Agatha e Castor

1043 Palavras
Agatha tomou um susto, levando a mão ao peito, quando estendia alguns panos de cama ao sol no varal, depois de ter havido uma leve chuva e de repente, atrás de um lençol surgia Castor com um sorriso largo de orelha a orelha. Ele riu dela estar espantada, a achando fofa pelos lábios entreabertos, os olhos azuis semicerrados e a respiração tensa. Era difícil pegá-la desprevenida. Era sempre séria e calculista. Então, foi um raro momento que guardaria na memória. O analisou e um suave sorriso de canto se formou nos lábios dela. Agatha não sabia ao certo o que sentia por ele, amor ou amizade, só sabia que gostava dele profundamente. Analisou o cabelo ruivo, quase calvo, mas ainda bonito e os olhos verdes intrigantes e travessos. Tinha um porte elegante e meio afeminado pela elegância. Sabia que ele podia ser c***l, mas ele sempre a demonstrou bondade. Castor parecia aprumado com trajes com uma casaca cara azul, brinco na orelha esquerda, calça de linho e botas pretas bem lustradas e de cano longo. Notou o presente caro na mão dele. Um tecido azul bem dobrado de seda que ela nunca teria condição de comprar. — Agatha, quero conversar sério com você. Agatha deixou os olhos azuis encontrarem os verdes dele, com temor e o estudou profundamente. Castor perdeu o foco com o olhar sempre frio dela, mas que o demonstrava a sua forma calor e cortesia. Sabia que ela era alguém bem avaliativa e racional. O coração dela bateu rápido, não como era com Lisa, mas bom o suficiente também. Saber que Castor havia salvado a vida de Lisa, deixou Agatha mais maleável ao sentimento tênue que já carregava em seu coração por ele. Primeiro se deitou com ele pelos presentes, mas depois ele… ele se tornou um bom amigo e ouvinte. E agora o tinha na sua mais alta estima, mesmo sabendo o quão facilmente ele trocava de lados para se beneficiar. — Obrigada por salvar, Li… Dinah. — As palavras dela saíram pela primeira vez sem muito ponderar antes. Castor nem acreditava ele mesmo que se colocou em risco riu charmoso, notando que sua única boa ação sem pensar, porque simpatizava com Lisa, sem querer conquistou o respeito dificílimo de Agatha . Castor salvou Lisa porque a considerava amiga dele. Ele coçou a nuca, tomando cuidado com o tecido caríssimo importado do reino da seda. Nem ele sabia que tinha algum caráter restante dentro de si. —- A senhorita nunca mais olharia na minha cara se eu não o fizesse. E nada tenho contra Lisa, a não ser uma rivalidade no amor. Ela é uma das poucas pessoas que considero uma amiga de verdade e isso é só porque sei que ela tem o seu coração inalcançável. — argumentou Castor. — Ela não é sua rival. — Respondeu Agatha suave e sincera, continuando a passar os lençóis no varal e estendê-los ao sol. — Só é curiosa sobre mulheres. Ela nem se dá conta de que se atrai por mulheres e ela ama o i****a bronco do Desmond. Castor sabia como a sinceridade de Agatha era desconcertante, por isso, a amava. — Seus olhos me dizem o contrário, Agatha, quanto a Lisa ser minha rival ou não. — argumentou cuidadoso. A menina de belos olhos azuis corou, mas sorriu resignada. — Nunca menti a você sobre nada. Ela tem o favor do rei agora, querido. E o rei a compreende. Era só isso o que eu queria para ela, alguém que a entendesse e pudesse cuidar dela como eu cuido. — Respondeu o cedendo uma camada delicada de si mesma que ele sabia que era quando necessitava de afeto. — Eu soube. Todos comentam sobre o rei e a nova serva que ele paparica. — Castor comentou suave. Estendeu o tecido a ela. — nem eu esperava que ele se interessasse nela. O rei é um pouco estranho. Mas eu até gosto dele. Cresceu do nada e mesmo tendo conquistado respeito pelo medo, ainda se fez de um reles bastardo aberração, ao monstro que todos os reinos temem. Contudo, ele só se vingou dos que fizeram a aliança contra Luster. Deixou em paz os que se mantiveram neutros na conquista. Agatha aceitou o presente e o estudou e depois avaliou ao tecido. Os olhos dela se arregalaram.. — É caro. 10 moedas de ouro, Castor. Perdeu o Juízo? Por que um tecido desses…— exigiu ela. — É para seu vestido de casamento… é um pedido de casamento… Você poderia continuar a servir Lisa, claro. Eu nunca iria ousar te separar dela. Como poderia? Mas eu quero me casar com você e podemos viver aqui no palácio. Eu vou falar com o Desmond, mas queria pedir a você primeiro… Agatha foi até ele e o beijou na bochecha, meigamente. Depois roçou o nariz no dele e tocou o rosto dele com a palma da mão e selou os lábios nos dele. — Aceito. — Respondeu Agatha, comovida, que ele foi até ela primeiro e não até Desmond como a tradição exigia como se ela fosse algo a ser comprado. Castor era desumano com os servos, mas a respeitava tanto que Agatha não conseguia negar nada a ele. Castor sorriu aliviado para a moça e tombou o rosto no ombro dela, feliz . Assentiu com a cabeça, sem jeito e com os olhos verdes emotivos. Agatha selou os lábios nos dele. — Obrigada por amar alguém difícil como eu. — Disse Agatha, carinhosa. — Seu coração é puro. Sua alma é nobre. Eu é que agradeço por dar uma chance a alguém como eu. — Respondeu Castor a ela, com lágrimas nos olhos. — Eu que agradeço por poder amar, mesmo que seja um pouco alguém traiçoeiro como eu. Agatha o abraçou mais forte e negou com a cabeça. — Você salvou sua amiga se colocando em risco. — Respondeu Agatha sem ar e sabendo como era contra a natureza dele proteger alguém que não fosse a si mesmo. — Eu não te amo como amo Lisa, verdade, mas eu te amo profundamente também, querido. Eu entendo cada ação sua que parece egoísta aos outros. Sei que só quer sobreviver e que ninguém mais tenha o poder sobre você.
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