Capítulo 19 – O Silêncio que Ela Deixou
Ponto de Vista de Kael
Cinco dias.
Fazia cinco dias desde a cerimônia.
Kael estava no campo de treinamento enfrentando quatro guerreiros ao mesmo tempo. Seus golpes eram rápidos e precisos, mas havia uma agressividade incomum em cada movimento.
Um após o outro, os guerreiros caíram derrotados.
Ninguém ousou falar.
Elias conhecia aquele comportamento.
Sempre que Kael estava incomodado, treinava até a exaustão.
— Chega por hoje, meu Alfa.
Kael limpou a lâmina da espada.
— Ainda não.
— Os homens não conseguem mais acompanhar seu ritmo.
Kael guardou a espada na bainha.
Naquele instante, seu lobo voltou a se agitar.
Desta vez...
Era diferente.
Não era dor.
Era um vazio.
Como se algo importante tivesse desaparecido.
Kael levou a mão ao peito.
Franziu a testa.
— Estranho...
Elias percebeu.
— O que aconteceu?
— Ela...
Kael parou de falar.
Nem queria pronunciar o nome.
Seu lobo rugiu.
"Ela não está mais aqui."
Kael apertou a mandíbula.
— Descubra onde está Lyra Valença.
Elias arregalou os olhos.
— Pensei que não quisesse mais ouvir esse nome.
— Apenas faça o que mandei.
Sem perder tempo, Elias deixou o campo.
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Duas horas depois...
Elias voltou ao escritório.
Seu rosto estava sério.
— Meu Alfa...
Kael continuou analisando alguns mapas.
— Fale.
— Lyra foi embora.
A pena parou sobre o pergaminho.
Pela primeira vez em dias, Kael levantou a cabeça imediatamente.
— Embora?
— Ninguém sabe exatamente quando.
Helena disse apenas que ela decidiu seguir seu próprio caminho.
Nem Maya sabe para onde ela foi.
O silêncio tomou conta do escritório.
O lobo de Kael soltou um uivo tão forte que sua cabeça latejou.
"Nós a perdemos."
Ele fechou os olhos por um segundo.
Respirou fundo.
Quando voltou a abri-los, sua expressão era a mesma de sempre.
Fria.
Controlada.
— Ela fez a escolha dela.
Elias o encarou.
— Tem certeza de que acredita nisso?
Kael desviou o olhar para a janela.
Lá fora, a alcateia seguia sua rotina.
Como se nada tivesse mudado.
Mas alguma coisa havia mudado.
Ele sentia.
O vínculo ainda existia.
Fraco.
Doloroso.
E cada quilômetro que Lyra se afastava parecia aumentar aquele vazio.
Mesmo assim...
Seu orgulho permaneceu intacto.
— Se ela encontrou outro lugar para viver...
Então é melhor para todos.
Elias não respondeu.
Sabia que aquelas palavras eram apenas uma armadura.
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No fim da tarde, uma criada anunciou uma visita.
— Meu Alfa, Lady Selene Blackthorn pede permissão para entrar.
Kael permaneceu alguns segundos em silêncio.
Lembrou-se da conversa que tivera com ela dias antes.
Uma Luna preparada.
Uma aliança política.
Sem vínculo.
Sem sentimentos.
Apenas dever.
— Mande-a entrar.
Selene entrou usando um elegante vestido azul-escuro.
Seu sorriso era discreto.
— Espero não estar interrompendo.
— Não está.
Ela percebeu imediatamente que havia algo diferente em Kael.
— Soube que a jovem deixou a alcateia.
Kael permaneceu impassível.
— A decisão dela não interfere na minha.
Selene aproximou-se da mesa.
— Então... talvez seja o momento de conversarmos sobre a proposta que fiz.
Kael permaneceu em silêncio.
Seu olhar voltou para a janela.
Por um instante...
A imagem de Lyra sorrindo na floresta atravessou sua mente.
Ele afastou a lembrança.
Virou-se novamente para Selene.
Sua voz saiu firme.
— Sente-se.
Vamos conversar.
Do lado de fora, porém, o vento começou a soprar com força sobre a Fortaleza Draven.
Como se a própria Deusa da Lua observasse aquela escolha...
E esperasse o momento certo para cobrar o preço do orgulho do Alfa Supremo.