Eu ainda estava com medo, medo que minha filha não resistisse a viagem, medo que essa viagem não surtisse efeito. Que nada pudesse melhorar o estado da minha pequena. Estou aqui em casa arrumando as coisas para a viagem. Eu já nem pensava em Christian, no meu encontro com ele. Sei que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Eu não estava ligando, só queria que minha filha saísse desse m*l. Queria que ela melhorasse, para eu pegá-la no colo, para um dar vários beijos. Amá-la como nunca antes.
Chego no hospital pela manhã e toda a transferência de Phoebe já foi feita, só faltava eu assinar. Fui a recepção e assinei a mesma. Saímos do hospital e nos encaminhamos para o aeroporto. Grace me pedia calma, e paciência que tudo iria dar certo. Eu achei que ela iria ficar brava comigo, achei que ela estava com raiva de mim. Mas pelo visto seu desabafo brandou seu coração.
Chegamos a New York e fomos direto para o hospital. Grace me pediu para que eu ficasse na sala de espera que ela iria vir me dar notícias. Eu agradeci, e fui para a sala de espera. Eu estava cansada e esgotada. Eu não tinha ânimo para nada. Eu estou lutando para ficar de pé. Minhas forças estão se esgotando. Olho para o meu relógio e vejo que se passou quase duas horas desde que Grace entrou na ala pediátrica, eu ainda não tive notícias. Fico andando de um lado para o outro. Eu preciso saber se minha filha está bem. Derrepente sinto olhos sobre mim. Paro e olho, é Christian que está parado me analisando toda. Seu olhar queimar sobre mim. Ele vem até a mim.
-Oi Anastásia. Ele fala, mas eu não respondo. Você não acha que temos que conversar? Ainda mais agora, com a situação da nossa filha? Eu ainda não digo nada, eu não quero falar com ele, não agora. Olha, você pode não querer falar comigo, mas você vai me ouvir, porque eu estou puto com você. Puto por você ter ido embora sem me deixar consertar as coisas com você, sem me deixar explicar que eu estava com medo de ser pai. Puto por você colocar a nossa filha nessa situação. Você poderia ter recorrido a mim desde o começo, mas não preferiu encarar o problema sozinha, e ainda preferiu que nossa filha chegasse ao estado que estar. Eu me pergunto Anastásia, se nossa filha tivesse morrido, será que algum dia eu iria saber? Será que você me ligaria para me dizer que nós tivemos uma filha e ela morreu por negligência sua? Eu não acredito que ele está me culpando? Não acredito que ele acha que eu fico feliz em ver a minha filha nesse estado. Olho para ele com raiva. Você não pensou em nenhum momento nela? Não pensou que a mesma poderia crescer perguntar pelo pai? Eu sei que fui um fraco agindo do jeito que agir, sei que não foi uma das melhores recepções que eu havia ti dado, mas fugir, se esconder de mim e ainda sabendo que nossa filha estava correndo risco de vida, eu achei que você poderia ser mais sensata. Que colocasse nossos problemas de lado por causa dela. Mas aqui estamos nós, em um hospital, onde podemos perder a nossa filha. Cansei de ouvir tudo isso, saio do alcance dele, mas ele segura meus braços. Não adianta você fugir de novo, eu não vou permitir isso mais uma vez. Nem você e nem nossa filha sai desse hospital sem meu consentimento. Ele diz e eu puxo meu braço para sair.
Passo por Taylor igual ao furacão, nem dando chance a ele de me cumprimentar. Não é possível que eu tenha que passar por tudo isso. Ele me acusar igual a mãe dele. Eu sei que podia ter corrido para ele e sua família pedindo ajuda mas eu não fiz, eu não posso voltar no tempo. Talvez se eu pudesse eu tomaria outro rumo em minha vida, começando por me casar com Christian.
Saio do hospital. Eu preciso ligar para meus pais. Vou até um telefone público e ligo para meus pais mamãe atende.
-Mamãe. Digo
-Oi Ana, como você está? E minha neta?
-Estamos em New York. Phoebe está sendo examinada pelos especialistas. Falo chorando.
-Como Ana? Como você conseguiu isso? Mamãe pede assustada.
-Lembra que eu havia comentado sobre uma médica que veria ver Phoebe? Então a médica é a Dra Grace Grey.
-Você está dizendo que Phoebe está sendo tratada pela avó dela? Mamãe perguntou pasma.
-Sim mãe, e o resto a senhora adivinha. Christian está no hospital. Digo limpando meus olhos.
-E vocês conversaram? Mamãe pede.
-Não, eu não quero conversar com ele agora. Eu estou abalada emocionalmente, não estou em condição de travar uma briga com ele agora.
-Você sabe que agora ele não vai permitir que vocês se afastem dele né.
-Sim mãe. Eu sei e ele já deixou bem claro. Mas eu não quero pensar em nada disso agora mãe. Eu quero pensar em minha filha, na melhora dela. Estou um caco humano e se eu for discutir agora com Christian eu não vou aguentar.
-Filha eu e seu pai vamos para New York. Queremos focar um pouco com você e nossa neta.
-Mamãe vocês já fizeram muito por mim. Não precisam se sacrificar tanto.
-Nem vem Ana, nós não fomos te ver por que seu marido colocou seguranças nos vigiando. Então eu quero conhecer a minha neta e seu pai também. Ela diz firme.
-Tudo bem mamãe, eu vou desligar. Quero voltar para o hospital. Digo porque já demorei demais.
-Filha em que hotel você está? Ela pergunta e eu nem tive tempo de procurar um lugar para ficar. Ainda mais com o pouco de dinheiro que tenho.
-Mãe, eu ainda não olhei lugar nenhum. Eu não tive tempo para isso.
-Deixa que quando eu chegar ai eu olho, mas já te digo que seu marido vai querer que você fique no apto de vocês.
-Não me interessa nada que Christian quer mãe, eu não estou nem aí para ela. E outra m*l vou ter tempo de ficar em algum lugar e dormir. Eu não quero me afastar de Phoebe.
-Eu sei amor, olha vai para o hospital e depois a gente ver isso. Não fique agitada demais. Você precisa passar tranquilidade para sua filha. Eu vou arrumar tudo aqui é vamos para ir.
-Tudo bem. Espero vocês. Estamos no hospital central de New York. Digo.
-Bjs meu amor. Tudo vai dar certo. Mamãe diz e eu não digo nada.
Desligo a ligação e volto para o hospital. Sento na cadeira e fico olhando para o nada. Passado alguns minutos Christian se senta duas cadeiras após a minha. Ficamos em um silêncio mortal. Eu não quero falar nada com ele. Eu sei que vou explodir a qualquer momento se eu falar algo. Passado horas vejo meus pais chegando. Mamae corre para me abraçar e fala no meu ouvido que eu estou muito magra. Que eu preciso me alimentar. Meu pai cumprimentar Christian e depois me abraça. Christian cumprimenta minha mãe que não faz muita questão de cumprimentá-lo. Mas ela o faz. Ficamos conversando e meus pais queriam ver e conhecer a neta. Saio com eles e vamos pedir a Dra Grace. Pedimos a enfermeira para chama a Dra e ela pede para nós esperarmos. Ficamos uns cinco minutos e a Dra aparece. Eu já solto logo.
-Como minha filha está Dra Grace?
-Ainda na mesma Ana. Como vai Carla? Ray? Ela cumprimenta meus pais.
-Estamos indo. Com toda essa situação, queremos ver nossa neta. É possível? Papai pede.
-Sim, vou deixar por cinco minutos. Podem entrar e do lado tem umas roupas que necessita ser colocada. Grace fala sendo muito simpática.
Entramos e vestimos a roupa. Entramos na incubadora e minha filha está lá imóvel, meus olhos enchem de lágrimas. Mamãe e papai ficam admirando ela. Ficamos os cinco minutos e saímos. Eu não queria me afastar dela. Mas sei que ela está sendo bem cuidada. Voltamos para sala de espera. Meu pai fala que terá que voltar por causa do trabalho. Eu o abraço e agradeço por tudo que eles têm feito por mim. Levo eles até lá fora e mamãe me diz que vai procurar um lugar para ficarmos.
Passa-se dois dias e Eliot, Kate e Sr Grey aparece no hospital. Eliot vem até a mim e me abraça e questiona se eu estou bem. Digo que estou indo. Kate também me abraça. Eliot me questiona porque não liguei para ele, poderia ter pedido ajuda para ele. Mas eu não respondo nada. Sr Grey me abraça e diz que sente muito. Eu digo que tudo bem. Eliot vai para o lado de Christian que não está com a cara nada boa. Mas eu nem quero saber porque. Derrepente Grace entra na sala com uma cara péssima. Meus olhos enchem de lágrimas. Não pode ser o que estou pensando. Chego na frente dela e questiono.
-Dra Grace, o que houve? Como está minha filha. Peço, antes mesmo dela falar algo.
Ela não diz nada. Começa a chorar compulsivamente. Não, meu coração gelou e me bateu uma tontura e não vi mais nada. Acordo em um quarto todo branco. Olho para o lado vejo minha mãe sentada em um sofá. Me lembro do que aconteceu e eu começo a chorar.
-Filha calma, você precisa descansar. Mamãe diz vindo até a mim, mas eu não quero saber de mim, eu quero saber da minha filha.
-O que houve com a minha filha mãe? Não menti para mim. Me diz a verdade. O que houve com meu bebê?
-Filha você tem que pensar em você também. Ela diz não respondendo a minha pergunta.
-Eu não quero saber de mim, eu quero saber da minha filha. Digo já levantando.
-Sua filha teve várias paradas cardíacas, ela está muito fraca. Mamãe diz.
-Eu vou vê-la. Eu quero vê-la. Calço meus tênis e me levanto rápido.
-Ana, você também não está bem. Você precisa relaxar. Mamãe diz vindo atrás de mim.
-Eu só vou relaxar quando minha filha tiver bem e em meus braços.
Sigo para recepção e peço para ver a minha filha. A recepcionista diz que irá chamar a médica responsável. Dra Grace aparece e me olha.
-Ana você tinha que está repousando. Você não está bem. Ela diz e eu nem escuto direito o que ela falou.
-Eu não quero saber de mim. Eu quero saber da minha filha, eu quero vê-la. Digo chorando.
-Calma. Ela está fraca. Não vou mentir para você que se não conseguimos o transplante logo, ela pode não resistir. Grace fala me fazendo ficar com o coração mais apertado.
-Posso vê-la? Questiono cruzando os braços.
-Sim, mas quero que você se acalme. Não é bom para ela perceber que você está assim. Ela diz e eu limpo meu rosto com as costas da mão, respiro fundo.
Espero alguns minutos e entro vestida na roupa especial. Ela está do mesmo jeito, mas está com mais aparelhos ligados a ela. Enfio a mão dentro do buraco da incubadora, pego suas mãozinhas. Começo a chorar e falar com ela.
-Meu amor, você tem que ser forte e voltar para mamãe. Mamãe quer muito ficar com você. Não me deixe, não deixe que eu tenha um vazio no meu coração e meus braços. Eu preciso de você. Eu quero você. Por favor lute pela sua vida, assim como a mamãe está lutando por você. Digo em meio ao choro.
Fico alisando suas mãozinhas e meu tempo acabou. Saio e Christian está parado na porta.
-Você tinha que está deitada. O médico está te procurando para falar da sua situação. Ele diz, mas eu não dou a mínima para ele. Minha mãe me olha e a hora que vou passar ele me segura. Escuta nossa filha precisa de você, então sugiro que você ouça o médico.
-Me larga. Eu não quero saber de mim, eu quero saber da minha filha. Ou você acha mesmo que eu me importo com a minha vida? Sem a minha filha eu não terei uma vida. Mas como você e sua mãe me acusou de negligente, deve passar pela sua cabeça que eu não estou nem aí para minha filha. Mas eu estou, então deixa a negligente em paz. Digo me soltando dele.
Não vejo nada em minha frente. Sigo para fora do hospital. Ando até chegar em uma igreja e tenho a impressão de está sendo seguida, olho para os lados e não vejo nada. Entro na igreja. Eu tenho que pedir, implorar a Deus para salvar a minha filha. Me sento. E começo a minha oração silenciosa. Pedindo a Deus para livrar minha filha dessa m*l, que a mesma possa passar por isso. Que ele me devolva a minha filha Sã e salva. Prometo que se minha filha se livrar eu farei de tudo para me dar bem com o pai dela. Fico conversando com Deus por horas, depois volto para o hospital, porém noto que estou realmente sendo seguida. Olho e vejo dois homens grandes, parecendo um armário me seguido. Não é possível que Christian colocou seus seguranças atrás de mim. Mas ele terá que tirar. Chego no hospital com muita raiva e já vou logo para sala de espera. Estão todos ali, mas eu nem me importo. Chego na frente de Christian e já começo a falar.
-Você tire esses seus cachorros atrás de mim. Digo firme e ele se levanta.
-Eu não vou tirar. Ele diz firme.
-Há não. O que você acha em Grey? Você acha que eu vou sair daqui e deixar minha filha com você? Com você que rejeitou a mesma?
-Ana calma. Pede Carrick.
-Calma nada. Eu não quero saber desses seus seguranças atrás de mim. Eu nunca deixaria minha filha com você. Falo com raiva.
-Ela não é só sua. Eu sou o pai dela. Ele diz e eu começo a rir e bater palma.
-Belo pai, que rejeitou ela antes mesmo dela nascer, belo pai, que não estava nem aí para ela quando ela precisou. Falo olhando com raiva para ele.
-Você afastou ela de mim, você se afastou de mim, antes mesmo que eu pudesse consertar as coisas com vocês.
-Eu acho melhor vocês discutirem no apto de vocês. Eliot diz e eu não estou nem aí. Eu não vou a lugar nenhum.
-Não Grey, quem afastou você de nós, foi você mesmo. Quais foram as sua palavras mesmo? Deixa eu lembrar quando eu contei a você sobre a gravidez. " Você vai estragar a minha vida" " Você fez isso de propósito" " Eu não quero ser pai", essas foram as suas palavras Grey, e agora você quer dar um de pai? Agora você quer ser um pai presente, um pai amoroso. Conta outra. Você não é pai de Phoebe, ela é só minha, porque você abdicou seu dever e direito de ser pai. E outra, eu não te procurei não foi por causa do seu dinheiro e nem nada relacionado a isso, mas sim porque suas palavras ficaram martelando em minha cabeça até hoje. E te falo mais, se minha filha morrer, você nunca mais me verá na sua frente. Eu juro que você querendo o divórcio ou não, você não me verá. Saio deixando ele lá e minha mãe vem atrás de mim.
Eu estou cansada. Cansada de tudo. Cansada de lutar, cansada de tentar ficar firme. Eu não aguento mais isso. Se não fosse por Phoebe, eu lavava as minhas mãos, para tudo. Fugia para ninguém nunca me encontrar.