A manhã avançava lentamente, mas para Lívia, cada instante parecia esticar-se como se o tempo tivesse perdido sua cadência natural. Ela permanecia ao lado de Eduardo, sentada em silêncio, observando o irmão com atenção quase obsessiva. Cada gesto mínimo — o leve movimento de um dedo, a respiração irregular, a piscada lenta — era analisado com cuidado, como se pudesse revelar algo do que ele trazia da colina. A tensão no ar não era apenas psicológica; havia algo físico, quase tangível, como se uma energia invisível percorresse a sala e se ancorasse em cada sombra, cada reflexo de luz, cada respiração do ambiente. Daniel permaneceu próximo à porta, os olhos fixos no corredor. Embora estivesse em um hospital, cercado de rotina e segurança, ele não conseguia se desprender da sensação de que a

