Cheguei no hospital e já fui correndo para a ala pediátrica. Eu queria ver logo a minha filha, e já não aguentava mais de tanta ansiedade. Minha filha estava salva e eu poderia tê-la em meus braços depois de anos. Cheguei na ala pediátrica e disse que queria ver Phoebe Steele. Ela me diz que eu posso entrar. Tenho que colocar roupas especiais. Coloco as roupas e me encaminho para a sala onde a minha pequena está na incubadora. Vejo ela brincando com seus dedinhos. Parece que ela está descobrindo eles agora. Meus olhos enchem de lágrimas. Minha menininha, minha linda está salva e agora poderá viver como uma criança normal. Me aproximo mais da incubadora e vejo ela olhar para mim. Ela me dá um sorriso lindo, como nunca vi antes.
-Ei minha linda, estou vendo que você está bem. Graças a Deus daqui a pouco você sairá daqui e poderemos ficar juntas. Digo com a voz embargada pelas lágrimas que insistem em cair. Mamãe te ama muito hein. Ela me olha chupando seus dedinhos. Mamãe não ver a hora de pegar você no colo meu amor. Mamãe não ver a hora de ficar agarradinha com você. Ela faz barulhos com a boca, tentando falar. Vamos ter tempo para isso meu amor. Você vai aprender a falar logo logo. Vai chamar a mamãe, papai, vovó, vovô, titio, titia, você agora vai aprender muitas coisas, e mamãe vai sempre está aqui para te ensinar.
Fico ali falando com ela, que me olha atenta. Eu queria ficar ali até a mesma poder ir para casa comigo, mas eu não podia, tive que deixá-la. Porém eu estava aliviada, por saber que ela estava salva. Cheguei na recepção e pedir para falar com Dra Grey. A recepcionista me disse que era para eu aguardar. Eu queria saber quando Phoebe sairia do hospital. Quanto tempo mais ela ficaria aqui para a recuperação. Dra Grace aparece sorrindo para mim. E eu retribuo.
-Bom dia Dra Grey. Digo com braços cruzados.
-Bom dia Ana, não precisa me chamar de Dra, você sabe que temos muita i********e para isso. Mas me diz, como você está? Ela me questiona.
-Estou muito bem, muito melhor. Graças a você. Digo agradecida por ela ter salvado a minha filha.
-Nada, eu não fiz nada. Temos que agradecer a família que doou o pulmão. Ela diz, e é verdade, mas quem são os familiares?
-Você tem razão, a Sra conhece a família do doador? Questiono.
-Não. Eles não moram aqui. Na verdade o pulmão veio de outra cidade. Que pena, eu queria conhecer e agradecer a família.
-Mudando de assunto, quanto tempo para Phoebe se recuperar? Pergunto
-Uns quinze dias aqui no hospital. E depois daremos alta para ela continuar sua recuperação em casa. Ela não vai poder se mexer muito, nada de engatinhar pelo menos por três meses. Nós vamos te dar uma lista com que ela pode ou não comer por enquanto.
-E ela vai poder viver normal depois disso tudo?
-Sim querida. Ela está se recuperando bem, não houve a rejeição do órgão, então ela ficará bem. Só temos que acompanhá-la de agora adiante. Ela terá que visitar o Pneumologista. Grace diz e eu fico pensando que ela pode ser a médica que cuidará dela.
-Mas você não pode continuar cuidando dela? Questiono cruzando os braços.
-Sim, claro que posso, você não sabe como eu fico feliz em saber que cuidarei de mais uma neta minha. Ela diz sorridente.
-Que bom. Eu não vou tomar mais seu tempo. Obrigada por me esclarecer essa dúvida. Digo feliz.
-Ana, mas agora temos que preocupar com você. Já soube que seu pai pode fazer a doação da medula. Então precisamos correr com isso também. Ela diz.
-Eu sei Grace, mas eu quero fazer com que seu filho fique com a filha primeiro. Eu quero que ele tente amá-la como pai que ele é.
-Eu sei minha menina, mas sua saúde também é importante.
-Eu sei, mas quero que seu filho entenda que assim como eu sou importante para ele, Phoebe também tem que ser. Ela para nós tem que vir em primeiro lugar. Então eu sou vou fazer a operação quando eu ver que ele está disposto a cuidar da filha.
-Tudo bem, essa operação pode ser feita em Seattle. Mas assim que Christian pegar o jeito com Phoebe eu quero ver você na sala de cirurgia. Não quero uma das minhas filhas morrendo. Quero ver você bem, sorridente como eu te conheci. Dou abraço nela.
Apesar de todas as coisas Grace sempre me tratou como uma filha. Carrick também, apesar de no começo achar que eu estava ali pelo dinheiro de Christian. Mas eu sei que ele tirou esses pensamento da cabeça. Ele sabe que eu sempre amei o filho dele. Fui para sala de espera e meu pai estava lá. Ele me abraçou e disse que estava feliz por Phoebe, mas triste por mim. Ele disse que eu deveria já começar a me preparar para a minha operação. Mas eu o tranquilizei dizendo que eu já estava pensando nisso, só precisava de mais um tempo para Phoebe se adaptar à nova vida com o pai. Ele ficou meio receoso, mas não me disse nada. Só disse que estaria li por mim e para a minha filha.
Christian chega a tarde no hospital e ele me chama para comer e conversar. Sigo ele para a lanchonete e nos sentamos para conversar. Ele traz meu chá, que bom que ele não esqueceu, e dois donuts para mim e para ele, e pega um café para ele.
-Você viu Phoebe? Ele pergunta.
-Sim. Ela estava muito linda e animada. Falo feliz.
-Sim, ela está muito bem. Mas queria que você aproveitasse esse estado dela de recuperação e começasse seu tratamento. Ele diz.
-Christian eu quero que passamos nós dois um tempo com ela, antes que eu faça a operação. Digo.
-Você está com medo? Medo que eu não cuide dela? Medo que eu possa colocar a relação pai e filho a Perder? Fico olhando para ele abismada.
-Christian, me entende, eu só quero que as coisas dão certo dessa vez. Não falo por mim, mas por ela. E outra quando ela sair daqui ela vai precisar de mim.
-E de mim também. Você não disse que ela precisa de um pai? Você não quer que a minha relação com ela seja terna? Ele me pergunta.
-Sim Christian, mas como será vocês dois se eu não estiver por perto? Questiono sem saber o que fazer.
-Porque não podemos deixar as coisas acontecer? Você vai operar e eu me comprometo a cuidar de Phoebe. Sua mãe e seu pai já me disseram que não deixarão você sozinha no hospital. E eu também não deixarei, mas enquanto eles tiveram aqui, eu cuidarei da nossa filha. Me dê um voto de confiança. Deixa eu tentar me redimir com ela. Sei que posso errar na mamadeira, fralda, banho, mas farei o possível e o impossível para me aproximar da nossa filha. Ele diz, e fiquei em choque com que ele disse. Ela realmente está disposto a cuidar da nossa menina.
-Não é que eu não confio em você. Mas... Ele não me deixa continuar.
-Mas nada Ana. Eu não estou afim de perder você, Phoebe não quer perder a mãe também. Então comece a pensar nisso. Se você não tomar uma decisão até a saída de Phoebe do hospital, eu farei isso por você. Somos ainda casados, e eu posso exigir que você se interne. A não ser que você não queira se curar.
-Claro que quero. Não pretendo desistir da minha vida agora que nossa filha está bem.
-Então pronto. Assim que Phoebe sair daqui e a gente for para Seattle, você irá fazer sua operação. Ele diz firme.
-Mas você não vai achar demais tendo que cuidar de duas pessoas debilitada? Te pergunto isso, pois Phoebe não vai poder fazer muitas coisas, e pelo que li, eu também não. E meus pais não podem ficar aqui para sempre. Eu sei da situação deles. E sei que papai vai ter que voltar e minha mãe também. Falo com medo.
-Não se preocupe com isso. Eu posso contratar uma enfermeira para ficar com você enquanto Phoebe estiver acordada. Eu não estou preocupado com isso, estou preocupado com você neste momento. Sua saúde é importante. E como disse, Phoebe vai querer a mãe quando estiver melhor de tudo isso.
-Estou vendo que você está começando a se preocupar com ela. Falo feliz, por ele está se preocupando com a filha.
-Sim. Tenho medo que ela não me aceite e necessite de você. Eu não quero passar pela rejeição da minha filha. Eu sei que eu rejeitei ela, mas ela era só um grão de areia dentro de você. Ela não ouviu da minha boca que eu não a queria. Porém eu tenho medo de sentir isso na pele, tenho medo que ela não me veja como pai dela. Tenho medo que ela chame por você quando você não estiver perto. Então quero que você aproveite esse tempo dela de repouso e se trate. Pois quando ela tiver ciência que será só nós dois por um tempo, eu possa demonstrar que eu estou lá por ela e para ela. Quero perder todo esse medo de ser pai. Quero conquistar ela, e você também. Mas eu sei também que não conseguirei nada de você enquanto eu não conquistar a nossa filha, e eu te entendo e vou fazer de tudo para mudar aqui. Ele aponta para o coração. E aqui. Ele aponta para sua cabeça.
-Você vai conseguir. Eu tenho fé em você, e vou te ajudar com ela. Não se preocupe. Digo pegando a mão dele. Ele apenas sorrir.
Ficamos ali conversando e vendo como seguiremos com nossas vidas. Estávamos nos entendendo melhor do que eu podia imaginar. Eu só não sabia se ele realmente estava disposto a fazer tudo isso pela filha, ou por mim, mas independente, eu estava disposta a mostrar para ele que podíamos ser uma família feliz, onde seu amor por nós duas pode ser demonstrado. Eu quero muito vê-lo com a nossa filha. Quero muito ver a interação deles. E eu farei de tudo para que isso aconteça, farei de tudo para a nossa família seja unida.
Os dias estavam se passando e Phoebe estava cada dia melhor. Eu estava gostando de ver Christian conversando com ela, os olhos dela brilhavam ao vê-lo. Era só sorriso. Eu tenho certeza que eles ficarão bem. Assim eu posso sair um pouco de cena, deixar esses dois se conhecerem. Christian tinha razão, ele precisa desse tempo a sós com Phoebe, talvez meu medo, seja só besteira. Ele vai cuidar bem da nossa filha.