segredo?

1680 Palavras
Luna sabia que não era uma boa ideia esperar todos dormirem, apagarem as luzes para que ela se levantasse, vestisse uma roupa de frio, pegasse o celular e fugisse pela janela. Óbvio que era uma péssima ideia. Já estava tarde da noite e o vento que era trazido lhe dizia que as coisas só iam piorar. Assim que ela pôs os pés fora de casa, desceu cuidadosamente e adentrou os grandes arbustos e troncos de árvores. Sabia que não tinha uma volta e que algo muito estranho e r**m poderia acontecer com ela. Então, como não tinha como voltar, pois sua coragem e curiosidade estavam maior do que a razão pela qual deveria voltar, e se manter segura dentro de casa, ela continuou. Ligou a lanterna do celular e resolveu andar. Bem, para onde ela iria? Não conhece nada ali. Não conhece os caminhos. Poderia se perder. Mas, o instinto dentro dela começou a guiá-la. Ela não conhecia ao mesmo tempo. Conhecia cada passo, cada árvore. E foi isso que a guiou, adentrando o escuro, ouvindo os animais que ali viviam fazerem barulho em cima dos galhos de árvore entre os arbustos, lhe trazendo muito medo e aflição. Colocando um pé atrás do outro, Luna olhou para o céu e viu a enorme lua se abrir diante das árvores. Ela parecia conversar com seus olhos, lhe pedindo para continuar. E foi o que ela fez. Por um grande momento, sua mente foi apagada, fazendo com que ela fosse guiada apenas por um instinto dentro do seu peito. Luna estava com medo, mas aquele instinto não. Parecia que os dois reconheciam há muito tempo. Há alguns quilômetros ali, não tão longe, Adrian sentiu a mesma sensação. A casa era projetada para prender as feras que ali viviam. Bem, é óbvio que todos, menos Adrian, se controlavam muito bem. E apesar da influência que tinha a lua, eles só se transformavam se assim desejaram. Diferente que Adrian, que, ao olhar pela janela, com grades, ele viu a enorme bola luminescente que chamava o seu nome. Adrian também foi inundado pela sensação estranha que o vento trouxe para ele. Então, sentiu um perfume muito conhecido. Ele, em poucos minutos, conseguiu entender o que estava acontecendo. Era Luna, e estava em um lugar muito perigoso. Com a sua audição apurada, ele conseguiu escutar os passos que quebravam os pequenos ramos no chão. A respiração, indicando que ela estava com medo. E, os animais que passavam pelos lugares onde ela passava. Então, Adrian se concentrou naquilo, até ouvir o rosnar de um animal selvagem muito perigoso. Era um lobo que estava indo em direção a Luna. Naquele momento, Adrian não fazia ideia do porquê ele estava sentindo tudo aquilo. Não fazia ideia de como ele conseguia sentir Luna e o perigo que a circulava. Nem ao menos sabia o porquê se importava tanto, o bastante para tentar fugir da sua prisão. Em plena lua cheia, onde ele poderia se transformar a qualquer minuto e machucar todo mundo, inclusive a própria Luna. Continuando seu caminho, ela passou a ver luzes, que a guiavam perante as arvores. Ela ouviu um uivo, que a fez parar, olhar para trás e sentir que estava sendo seguida. A garota engoliu em seco, continuando seu trajeto. Naquele momento, sentir calafrios ficou comum. A cada passo que dava, ela sentia a força a puxando, como um guia. Luna estava cautelosa, mas também, ansiosa. "Tome cuidado." Ela ouviu. - Acho que é tarde demais para me dar conselhos, vovó. – Reclamou. Quando viu a cabana de madeira, a reconheceu da visão. Foi o momento em que ela sorriu, pois, de alguma forma, havia chegado no seu destino. – Ótimo, agora vamos a revelação. Motivada, Luna deu passos a diante, mas antes que pudesse subir o primeiro degrau, ouviu um rosnado, no meio do mato. Ela olhou para trás, esperando ver algo, porém, não conseguiu enxergar. Adrian, por outro lado, pressentia, o ataque eminente de um lobo, que não fazia parte da alcateia. Então, correu o mais rápido possível. Ele parecia mais forte e ágil, do que nos dias normais. Sua visão, turva e avermelhada, lhe fez focar no trajeto, seguindo o rastro do cheiro dela, até sentir a presença do seu rival. Adrian estava próximo da cabana. Ele parou, fechou os olhos e tentou sentir o cheiro do lobo selvagem. Então, com a audição apurada, ele desviou de um ataque, que veio por trás, revelando a b***a, que exibia suas presas afiadas. Sua pelugem, acinzentada, e os olhos amarelos, não eram familiares. Seu pai dizia que, aqueles que não conseguiam se controlar, se tornavam bestas ferrosos, atacando quais quer um que tivessem em sua frente. Bem, aquele lobo era enorme, muito mais forte que Adrian, e isso significava que ele poderia perder a briga. Até que ouviram a voz de Luna. - Tem alguém aí? – A voz saiu tremula, assustada. Adrian olhou em sua direção, achando que aquele lobo iria correr para ataca-la, contudo, uma ventania, incomum, os atingiu naquele momento, fazendo com que a fera seguisse o caminho contrário. Já Adrian, permaneceu ali, agora, com sua forma humana. Ele caminhou, lentamente, em direção a ela, que apertou os braços, no corpo, até que enxergou a figura de Adrian, aparecendo em sua frente, a fazendo soltar o ar preso em seus pulmões. – p***a, Adrian, você quer me m***r de susto? A fúria na voz dela, o fez rir, mas ele não estava nada feliz. Aquela garota adorava se meter em encrenca, e, de alguma forma, ele tinha que a proteger. - Você está ficando maluca? – A repreendeu. Luna soltou o corpo, revirando os olhos. – O que pensa que está fazendo? Com a aproximação, e o foco da lanterna do celular, ela viu que o garoto, furioso, estava apenas com uma calça de moletom. Aquele corpo, sem camisa, era lindo e sexy, algo que a deixou tonta. - Você está me perseguindo? – Franziu o cenho. – O que você, está fazendo aqui? - Não queira me culpar, foi você quem se meteu nisso. - Estou na propriedade da minha família, é você quem está invadindo. Adrian começou a sentir um peso em seu peito, uma raiva crescer, e temeu não se controlar na frente dela. Era lua cheia, quando as coisas se intensificaram, isso significa que seu ódio por Luna, era o gatilho perfeito para a sua transformação. - Vai para casa, agora! – A voz dele ficou mais intensa. Ela o encarou, pasma. Deu uma risada, que o deixou mau morado. – Você ouviu o que eu disse/ - Desde quando manda em mim? – Cruzou os braços. - Não faz ideia do perigo que está correndo. – Revelou, sentindo o coração bater mais forte, sua mente ficou perturbada, quase o fazendo perder a consciência. - Há, claro – Virou-se, subindo os degraus. – Com você, seminu, na minha frente, corro o risco de ficar cega. Adrian tinha passos mais largos, e foi fácil chegar até ela, e a pegar pelo braço, forçando Luna a o encarar, com surpresa. - Vai para casa! – Foi a primeira vez que ela sentiu medo dele. Seus olhos estavam vermelhos. Mas não comum, como alguém estivesse com sono ou algo do tipo. Era a sua íris. Ela mudou de cor, sem falar na mandíbula, mais larga. – Não posso proteger você, se me irritar. Não faz ideia do perigo que está correndo aqui, em plena Lua cheia. Com aquele toque, ela sentiu sua raiva, os batimentos cardíacos, o medo que sentia. Ela não entendeu. Era difícil ler dele, mas naquele instante, sentia o que estava acontecendo com ele, e sem explicação, ela tocou, com a outra mão, o seu peito, olhou em seus olhos e disse, quase como um encanto: - Fica calmo. – Adrian sentiu o impacto daquele toque e das palavras. Não desviou seus olhos do dela. Franziu o cenho, sem entender, contudo, a paz o atingiu instantaneamente, assim que ela pronunciou. – Não precisa ficar com raiva ou com medo. - O que está fazendo? Mesmo com a dúvida, ele se viu em completo controle. Parecia que a fera dentro dele havia sido domada. - Não sei – Revelou. – Senti que estava nervoso. Então, ele tirou a mão dela, se afastando, confuso. Adrian encarou o chão, parecendo envergonhado. Diferente de Luna, que voltou ao seu objetivo, entrando na casa. Era exatamente como em sua visão. Ela ligou o luz, pendurada no teto, olhou em volta, foi até o piso, tirou a tabua e revelou o livro, que era igual a sua visão. Ela abriu um sorriso de satisfação. Não era louca. Aquilo era real. - O que veio fazer aqui? – Ele ainda estava confuso. Era para ele está se contorcendo, com raiva, e prestes a se transformar na frente dela. - Minha avó me pediu para vir. – Luna, ainda com medo, aproximou sua mão, pegando o livro, mas assim que o fez, uma ventania atingiu a casa, abrindo as janelas e portas, a levando para outra visão. Uma do passado. Sua família sendo massacrada, homens com fogo, tochas, mulheres pegando fogo. Sua avó apareceu, estava mais jovem, ela estava nessa mesma casa, vazia, com velas e rabiscos. Ela pronunciava coisas que Luna, ainda, não entendia. - Que m***a é essa? A voz dele a trouxe de volta. Luna agarrou o livro, e se levantou, assustada. Ao virar-se, viu Adrian confuso. - Você é um metamorfo, não é? – Adrian focou seus olhos, arregalados, nela. – Adrian, - Deu passos até ele, que estava petrificado. – Desde que coloquei os pés nessa cidade, muita coisa... - Vai para casa. – Ele se afastou. O que estava acontecendo. Luna descobriu seu segredo? Com certeza ele deixou escapar. - Adrian, espera. – O seguiu. – Não... - Vai para casa, Luna. – Dessa vez falou mais alto, e com a voz distorcida. A paz que sentia antes, se foi, apenas com algumas palavras dela. Adrian se foi, entre as arvores e o escuro, a deixando para trás, confusa.
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