capítulo 3

620 Palavras
A vila nunca estivera tão viva. Lyra e Maya permaneceram próximas à praça, observando o desfile dos visitantes. Passaram guerreiros de Frostclaw usando pesadas capas de pele para enfrentar o frio das montanhas. Em seguida vieram os representantes de Silvermoon, vestidos com túnicas claras bordadas com símbolos da lua. Por último, chegaram os silenciosos guerreiros de Shadowfang, que chamavam atenção por suas armaduras escuras e movimentos discretos. — Parece um sonho... — murmurou Maya. Lyra apenas sorriu. Era impossível não se impressionar. Enquanto isso, na Fortaleza Draven, os convidados eram conduzidos ao Grande Salão. O teto era sustentado por enormes pilares de pedra n***a esculpidos com imagens de antigos alfas. Grandes janelas deixavam entrar a luz da tarde, iluminando o brasão da família Draven no centro do piso. Kael caminhava entre os líderes das alcateias com a postura firme de quem nascera para comandar. Cada palavra era medida. Cada decisão era observada. Ao seu lado, Elias mantinha os olhos atentos a qualquer movimento suspeito. Os tempos eram de paz... mas uma paz frágil. --- Na vila, Helena terminou de atender um velho guerreiro que havia machucado o braço durante um treinamento. Assim que ele saiu, ela chamou Lyra. — Preciso que leve estas ervas para Nyra. Ela está preparando os óleos que serão usados na cerimônia. Lyra pegou a cesta. — Vou agora mesmo. — Posso ir? — perguntou Maya. Helena sorriu. — Claro. Mas não se atrasem. Hoje a fortaleza estará mais movimentada do que nunca. As duas seguiram pela estrada de pedra que levava ao alto da colina. Era raro que Lyra precisasse subir até a fortaleza. Normalmente, Nyra visitava sua casa. Enquanto caminhavam, a imponência da construção tornava-se ainda mais impressionante. As muralhas eram tão altas que pareciam tocar o céu. Guardas armados patrulhavam os portões sem desviar a atenção. No pátio externo, dezenas de cavalos descansavam depois da longa viagem. — Estou começando a ficar nervosa — confessou Maya. Lyra respirou fundo. — Também nunca estive tão perto da fortaleza. Assim que chegaram ao portão principal, dois guardas cruzaram as lanças. — Identifiquem-se. — Sou Lyra Valença. Trouxe ervas para a curandeira Nyra, a pedido de Helena. Um dos guardas reconheceu imediatamente o nome. — Helena Valença? A curandeira? Lyra assentiu. O homem abriu um pequeno sorriso. — Ela já salvou a vida do meu pai. Podem entrar. As duas atravessaram os enormes portões de ferro. Lyra olhava para tudo com curiosidade. O pátio era gigantesco. Havia jardins bem cuidados, fontes de água cristalina e estátuas dos antigos líderes da alcateia. Criados caminhavam apressados levando caixas, tecidos e alimentos para os preparativos da cerimônia. Maya aproximou-se da amiga e cochichou: — Acho que nunca vi tanta riqueza. Lyra concordou em silêncio. Naquele instante, no andar superior da fortaleza, Kael encerrava uma reunião com os alfas convidados. Ao sair da sala, caminhou pelo corredor principal acompanhado de Elias. Foi então que seu lobo voltou a se agitar. De forma inesperada. Tão intensa que ele parou de andar. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou Elias. Kael olhou pela janela que dava para o pátio interno. Lá embaixo, entre os criados e visitantes, uma jovem de cabelos castanho-escuros atravessava o jardim carregando uma cesta de ervas. Ele não conseguiu ver seu rosto. Apenas uma estranha sensação tomou conta de seu peito. Seu lobo parecia querer correr até ela. Kael franziu a testa. Nunca havia sentido algo assim. Respirou fundo, desviou o olhar da janela e continuou caminhando. Sem saber, acabara de ficar a poucos metros da mulher que mudaria sua vida para sempre. Enquanto isso, Lyra seguiu em direção à ala dos curandeiros, completamente alheia ao fato de que o destino começava a aproximar seus caminhos do Alfa Supremo.
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