Luna, ainda confusa e assustada, após ouvir algo no qual ela julgava ser um grande absurdo, sai da velha cabana, pensativa. É tarde, ela nem percebeu.
Sua mente parecia anestesiada. Não percebia os perigos que lhe cercava. Como ela iria lidar com tanta informação?
O que, realmente, ela era?
Pelo menos ela descobriu a diferença entre elas, e o porquê se sentia tão estranha.
- Isso é uma loucura. - Praguejou, irritada. - Feiticeira? Magia do caos? Isso não é possível. - Bem, ela começou a pensar. Mesmo não sabendo o que tudo aquilo significava, e nem como a magia, apropriadamente dita, funciona. Sabia que, segundo as suas pesquisas, as bruxas precisavam proclamar os feitiços, para que eles acontecessem, e, lembrando do despertador, ou a leitura da mente, no qual ela não tinha controle, até fazia sentido. Ela não falou nenhum feitiço, apenas quis que acontecesse. - Mas devo confessar que isso é bizarro.
Ali, no meio da escuridão, olhos vermelhos a observava caminhar. Ele não era amigável. Algo dentro dele estava o guiando, e naquele momento, Adrian não era ele mesmo.
Antes de, simplesmente, aparecer ali, ele estava voltando para casa, muito feliz, mesmo que ainda pensasse no que aceitou fazer. Ele não sabia o porquê ficou tão chateado com a novidade de que seu amigo estava interessado em Luna.
Dentro dele, um ciúme, descontrolado, nascia, o tornando bem competitivo. Contudo, antes mesmo de colocar as coisas no carro, que lhe esperava para levar para casa, ele sentiu algo estranho.
Parecia que a sua raiva havia tomado forma. Ela cegou seus olhos, o sentido desapareceu e ele se transformou no híbrido que tanto temia.
Perdendo a noção das coisas, Adrian foi guiado para a floresta, seguindo o cheiro familiar, só que, diferente das outras vezes, ele não desejava protegê-la. A energia dentro dele pedia para atacá-la, e arrancar sua garganta fora.
Quando estava a metros de Luna, vendo-a distraída, falando sozinha, ele a observou e esperou o melhor momento para atacar. Uma força começou a lutar com seu próprio desejo. Uma parte, pensava em gritar e mandá-la correr, mas a outro, inexplicavelmente, desejava sentir o sabor do seu sangue.
Quando a voz sussurrou em seu ouvido: mate-a! Ele rosnou o mais alto possível, a fazendo virar, assustada, olhando em sua direção.
Luna estreitou os olhos, pois tinha pouca luz, e viu os olhos vermelhos. Ela os reconheceu, de alguma forma. Lentamente, a b***a se aproximou, andando como um quadrúpede, e se revelando para ela.
Por um instante, ela achou que Adrian estava pregando uma peça nela. Luna revirou os olhos e disse:
- Serio? - Pôs a mão na cintura. - Você tem o péssimo habito de me perseguir. - Contudo, o rosnar dela a assustou. Adrian não era a fera que estava ali. Ela franziu o cenho, enquanto ele se aproximava, lentamente, esperando pelo bote perfeito. - Adrian, para de brincadeira. - Ele não a ouviu. - Quer me provar alguma coisa? Porque estou aqui, sozinha? - Luna, vendo que não fez nenhum efeito, começou a suar frio, dando passos para trás. - Já chega, eu sei, nada de vir até aqui sozinha. Agora, volta ao normal.
Por dois milissegundos, ele reconheceu a garota, mas estava fraco demais para lutar contra a b***a. A única coisa que pode fazer era gritar:
- CORE. - Ela franziu o cenho, com os olhos arregalados. - SAI!
O rugido ecoou trazendo um frio na barriga. Luna se virou e correu o máximo que podia, para uma sedentária de 17 anos. Ela era um alvo fácil e mesmo que Adrian, forçando a sua consciência a voltar, ele não conseguia, tendo que correr, muito mais rápido, fazendo Luna cair no chão, e a puxando pela perna, no qual ela lhe deu um chute.
A fera, irritado, rosnou mais uma vez, só que, era a vez de Luna despertar um poder que ela não fazia ideia que tinha.
- Para, Adrian - Usando suas mãos, ela o jogou, com uma força diferente, contra a árvore atrás dele. O garoto/b***a, ficou preso, erguido, sem pôr os pés no chão. Luna se levantou. Estava com raiva, não parecia ser a garota de antes. Ela nem notava o que fazia, o poder que usava, que não era um feitiço de bruxa. - O que deu em você? - Seu coração batia forte no peito, m*l conseguia respirar. Luna se aproximou, e tentou entender o que estava acontecendo. - Adrian, sou eu. - A garota não podia culpá-lo. Ela já o ouviu dizer que não conseguia se controlar, então, aquilo não era o Adrian. - Você é mais forte do que ele. Não pode o deixar vencê-lo. - Ela tinha esperança de que o traria de volta a realidade. Só tinha que tentar na mente dele. - Você não quer me machucar. Não quer machucar ninguém. Você pode se controlar. Ouça a minha voz.
Adrian, por sua vez, parecia lutar contra a correnteza. Em sua mente, lá estava a fera. Ele era enorme, tinha caninos maiores ainda. Seus olhos eram vermelhos e o encarava com raiva. Adrian sempre teve medo. Desde pequeno. Parecia que, desde que nasceu, ele sempre esteve lá, o deixando amedrontado. Contudo, ouvir a voz de Luna, ele sabia que tinha que voltar.
Tinha que enfrentar o animal e proteger Luna. Era a sua missão. Então, Adrian respirou fundo e se acalmou. Na sua mente, ele se aproximou do lobo feros e pôs a mão estendida, para o tocar. Quanto mais ouvia a voz melódica de Luna, o chamando, mais coragem ele tinha. Era um grande sacrifício, mas não era só por ela, mas por si.
Quando ele pôs a mão em sua cabeça, ele reconheceu seu cheiro. Seus olhos tomaram outra cor. Parecia menos raivoso e o medo de Adrian parecia bobo, naquele momento.
Bom garoto. Uma foz feminina o assustou. Adrian não sabia da de onde vinha e nem quem era. Você vai trazê-la para mim.
Quando abriu os olhos, Adrian estava na floresta. Luna estava a sua frente, usando uma força magica, para o colocar contra a árvore. Quando ela percebeu que ele estava de volta, o soltou e só aí notou o que estava fazendo. Confusa, ela olhou para a mão, esperando entender o que fez.
Já Adrian, sufocado, respirou fundo, várias vezes, tentando lembrar qual foi o seu gatilho, mas nada lembrou.
- Luna - Disse ofegante. - Eu... - Ele se sentiu culpado. Poderia ter a machucado. - Me perdoe. Eu não sei o que... - Baixou a cabeça, com vergonha.
- Não se culpe, você não queria me machucar.
- Eu quase machuquei.
- Adrian - Luna se aproximou, tocando em sua mão, e então, visões a tomaram, mostrando um quarto escuro, coisas bizarras como: bichos espalhados, vidros com líquidos estranhos, um corvo e um boneco na mão de alguma mulher. Ele parecia muito com Adrian. Pelo menos, tinha algumas características de como ele era. Foi aí que ela percebeu. Adrian não a atacou. Ele foi obrigado a fazer isso.
- Luna, o que está acontecendo? - Ele ficou desespero, pois os olhos dela ficaram brancos, uma força a atingiu, e o garoto não sabia o que fazer. - Luna!
Voltando ao normal, ela arregalou os olhos e o encarou.
- Tive uma visão. - Ainda tonta, ela forçou a sua mente a lembrar. - A bruxa!
- Bruxa? - Ele franziu o cenho, confuso. - Você...
- Tem outra bruxa na cidade. Ela está usando você para me atingir.
Adrian arregalou os olhos, assustado.
- Quem é ela?
- Não sei. - Luna andou para longe, tentando raciocinar. - Ela tem um boneco seu. Acredito que seja magia n***a. Ainda não entendo nada sobre isso, mas vou.
- Ela me deixa furioso para atacar você?
- Não sei, mas... vou ter que aprender como faço um feitiço para proteger você. - Isso se conseguisse entender o que estava escrito no livro.
- Então, acho que tem que ficar longe de mim. - Ele a tirou dos pensamentos. O tom pareceu triste. Para os dois.
- Não exagere. - Levou na brincadeira.
- Não é exagero. Eu poderia ter a matado. - Franziu o cenho.
- Adrian, precisa de um banho. - Ignorou tudo o que ele havia dito. - Vou dar um jeito nisso.
Ele a assistiu indo embora. Isso era louco. Alguém estava o usando para atingir Luna e ela parecia não se importar. De alguma forma, ele gostava dela e não desejava seu m*l. Ele quase a matou. Isso não pode ser esquecido. Por isso, ele mesmo decidiu se afastar.