Eu olhava o mundo lá fora e para mim estava do avesso. Como as pessoas seguiam suas vidas enquanto eu morria a cada batida do meu coração?
Estamos andando pela garagem em direção ao meu carro quando eu o paro.
— Você acha que pode ir comigo?— digo fracamente. Sinto que cada pedaço de energia foi literalmente retirado do meu corpo; Eu me pergunto se eu vou chegar em casa. — Eu só... não quero ficar sozinha agora— Eu sinto as lágrimas brotando em meus olhos novamente. Eu olho em seus olhos e vejo um olhar passar por seu rosto que não reconheço antes que ele acene.
— Te encontro na sua casa— agradeço por ele ir comigo.
Estou em frangalhos.
— Ok— eu digo. — Fique... seguro— eu digo acenando para o capacete que ele colocou debaixo do braço. Ele acena com a cabeça de volta e então entro no meu carro um Volvo branco novinho em folha que eu me dei no mês passado, quando pela primeira vez meu trabalho finalmente se tornou estável.
Eu descanso minha testa no volante e respiro fundo para me preparar para a viagem de menos de meia hora de volta ao meu apartamento. Ligo uma música desesperada por qualquer coisa que anule as vozes da minha cabeça.
Eu coloco a minha playlist do Spotify favorita e vou embora. Eu paro na minha garagem e já vejo a moto de Brian na garagem. Atravesso o saguão e o vejo sentado no sofá do hall com os cotovelos sobre os joelhos e a cabeça entre as mãos. Nós chegamos ao meu apartamento sem palavras trocadas entre nós o peso do luto e as palavras que deixamos de dizer. Eu desabo no sofá no segundo em que entro e olho para ele.
— Sirva-se de qualquer coisa. Eu...
Suspiro quando o vejo se mover em direção à minha cozinha e começar a olhar ao redor.
— Deus, você é uma garota. Você tem algo mais forte do que isso— diz ele puxando uma garrafa de Gim.
— Tem vodka no freezer.
— Algo mais?
— Brian, há um bar ali— eu digo apontando para o meu armário onde guardo todas as minhas coisas necessárias para bebidas — Sirva-se.
— Ah, certo, óbvio que você tem bebidas mais fortes...— ele diz. — Eu esqueci que você é uma festeira genuína por baixo dessas saias de vovó.
— Saias de vovó? Brian, não sou suas amigas...
— Minhas…?
— Ai Brian vá se F-O-D-E-R! — eu digo soletrando a palavra no ar com meu dedo indicador.
— Sua b****a?
—Me respeita! —exijo.
— Então você pode dizer f**a-se, mas você não pode dizer b****a?
— Você pode parar de dizer isso, por favor!— Eu grito quando ele abre uma garrafa de uísque e se serve de um copo generoso. Ele se move em minha direção e se senta ao meu lado.
— f**a-se, não vou sequer pensar que você tem uma b****a — ele diz. — Isso é...— ele esfrega o rosto e se vira para olhar para mim. — O que vai acontecer com Mad?
— Vai para os parentes, eu acho...
— De quem?— Ele diz me encarando. Ele levanta quatro dedos que eu suponho para indicar o que seriam quatro opções de avós. — Então os pais de Steven estão fora, pois Steven nunca conheceu seus pais, foi criado por tios que o jogaram fora assim que ele se tornou adulto, duvido que queiram Mad. A mãe de MJay é o motivo dela ter casado com Stevens tão rápido, ela queria um lar, queria fugir. O pai dela nem preciso dizer.
Eu solto um suspiro.
— Tem que haver alguém que seria bom para ela...
— Nenhum deles tinha uma família, Bowers, você sabe disso. Tudo o que eles tinham era um ao outro. Eles eram a família um do outro. Eles eram os mundos um do outro. E juntos eram o mundo de Mad.