ESMERALDA DESCOBRINDO A VERDADE

1316 Palavras
Capítulo 5 Narrativa do autor  Marina não demorou a chegar. Esmeralda, quando viu Marina, desabou. Marina acalmou Esmeralda, deu água com açúcar, abraçou e disse: — Eu sabia que aquele crápula ia fazer isso. Ele nunca aceitou você. Só deixou que sua mãe te criasse porque, se ele não deixasse, hoje ele estaria na miséria.  Esmeralda, sem entender, falou: — O que você tá falando, Marina? Não tô entendendo nada! Pode explicar, por favor? Já tô ficando nervosa. — Esmeralda, vou te explicar direitinho o que aconteceu, pelo menos o que sua avó me contou. Mas vamos sair daqui. Pega suas coisas, seus documentos, tudo o que ele ainda não mexeu, e vamos pra minha casa. Lá te conto tudo — disse Marina.  Esmeralda subiu até seu quarto. Com o que restou de suas joias, pegou as escrituras dos apartamentos que sua avó havia deixado e a escritura de uma fazenda no sul da Bahia. Pegou também as chaves da mansão na Barra, que estava à venda. Tudo o que pôde tirar daquele cofre — que era dela — foi retirado.  Esmeralda arrumou todas as suas roupas, chamou a empregada mais velha, Dona Emília, sentou-se na cozinha e falou: — Tô indo embora dessa casa. Não tenho mais condição de morar embaixo do mesmo teto que meu pai. Gostaria de saber, Dona Emília, quantos empregados têm aqui, fora os seguranças que não trabalham dentro da casa?  Dona Emília olhou séria para Esmeralda e respondeu: — Olha, dona Esmeralda, somos em cinco, contando com meu marido, que é o jardineiro, e meu primo, que é o motorista do seu pai.  Esmeralda fez as contas de todos os empregados de acordo com o salário que recebiam, fez um cheque nominal para cada um, ligou para o banco, autorizou o pagamento e, em seguida, fez um convite a Dona Emília: — Você quer trabalhar pra mim, lá na Barra da Tijuca? É a semana toda, com folgas nos finais de semana. Vai na sexta, assim que terminar de deixar preparado o almoço de sábado e domingo. As outras não vão poder dormir, porque onde vou morar só tem um quarto de empregada. Mas quero vocês três trabalhando como diaristas. — Uma vai duas vezes na semana pra lavar e passar todas as roupas, e a outra vai três vezes na semana pra fazer o serviço da casa. Duas vezes por mês quero uma faxina geral. Como vocês vão ser diaristas, quero que decidam os dias, pra não ficarem batendo cabeça pela casa. Pra você, Dona Emília, vou pagar dois salários. E pra vocês, meninas, o valor da diária; aí vocês escolhem se querem receber por mês ou logo depois que terminarem o serviço.  Tudo foi acertado. Esmeralda pegou tudo que era dela, colocou em seu carro blindado e saiu da mansão do pai. Como a mansão era dela, ligou do carro para o advogado, pediu pra ele ir à casa da Marina receber os honorários e colocar a mansão à venda, de porteira fechada.  Quando chegou à casa de Marina, tirou apenas uma mala do carro e falou: — Vou ficar aqui só até o outro apartamento ser limpo. Depois vou pra minha nova casa.  Marina fez café, sentou-se na sala e avisou: — Essa conversa vai ser demorada.  Esmeralda ficou atenta ao que Marina iria contar. Marina começou falando da mãe e do pai de Esmeralda. A Verdadeira História de Esmeralda  Seu pai conheceu sua mãe numa mercearia, onde ela era operadora de caixa. Ele tinha ido comprar uma barra de chocolate pra dar a uma certa pessoa que seria sua namorada — filha do dono da farmácia do local.  Sua mãe nunca tinha visto seu pai antes. Ele deu um “bom dia”, ela respondeu, e ele ficou olhando. Os olhos dela eram iguais aos seus: verdes. Sua mãe era uma moça direita, não era mulher de se dar ao desfrute, nunca se deitou com homem em troca de nada. Nunca quis se vender.  Trabalhava duro. Os pais dela haviam morrido num desastre de trem no Espírito Santo — o trem descarrilhou, e seus avós morreram, deixando sua mãe, com 14 anos, à própria sorte. Uma vizinha que não tinha filhos acolheu sua mãe, deu estudo, educação, carinho — tudo que uma jovem precisava.  Quando terminou os estudos, ela cursou uma pequena faculdade de Administração, paga pela vizinha que a havia criado. Quando o dono do supermercado precisou de alguém, essa vizinha apresentou sua mãe, e ela trabalhou lá por quatro anos, sem saber que o dono era apaixonado por ela.  Ele só não se declarava porque era bem mais velho — ela tinha 19 e ele 52. Tinha vergonha de dizer o que sentia. Não era casado, nunca teve filhos. Era dono de mercados e de uma fortuna exuberante, mas vivia só.  Um certo dia, ele perguntou à sua mãe se ela queria namorar com ele. Ela respondeu que não, porque não era apaixonada por ele. Mas ele insistiu: — Eu te amo por nós dois.  Ela disse que as pessoas iam achar que estava de olho no dinheiro dele, e não queria isso pra si. Ele respondeu: — Deixa que falem. Eu me responsabilizo.  Um dia, ela acabou se deitando com ele. Não tinha compromisso com ninguém, mas engravidou de você. Você nasceu de sete meses, e pouco tempo depois ele faleceu, de um infarto. Foi uma comoção. Sua mãe ficou muito triste, pois ele era bom pra ela.  Com a morte dele, o mercado foi fechado pelo irmão, que não queria manter o negócio. Um mês depois, sua mãe — ainda abalada, com você no colo — foi chamada em um escritório. Todos sabiam que você era filha dele, mesmo sem ela nunca ter confirmado. As pessoas comentavam por causa dos olhos — os dele, azuis; os da sua mãe, verdes, iguais aos seus.  No escritório, estavam dois advogados, um tabelião e os dois irmãos do dono do supermercado. O testamento foi aberto ali, e ele deixava toda a fortuna para você e, entre linhas, também para sua mãe — Ondina, o nome dela.  Sua mãe ficou surpresa. Herdou tudo o que ele possuía: propriedades, mercados espalhados entre Rio e Bahia, além de muito dinheiro. Dividiu os mercados com os irmãos dele e guardou o restante. O supermercado onde ela trabalhava foi vendido, e ela guardou o valor.  Seu pai — o homem que te criou — descobriu sobre a herança e começou a rondar sua mãe. Ela, boa demais, com você no colo, acabou aceitando quando ele pediu: — Casa comigo, eu te ajudo a criar a menina.  Ela aceitou, e se casaram. Mas o que ele queria mesmo era o dinheiro. Quando levou sua mãe pra conhecer a família dele, a mãe dele — que era sua mãe adotiva— avisou sua mãe de que ele não prestava. Os três irmãos dele, hoje já falecidos, também avisaram. Mas ela, apaixonada, não quis ouvir.  Um tempo depois, sua avó foi morar na Itália. Era podre de rica e sabia que o filho era ambicioso, que só havia se casado por interesse. Sua avó tinha uma grande paixão pela sua mãe e, prevendo o pior, fez algo importante: passou tudo o que sua mãe herdara para o seu nome, em vida.  Tudo. Toda a fortuna. Aquela casa linda que você não deixou perder — a mansão — foi comprada pela sua mãe e era sua também. Os carros, as propriedades, tudo vinha do dinheiro dela.  Sua mãe abriu uma empresa, e seu pai lucrou muito com isso. Quando você tinha entre três e quatro anos, sua mãe foi acometida por uma doença maligna e rara, que a levou em apenas oito meses.  O que seu pai fez? Pegou você, entregou à sua avó, e foi viver a vida dele. Foi com sua avó que você viveu até dezoito anos da sua vida.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR