Dona Narrando,
Eu estava começando a perceber uma certa carência no Mauricio, e isso não iria acabar bem, ele pergunta de mais e até entendo a sua curiosidade, porém a forma como ele conduziu as coisas hoje e a insistência em saber se estou preocupada com ele, deixa claro que tem algo crescendo ali, entendo que por ter sido a primeira mulher dele ele pense em coisas futuras mas eu não concordo com nenhuma delas.
Eu nunca amei alguém e nem quero, isso não presta e outra só dar dor de cabeça, e com a vida que eu levo não vai dar nada certo, conheço meus limites e a minha irá.
Recebi uma ligação da clínica, o irmão dele vai dar muito trabalho ainda e eu não sei até aonde o Mauricio vai chegar para concertar as cagadas dele, a movimentação no morro estava suave dia de pagode, eu faço a minha parte curto e deixo a comunidade sossegada, os valores altos pagos aos canas são prova disso, meu tio comandava aqui mas esse merda sumiu e não sei nem se está vivo, quando deu dez da noite eu cheguei no meu camarote passando minhas ordens, conversei com meus aliados e escutei uma pequena confusão junto aos vapores que vendia no baile, cheguei na grade e não acreditei, o que esse merda fazia aqui, o irmão do Maurício estava aqui querendo usar, a abstinência estava gritando ali, ele gritava e se tremia, uma poha mesmo, mandei mensagem no irmão dele para vim buscar, os caras queriam passar ele, mas mandei levar ele pra casinha, não demorou para o Mauricio chegar desesperado, ainda de pijama e descalço.
- Aonde ele tá, como ele chegou aqui?
Se acalma homem, fugiu da clínica e chegou aqui querendo usar, se eu não vejo os caras já tinha passado ele.
- O que eu faço? Ele vai pra casa nesse estado e vai roubar tudo lá, ele pode voltar pra clínica?
Quer que ele volte pra lá?
- Ele assim, eu não sei como cuidar.
Não precisa chorar, vou mandar levarem ele pra clínica, eles devem sedar ele, se desesperar agora não vai adiantar.
- Ele é a minha única família, e me sinto um merda por ele estar nesse estado.
É o caminho que ele escolheu, não assuma uma culpa que não é sua. - Fomos até aonde o irmão estava, ele gritava e se debatia totalmente descontrolado, ele quando viu correu abraçando ele, mas foi recebido por socos e chutes, escutava calado e chorando que ele era o culpado, que ele trancou ele na clínica, Mauricio chorava dizendo que só queria o bem do irmão, e em troca recebia mais socos, os vapores amarraram seu irmão e levaram para a clínica, Maurício ainda estava sentado no chão chorando, eu nada disse esperei para que ele se acalmasse, e quando se acalmou ele se levantou respirando fundo e com um peso maior do que conseguiria suportar.
- O que vai acontecer agora?
Agora vai viver a sua vida, somente ele pode se esforçar para curar o vício, ele é o único culpado, vem vou pedir para te levarem pra casa.
- Eu posso dormi aqui hoje?
Por que quer dormi aqui?
- Não sei, mas eu me sinto seguro.
Conversamos sobre isso mais cedo.
- Não Estou apaixonado, eu só não sei explicar foi desesperador ver ele assim.
Cuidado com essas confusões de sentimentos.
- Por que sempre deixa isso claro, se eu me apaixonar vai me rejeitar?
Você deve estar muito cansado e por isso não está pensando direito, vem antes que eu mude de ideia. - Ele respirou fundo e eu sabia que isso daria uma merda das grandes, mas eu não estava disposta a correr esse risco, chegando em casa fui direto tomar um banho, e me assustei com ele entrando no chuveiro nu e me beijando como se fosse dono da minha vida, ele realmente não sabe o perigo que é estar na minha vida.