. - Claro! Vou esconder na minha gaveta de calcinhas, eles nunca mexem nas nossas gavetas de roupas íntimas. - Ela riu. - É um bom lugar. (...) Nico - Assim está melhor? - Ajustei um travesseiro nas costas da Gimena. - Está ótimo. Muito obrigada, meu amor. - Precisa de mais alguma coisa? - Se importa de me trazer um suco de laranja? Estou com uma sede… - Claro, vou buscar. Sai do quarto da morena e me dirigi à cozinha. Ah, já estava cansado disso, estava torcendo para ela voltar logo a andar. Ao chegar na cozinha, avistei Tomás sentado em cima da mesa, e Emilia, que estava colocando um band-aid no joelho do meu filho. - Hey campeão, o que houve? - Eu estava brincando de pega-pega e caí, daí ralou um pouco o meu joelho, mas a Emi já cuidou do machucado. - Que bom, filho. - Fiz um leve cafuné no garoto. - Tomi, já deu? Podemos ir brincar? - Flor perguntou para o menino. - Claro, vamos… Os dois saíram correndo, deixando Emilia e eu a sós, olhei fascinado para a loura, que estava cabisbaixa, parecendo meio envergonhada. Ela era tão linda, tão perfeita, eu nunca havia conhecido uma mulher assim, eu nunca… Eu nunca tinha me apaixonado dessa forma. Por ninguém. Eu estava me sentindo um adolescente apaixonado pela primeira vez. - Emilia… - Ela me olhou com aqueles lindos olhos verdes. - Eu… Eu não estou mais aguentando isso. - Me aproximei da loura. - Eu… Eu quero ficar com você. Só com você. - Nico… Eu também quero, mas não podemos. Não nesse momento. Não com a Gimena assim, em uma cadeira de rodas. Quem sabe, depois que ela voltar a andar, o que espero que seja em breve. Mar entrou vagarosamente na cozinha e eu me afastei de Emilia, quebrando o clima que estava entre a gente. - Mar? Algum problema? - A loura perguntou. - Eu preciso contar algo que eu descobri. - Falou com um certo receio. - Claro! Sente - se aqui! - Dei passagem para ela se sentar à mesa. - Não precisa, obrigada. - Então diga, o que houve? - Pedi. - Eu vi a Gimena, e… Ela não estava na cadeira de rodas. - Como assim? - Emilia perguntou sem entender a fala da mais nova. - Eu vi quando ela saiu da cadeira de rodas e deitou na sua cama. Sozinha. - Mar, espera… Você está querendo dizer que… - Que ela está fingindo, a Gimena não está paraplégica. - Mar, isso é muito sério. - Falei. - Eu sei, mas eu não estou mentindo. - Disse a garota. Não, não era possível, eu não conseguia crer que Gimena havia me enganado tanto tempo, como ela pôde? Ah, mas ela teria que me explicar essa história direitinho. Fui até o quarto de Gimena e fui seguido por Emilia e Mar. Eu não costumo entrar no quarto de ninguém sem bater, mas se eu batesse, ela teria tempo de se preparar e tal. Então abri a porta bruscamente e a vi em pé em frente ao espelho se maquiando. - Nico? - Se assustou ao me ver. - Eu não acredito nisso. Você me enganou direitinho. - Nico, não é o que você está pensando… - Não estou pensando, estou vendo. Você está de pé. - Milagre! É um milagre! Eu estava na cadeira, aí comecei a sentir as minhas pernas e daí eu fui ver e estava andando. - Para! Para de mentir! Já chega! Quer saber? Eu não sei como um dia eu consegui namorar alguém como você. Eu sai do quarto da morena e fui seguido novamente por Emilia e Mar. Cara, como eu consegui ser tão i****a? Como eu pude acreditar nas mentiras dela? Como ela pôde me enganar assim? Ah, como eu fui trouxa…
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