Adrian conseguiu sair de casa, para ser um adolescente normal, pelo menos por algumas horas. Perder o jogo, na sexta, o deixou triste, mas quando seus colegas o chamaram para um jogo casual, ele se animou.
Ele não conseguiu tirar da cabeça a conversa que teve com Luna na noite passada. Ela acabou revelando ser uma feiticeira ou bruxa. Ele ainda não sabia como diferenciar ambas as coisas. Falou sobre uma maldição.
A maldição que prendia a sua linhagem e toda a alcateia dentro daquela cidade. Desde o início, quando o primeiro lobo foi amaldiçoado, ele não podia sair da cidade nunca.
Na verdade, foi bem macabro. Ele teve que m***r uma de suas amantes, pois naquele momento tinha se transformado na fera. E todas as suas linhagens, que se relacionavam com humanas e se transformaram em lobos, ficaram presos.
Se chegassem ao limite, não conseguiam passar. Como uma barreira invisível, eles não podiam escapar. E quando os caçadores chegaram na cidade, mataram muitos, pois não tinham como fugir.
A alcateia teve que se unir e m***r aqueles que os caçavam. E depois de muito tempo, voltaram a respirar e ter tranquilidade, sabendo que os caçadores haviam esquecido de sua existência.
Caso contrário, sofreriam novamente com aquele ataque. Adrian tinha medo de não conseguir se controlar, mas precisava esquecer por um momento que era um lobo e que bruxas existiam.
Ele só queria jogar com seus colegas e relaxar um pouco. Talvez isso ajudasse a sua mente a ficar mais forte e no futuro controlar a b***a que existia dentro dele.
- Cara, qual seu lance com a novata? - Um dos colegas perguntou, enquanto ele bebia um gole de água, depois de uma rodada. Nem parecia que ele deixou o jogo por algumas semanas.
Só que Adrian queria esquecer dos problemas, e tocar no nome dessa garota era tocar na sua ferida. Por isso ele odiou a pergunta.
- Não tenho nada. - Respondeu, ríspido.
- Vi você a carregar para o quarto. - Comentou, brincando. Adrian encarou o amigo, que estava olhando os colegas, se zoando, no campo, que ficava ao ar livre. - Transaram?
- Não. - Era até ofensivo, ele pensar nisso.
- Tem interesse?
- Miligan, por que está me fazendo essas perguntas? - Franziu o cenho, irritado.
O amigo riu. Foi um sorriso, quase tímido, no qual Adrian percebeu.
- E que... - O garoto percebeu alguma coisa na forma dele agir e falar. - Não quero furar seu olho.
Foi aí que Adrian percebeu. Miligan estava afim de Luna. De alguma forma, e por alguma razão, que ele ainda não sabia, Adrian odiou saber disso.
Imaginou ambos saindo, se pegando, e isso não o agradou.
- Não vai querer ficar com ela. - Disse. Bebeu mais um gole e olhou para os colegas, brincando. O amigo, ao seu lado, achou estranho. Adrian tentava esconder o quanto odiou saber sobre seu interesse. - Ela é complicada. Teimosa. Eu diria, insuportável.
- Acho-a uma garota muito interessante, inteligente...
- Miligan, vai por mim, eu não sairia com aquela garota.
Curiosamente, ou pelo destino, lá estava Luna, ao lado da sua amiga, passando pelo campo. Seus olhos se encontraram. Ele não fazia ideia do porquê ela estava ali.
Automaticamente, todos os idiotas, pararam o que estava fazendo para olhar. Garotos eram tão idiotas, ela pensou.
- Discordo de você. - Seu colega, então, se afasta dele, indo em direção as duas.
Adrian fica estático, olhando a cena. Não podia acreditar no que via. Ele gostaria de dizer as razões pela qual ele falava tudo isso, mas não podia. Além disso, sentia estar com ciúmes. O qual ridículo seria?
- Ai, meu Deus, o Miligan está vindo até nós. - Disse Mary Ann, disfarçando sua surpresa.
Primeiramente, ela ficou surpresa e com dúvida. Quem era este garoto? Bem, talvez fosse do colégio. Ele estava no mesmo grupo dos garotos em que jogava lacrosse.
Achou também que ele estava se aproximando devido à sua amiga. Mas logo Luna notou que o garoto tinha era consideravelmente bonito.
Com seus cabelos loiros, olhos claros, porte Atlético estava encarando ela. Ela respirou fundo. Não queria nem mesmo conversar com aquele garoto.
Já tinha tanta coisa para resolver, ter que dialogar com um jogador de lacrosse era a última coisa que queria naquele dia. Além disso, olhando sobre os ombros dele, via o rosto furioso de Adrian.
Parece que olhar para Luna era o gatilho para ele ficar furioso. Ela não sabia o que fazer, não sabia o que dizer. Então, em um sussurro no qual só ele ouviria, ela disse: Qual o problema?
Adrian, naquele mesmo local, pensou: por que estou me importando com isso? Deixa ambos se resolverem. Ele vai saber quem realmente é aquela garota. Se ela é maluca, com certeza ele dará muito trabalho. Eu não me importo com nada disso.Isso, enquanto ele andava de um campo a outro, nervoso. Luna notou. Não entendeu. Até que Miligan se aproximou e, com um rosto feliz, um sorriso que iria de orelha a orelha. Ele falou:
- Luna, oi, eu sou Anthony Miligan - Estendeu a mão para que ela o cumprimentasse. A garota olhou para ele, esperou e, para não ficar chato, resolveu apertar. Sendo assim, ela sentiu o que ele escondia. Estava nervoso, ansioso, seu coração estava acelerado. Além disso, ela leu a sua mente, que dizia: não seja i****a. Ela é só uma garota. Uma bela garota. Foi aí que ela notou o que estava acontecendo. Afastou sua mão da dele, para não ler mais do que deveria. - Eu não sabia que estaria aqui.
Olhando, novamente, por cima do ombro dele, ela viu Adrian, nervoso. Com certeza estava odiando ver tudo aquilo. Particularmente, Luna não estava afim de conversar com ninguém. Muito menos com um garoto do colégio, que estava afim dela.
- Um passeio com a minha amiga. - Puxou Mary Ann, que ficou vermelha, igual a um tomate. Você parece estar se divertindo.
Sem saber o que estava fazendo, Adrian se aproxima do grupo. Ele também sentiu a frequência cardíaca do Amigo. Ele estava nervoso, o que significava que tinha um interesse na garota mais estranha que Adrian já viu. Curiosamente, não querer que ele se envolvesse com Luna, não era por preocupação com Antony, mas sim por ser a Luna.
- Não me diga que deseja jogar lacrosse. - Falou, ao colocar seu braço por cima do ombro do amigo.
Adrian fitou Luna, que fez o mesmo.
- Não temos interesse algum em lacrosse. - Revelou-a. - Na verdade, acho melhor continuarmos o nosso tour.
- Luna! - Antony se desvencilhou do colega e disse, nervoso: - Que tal sairmos amanhã?
Ela olhou para o lobo, atrás dele, furioso com a pergunta. Ficou nervosa, e iria dar uma desculpa se sua amiga não tivesse dito:
- Sair seria ótimo. - Mary Ann achou que estava ajudando, pois, o pouco tempo que tinha com a colega, sabia que ela recusaria a proposta. Já se fosse com alguém, talvez aceitasse. Sendo assim, não tinha como ela recusar.
- É, seria ótimo. - Adrian também interferiu, se colocando ao lado. Ele não deixaria que eles saíssem sozinhos, mesmo não sabendo o porquê.
Quatro pessoas, desagradava Miligan, mas, o que poderia fazer?
- É... - Encarou Adrian, ainda com dúvida. - Então, amanhã.
Pelo menos ela aceitou, se contentou Antony.
- Certo, amanhã. - Falou.
As duas saíram dali constrangidas. Luna queria m***r Mary, por aceitar. Ela só queria um momento de paz para estudar o livro. Apesar de ser boa em aprender idiomas, ter que interpretar feitiços em Aramaico e latim, antigo, seria difícil.
Ao adentrar a floresta de troncos altos, ela puxou Mary, com raiva, e disse:
- Ficou doida?
- O que foi? - Se fingiu de boba.
- Aceitou sair amanhã? - Luna estava furiosa. Ela não tinha clima para sair. Ainda mais com Antony, e de brinde, Adrian. - Odeio encontros. Ainda mais duplo.
- Duplo? - Arregalou os olhos. - Para ser duplo, eu teria eu fazer par com Adrian, e...
- Acho que combina mais com Antony. - Exclamou. Seria ridículo se Adrian estivesse afim de Mary Ann. Não que não pudesse, mas...
- Acho que ele prefere você. - Apontou, desgostosa.
Luna, por um reflexo, pegou na mão da amiga e sentiu: desgosto, tristeza e raiva. Depois, ao ler seus pensamentos: ele nunca me enxergaria. Nenhum deles me enxerga. A única vez que alguém me olhou eu estava ao lado dela.
Luna não tinha como controlar esse impulso. Ela tirou a mão e disse:
- Quem sabe ele não enxergue, amanhã. - Talvez ela devesse ter disfarçado. Mary a encarou, surpresa. - Quero dizer, eu não tenho interesse algum por ele. Realmente não faz meu tipo, então, você pode impressioná-lo.
- Não acho que posso.
- Você pode. - Tentei animá-la. - Mas, vamos mudar de assunto. Você estava falando sobre esse lugar.
Elas adentraram mais na floresta, chegando a uma área aberta com um altar. Bem, era estranho. Havia pedras enormes posicionadas em um círculo, e no meio, um altar, com uma bancada de pedra.
Runas e línguas antigas, parecidas como as do livro. Foi nisso que Luna se atentou. Ela olhou cada uma das runas, uma letra em cada pedra, que tinha no máximo 7 a 8 metros. Ela ficou encantada, ao passar por elas.
Foi inundada por um tipo estranho de poder, que a encantou. Ela pareceu ficar zonza. E, de alguma forma, aquele lugar se conectou com ela.
Uma ventania começou. Algo estranho aos olhos de Mary Ann, e despercebida por Luna. Parecia que o tempo havia diminuído. Ela subiu os degraus de pedra, indo para aquele altar. No chão, naquela roda, havia pequenos canais, formando um caracol. Por onde deveria passar alguma coisa.
Ao se aproximar da mesa de pedra, ela tocou, e no mesmo instante, imagens muito rápidas começaram a se passar em sua mente. Seus olhos ficaram brancos, pois estava em um plano totalmente diferente daquele.
Era imagem, lembranças do que aconteceu naquele lugar. Pessoas, mulheres, elas estavam posicionadas uma ao lado da outra, em frente a cada pedra enorme com as runas. Elas faziam movimentos e falavam alguma coisa que nenhuma naquele momento não podia ouvir nem entender.
No centro, onde ela estava, outra mulher, deitada ali. Ela olhou para o céu e viu a lua cheia. A mulher que estava deitada, parecia sonolenta.
Então ela viu uma velha se aproximando. Seus cabelos eram brancos, sem nenhum fio de outra cor. Luna a viu segurando uma adaga que tinha um formato estranho com ondas, afiado na ponta. E também havia runas, três delas, no qual ela não conseguia ler.
A mulher então se aproximou da outra, que estava deitada e a atingiu no coração com aquela adaga, proclamando algum feitiço, o que assustou Luna no mesmo instante.
Parecia que aquela velha havia enxergado a garota de séculos à sua frente. As duas se encararam com surpresa. Luna tirou a mão do centro, voltando ao momento exato em que ela e sua amiga estavam ali.
Assustada, ela se afastou, descendo, indo de encontro a Mary Ann.
- Não é assustador? - Riu.
- Vamos sair daqui. - Foi rápida em pegar na mão dela e a arrastar dali.
- Achei que estava curiosa.
- É, eu já vi. Agora, vamos sair desse lugar.