Adrian estava furioso por ter que ficar preso, como um cachorro feroz, mas sabia que era necessário. Ele tinha que admitir que não conseguia se controlar, ainda mais em um dia como esse.
Ele passou o café todo, pensando em como fugir daquela jaula, contudo, não faria isso. Tinha medo de si mesmo.
Talvez, ele pensou, todos tinham razão. Ele não conseguia se controlar. Deveria, já que muitos dos novatos, aprendem a fazer isso já nos primeiros meses, antes da transformação total.
- Está com raiva, novamente. – a voz da sua mãe era como um calmante natural. Ele a encarou, com um sorriso. Se culpava por dar tanto trabalho. – Não precisa se preocupar. Vai aprender a controlar.
- Acho que estou quebrado. – Comentou, encarando o chão. Adrian se martirizava. Era o único que estava dando tanto trabalho. – Eu já deveria ter aprendido a me controlar.
A mulher acariciou seus cabelos, escuros como a noite, o trazendo para a realidade. Adrian amava a sua mãe. Ela era carinhosa, tinha uma paciência invejável, e não o tratava como um moleque, como seu pai.
- Nem todos são assim.
- Mas eu deveria. – Toda vez que pensava nisso, seus batimentos cardíacos aumentavam, ele ficava sufocado, e com raiva. – Sou o filho de um alfa.
- Há, Adrian – A mãe o repreendeu. – O que isso tem haver?
- Ele me pressiona para ser o melhor. – Comentou, frustrado. – Como posso ser o melhor se nem me controlo?
Nervoso, ele se levanta. Sua mãe o observa, com medo de que seu filho se transforme na fera, sem controle, bem na sua frente. Ela sabe o que a influência da lua cheia faz, com os lobos. Bem, ela mesma sentia isso.
- Seu pai. – Levantou, desgostosa. Ela não gostava quando Nathan colocava suas expectativas em cima do filho. Sim, ele é o filho do alfa, contudo, também é um garoto. Dezessete anos. Com quantos anos ele conseguiu se controlar, até a transformação total? – Não se preocupe, ou se frustre, com as exigências dele.
- Sou uma piada para a matilha. – Apontou.
Da última vez que se reuniram, ele ouviu os múrmuros, os olhares, e as dúvidas.
Nathan esperava que: quando estivesse mais velho, bem mais velho, seu filho reivindicasse sua posição perante a matinha, se tornando o alfa, assim como ele. Mas para isso, ele tinha que ser o mais forte.
- Adrian – Chamou a sua atenção. O garoto a encarou, ainda frustrado. – Se concentre em você. No seu corpo, na sua mente. Respire fundo. Se sua cabeça estiver uma bagunça, nunca irá se controlar.
- E como farei isso? – Se perguntou, achando que era impossível.
- Ache uma razão. – Ela aconselhou. – Se tiver algo que o acalme. Um porquê para se manter com a mente humana e com a razão, a fera dentro de você não irá o dominar.
Bem, apesar de fazer sentido, Adrian não tinha um porquê. Ele não tinha nada que o prendesse a razão.
- E se eu não tiver isso? – Perguntou, preocupado.
- Vai encontrar. – Ela pôs a mão em seu ombro. – Filho – Melissa acariciou seu rosto, fazendo com que Adrian se acalmasse. Ele a amava muito. – Você é forte, não por ser o filho do alfa, mas por ser meu garoto. Não se importe com o que as outras pessoas falam, com as expectativas do seu pai, se concentre em você.
Quando ele aceitou o conselho, eles escutam passos firmes se aproximando. Eles sabiam quem era. Justo quando Adrian estava calmo, Nathan resolveu aparecer, para acabar com a sua paz.
- Que bom que está acordado. – Comentou o homem, que entrou no cômodo, sem dar um bom dia, sem perguntar se estavam bem, ou se ele precisava de apoio. O homem era duro, arrogante, mesmo que amasse sua família, era o líder da alcateia e sentia que deveria agir como tal. – Eles estão esperando por você.
Adrian sabia sobre o que ele falava. Seus treinadores. Bem, mesmo respeitando seus professores, usar a provocação para o ensinar a se controlar não estava ajudando em nada.
- Hoje? – Questionou, Melissa.
- Principalmente hoje. – Respondeu, colocando um pouco de bebida para tomar. – É uma noite crucial. Faltam quatro luas cheias até se transformar por completo. – Sim. Adrian estava perto dos dezoitos, quando se transformaria em um lobo gigante. E se não controlasse a fera, ele poderia não voltar a sua forma humana, assim que o dia amanhecesse. – Quer ser um lobo por mais de uma noite?
Ele não precisou responder. Baixou a cabeça e se retirou, mas antes, ainda ouviu sua mãe dizer:
- Lembre-se do que eu disse.
Sendo assim, Adrian se foi, ao encontro de Jacob, do lado de fora.
Ainda naquela sala, Melissa aproveitou que estava a sós com seu marido.
- Você o pressiona demais. – Ela o repreendeu, surpreendendo o homem. – Acha que isso o fará ser um líder como você.
- Meu pai foi bem pior que isso e...
- E você amou quando ele convocou toda a matilha para o atacar, esperando que assim você conseguisse se transformar. – Ela completou.
Ali, ele não era o seu alfa, era seu marido. E não deixaria que Nathan fizesse o que o pai dele, fez com ele.
- Melissa! – A encarou, com o cenho franzido. – Está questionando a...
- Ele é seu filho. – Ela o lembrou. – Sabe que a raiva não se controla com mais raiva. – Ela se aproximou, o olhando nos olhos – Quer o perder?
- Ele vai conseguir.
- E se não conseguir? – Por dentro, ela estava com medo. Seu melhor amigo não conseguiu. Ele se perdeu em sua mente. Matou alguns humanos e foi morto pelos caçadores. – Se Adrian não se controlar. Se ele não voltar, depois da transformação, vai ser caçado. Será morto.
- Ele não vai. – Largou o copo de bebida e pegou em sua mão. Nathan, tinha uma casca dura, mas amava sua família. Daria sua vida por ele. – Prometo que Adrian vai...
- Não pode me prometer. – Ela o interrompeu, se afastando. – Nem eu, nem você, pode controlar o que irá acontecer.
Sendo assim, ela sai, o deixando para trás, decepcionado consigo mesmo. Nathan não queria esse fim para seu filho. Ele caminhou até a janela, e o viu, cumprimentando Jacob. Por dentro, até o alfa temia a lua cheia.
Era quando a maldição os deixava como animais selvagens. Ele temia os caçadores, que deixaram a cidade, a muito tempo. Mas se um lobo atacar os humanos, eles voltariam e acabariam com uma alcateia inteira.