Capítulo 3

1720 Palavras
Laura Castelo narrando A chuva fina que cai lá fora, o frio solitário que se faz presente mostrando que o dia será cinza e nublado, sem cor, sem alegria, e assim será também dentro de me, um temporal sem fim, solitário, frio e triste, e ao fim da tempestade não haverá o lindo arco-íris, já que em me não há sol, somente chuva, não há cores, somente tudo cinzento. É ironia o tempo lá fora demostrar em clima como eu estou nesse momento, desde ontem, são 05:30 da manhã, e não dormir nada, estou acordada desde ontem, e vocês se perguntam como meu corpo está aguentando ficar tanto tempo acordado assim sem descanso? Eu também me faço a mesma pergunta, e sem ânimo para nada, nem para levantar da cama, sinto como se estivesse fora de me, como se minha alma não estivesse dentro de me, e por algumas horas meu coração houvesse parado de bater, indicando que estou morta, sem vida, e nesse momento devo estar mesmo. Laís- Laura não dormiu nada, né? Laura- Não. — n**o com a cabeça, pois realmente não dormir absolutamente nada. Laís- Laura por favor mim escuta, não vá por esse caminho pelo qual poderá se arrepender depois, e digo isso por experiência própria, vai por mim, será tarde demais depois para voltar a atrás, sua chance está sendo agora de não ir adiante com isso, Laura você está tendo a escolha que eu não tive, conseguiu concluir o ensino médio, sabe ler, escrever muito bem, e sem falar que fala muito bem, olhe para mim, eu por outro lado se tivesse tido a chance que você está tendo de não ir adiante com isso, eu sequer teria dado esse passo em que dei na minha vida pelo qual hoje eu me arrependo muito, mais foi o único trabalho que me aceitou e que estou até hoje, mas não era a vida que eu escolhi para mim, que eu queria para mim, queria eu ter tido a chance que tu tem, e voltar a atrás e não ter ido adiante com essa grande loucura, então por favor pense muito bem, você irá encontrar outro emprego que não seja esse, e assim continuo mantendo a casa sozinha, não é um fardo pesado para mim como pensa, somos mais que amigas, somos irmãs, uma pela outra sempre, você se tornou a minha família, somos uma a família da outra, e isso basta, não precisamos de muito, e tá tudo bem se não conseguir trabalho algum agora, uma hora conseguirá. ____ Ela me abraça, com seu abraço aconchegante, cheio de ternura e amor, como sou grata por tê-la em minha vida. Laura- Obrigada por tudo, amo você. Laís- Amo mais, sempre juntas, fica bem, e pense bem, tá? Laura- Tá. _____ Digo concordando com a cabeça, ela se levanta da cama indo pro banheiro fazer sua higiene matinal, repouso minha cabeça no travesseiro olhando ainda a brisa que cai lá fora, e com isso meus olhos vão se apagando aos poucos, até me entregar de vez ao cansaço em que meu corpo se encontra, me permito desencasar o corpo e a mente um pouco. Desperto olhando no relógio da parede do quarto que marca 18:00 horas, me levanto da cama, me apressando, pois o horário que entra lá é as 19:00 horas, temos que pegar um ônibus até lá ainda, e não quero atrasar a Laís, muito menos me atrasar também para o meu primeiro dia de trabalho, é isso mesmo, irei trabalhar naquela casa noturna. Tomo um banho da cabeça aos pés para despertar o corpo e a mente de vez, Visto uma calça jeans de lavagem clara, uma camiseta, calço o tênis, pego minha bolsa com os documentos e vou para cozinha atrás da Laís. Laís- Você vai mesmo né? Laura- É preciso. Laís- Laura! Laura- Laís por favor só me apoia nisso, não estou me sentindo bem desse jeito em que estamos com você carregando tudo nas costas. Laís- Desculpa Laura mais não irei te apoiar nisso, pois queria ter tido alguém que não houvesse me apoiado nessa loucura e ter feito com que eu repensasse e voltasse atrás. ____ Ela diz chateada por minha escolha, não a aceitando, e entendo perfeitamente ela, pois ela só quer meu bem, estou tendo a oportunidade de retornar atrás da minha decisão, algo que ela não teve escolha, como eu estou tendo, ela não teve ninguém por ela, eu estou tendo ela por me, essa não é a vida que ela queria para ela e muito menos para me, eu também não, para nenhuma de nós, mais infelizmente é a única em que nos encontramos. Vamos juntas para o ponto de ônibus caminhando em silêncio repleto, mais não é r**m, pelo contrário, é bom, estamos dando um tempo para a outra, respeitando o espaço e decisão da outra, como grandes amigas que somos. O percurso todo foi feito em silêncio reconfortante ainda, mais ao chegar no nosso destino o abraço acolhedor foi essencial e único para esse momento, sabemos o que a outra precisa, e sentimos juntas, precisamos uma da outra, do abraço da outra. Laís- Não concordar com suas decisões, não quer dizer que eu te deixarei sozinha nessa. Laura- Sei que não estarei sozinha, tenho você, assim como você me tem. Laís- Nunca soltarei sua mão Laura, vou sempre estar aqui. Laura- Eu também Laís, eu também. Entramos para dentro após o segurança liberar nossa entrada, pelas portas dos fundos é claro, onde os que trabalham aqui entram. Nos encaminhamos até onde iremos nos arrumar, e o frio que percorre por todo meu corpo não está escrito. Laís- Boa noite dona Margot. Laura- Boa noite. Margot- Boa noite meninas lindas, e essa belezura aqui, quem é? Laís- Essa é a Laura minha amiga irmã, mora comigo e vai começar a trabalhar aqui hoje, não por meu querer. Margot- E porque querida quis trabalhar aqui? Laura- Não é do meu querer dona Margot, mais não achei emprego algum, todos falam a mesma coisa, que preciso de experiência, como terei se eles não me dão uma oportunidade de emprego? Não vejo outra saída, e não quero ficar nas costas da Laís, ela sabe disso. Margot- Entendo as duas, como queria livrar a Laís dessa vida, e não permitir que vá por esse caminho. Laís- A dona Margot sabe de toda minha história do que passei para chegar até aqui, e que ainda passo. Margot- É uma história muito sofrida que não vale a pena relembrar, espero que não sofra menina linda, e no que eu puder ajudar, estarei aqui. Laura- Agradeço dona Margot de coração. Margot- Irá trabalhar em quê especificamente? Laura- Dançar. Margot- Ela sabe como irá se vestir e dançar? Laís- Não, essa parte eu ocultei, pois achei que ela iria voltar atrás e não ir adiante com essa grande loucura. Laura- Não é uma apresentação com vestidos bonitos, algo do tipo? Margot- Até é, mais o término não. Laura- E como é? André- Laura o Hugo à espera em sua sala, queira mim acompanhar por favor. Laura- Ok. Laís- Quer que eu vou com você Laura? André- Somente a Laura, ordens do mesmo. Laura- Tá tudo bem amiga, volto logo. Laís- Um babaca ele é. André- Ele irá adorar saber disso, não acha? Laís- Com toda certeza. Laura- Você vai falar? André- Relaxa, a Laís estaria muito bem em grandes problemas se ele soubesse o quão é difamado em sua bela boca. ___ Ele diz piscando para ela, me deixando totalmente confusa com isso tudo, o acompanho até a sala do babaca como diz a Laís, homenzinho chato, cheio das soberbas, ninguém merece. Ele abre a porta para que eu entre, e se retira, entro na sala do babaca, querendo não estar aqui, mais fazer o que, esse lugar se tornará meu emprego agora. Hugo- Boa noite Laura, sente-se. Laura- Boa noite. ____ Me sento na cadeira posta a sua frente, ele me analisa, chega ser entediante, um sorriso de lado está em seu rosto como quem adora se divertir as custas dos outros, i****a. Hugo- Pois bem, trouxe consigo seus documentos? Laura- Sim. ___ Entrego a ele a documentação, ele olha, depois coloca tudo no computador a sua frente, e depois de um certo minutos seguidos ele imprimi tudo em uma pasta, como se fosse um contrato, e não estou errada não, é um contrato, pois o mesmo é posto a minha frente. Hugo- Aqui está o contrato dos seus serviços que serão prestados a Rusci Dark Valley, só ler e assinar. ___ Pego de sua mão o contrato, começo a ler tudo atentamente, meu contrato é de um ano, não posso sair antes disso pois será quebra de contrato e pagarei muito caro, céus, muito dinheiro, aqui ainda diz, que um ano é uma adaptação ao servidor dentre os serviços prestados à casa, que caso eu me adapte e goste, o contrato se estenderá para exclusivo, mais ainda sim receberei por meu trabalho prestados ao lugar, irei me apresentar nos palcos, e aqui diz que se eu quiser me relacionar a outros tipos de trabalho referentes na casa, que posso, somente se eu quiser, já que não sou obrigada a absolutamente nada que eu não queira fazer, o valor a ser começado que achei pouco dentre esse período em que ficarei aqui, 500 reais mensal, não é nem por noite, fiquei chocada que o que gera mais dinheiro é o envolvimento de sexo, ou seja me prostituir, vender meu corpo por dinheiro, chega me dar uma ânsia de vômito imaginar isso, não romantizo quem faça isso, muito menos julgo, cada um sabe das consequências que leva a ter que se sujeitar a isso, a Laís infelizmente é um grande exemplo sobre isso, é a única forma de se manter, aqui também diz, que qualquer coisa referente a cuidados em questão de saúde a casa se responsabiliza, as vestimentas são daqui mesmo, depois de tudo relido, pego a caneta e assina com toda coragem que não sei onde há em me nesse momento, mais assino, e está feito, uma vez assinado não se pode voltar mais atrás, e a casa noturna Rusci Dark Valley virou meu novo lar, ou o começo de um pesadelo do qual só irei saber no final do contrato.
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