Minha gata

1280 Palavras
Anne arregalou os olhos. Elas iam… elas iam raspar a cabeça dela? Antes que ela pudesse perguntar ou reagir, duas das mulheres seguraram ela e a arrastaram para um dos becos e logo, pra dentro de alguma das casas. — Não! Eu não estou com o seu namorado nem nada! — Anne disse. Ela não conseguia nem lembrar o que exatamente a mulher havia dito antes. — Ah, não? Tú foi para casa com ele, c*****o! Não banca a inocente não , ô, Princesinha! — Você tá falando daquele tal… como é… Fortão? — Anne perguntou. A mulher segurou o cabelo de Anne pela nuca, bem perto do escalpo, arrancando um grito da moça. — Eu vou arrancar esses teus cabelo e rasgar tua cara, p*****a! Anne ouviu o som da máquina e se desesperou. Ela não era lá muito apegada ao cabelo dela, no entanto, ela sabia que ali na comunidade a mulher que aparecia com a cabeça raspada daquele jeito, ficava marcada. — Por favor, não! Eu… eu não fiz nada com ele. Eu tava bêbada e eu acordei de roupa e tudo! — Num interessa! Ele tá de olho em tú. Então, vô acaba com as tuas fuça! A porta do barraco abriu com tudo, fazendo o maior barulho. — Que c*****o é esse aqui? — Um homem perguntou esbravejando e as mulheres soltaram um grito, menos a que segurava os cabelos de Anne. — Se mete aqui não, ô Morcegão! Essa quenga tá de s*******m c*m a minha cara e eu vô dá uma lição nela! — Késia, tú solta ela ou o Fortão te come na porrada — O tal Morcegão disse — Ordi dele. Solta ela ou ele te arrasa! Anne foi jogada longe. — Pega essa p*****a e mantém ela longe das minha vista! — Anne olhou pra mulher e esta apontou o dedo na direção de Anne — Se eu te vê de novo perto do meu homem, eu te quebro! As mulheres saíram e Anne estava no chão, chorando, com o couro cabeludo doendo horrores. — O-obrigada — Ela falou, se levantando e limpando a roupa. — Tem nada não. Eu tô aqui seguindo ordi. Anne olhou para o homem, que era magro, mas malhado. O cabelo bem cortado, sem camisa, uma arma na cintura. — De todo jeito, obrigada — Anne passou pela porta e foi para o ponto de ônibus. Ao chegar no trabalho, o chefe dela levou um susto. — Que que é isso, ô Anne? Foi atropelada? — Quase — ela choramingou — Umas mulheres ficaram com raiva de mim porque a namorada de uma ficou interessado em mim e aí ela ia me machucar. O chefe, o Sr. Pereira, balançou a cabeça de um lado pro outro. — Caramba! Essa vida na comunidade é difícil. Eu já morei, sei como é. — Eu nem sei como eu vou ter coragem de voltar pra lá! — Anne disse. — Seguinte, Anne, toma uma água, respira fundo e se prepara pro trabalho. Mas se você precisar das um tempo de vez em quando, só avisar, tudo bem? — Obrigada, Sr. Pereira! — Nada, nada. O Sr. Pereira era um homem baixo, de cabelos escuros e um pouco cheinho. Ele era sempre muito educado e tentava compreender os funcionários. Anne gostava muito dele. Ela bebeu água, se acalmou e foi para a luta, porque as lágrimas não pagariam as contas dela. Ao final do expediente, ela foi para casa, se tremendo de medo de encontrar com a tal Késia. Para a sorte dela, a mulher não estava em nenhum lugar onde pudesse ser vista. Anne andou rápido até em casa e trancou a porta. Depois de tomar banho, ela resolveu assistir Netflix. Ela dividia a senha com a Gabriela. Quando encontrou qual filme iria assistir, alguém bateu na porta dela. Anne estava de pijamas e pegou o roupão e colocou por cima. A porta obviamente não tinha olho-mágico. — Quem é? Ela tinha medo que a mulher de mais cedo tivesse seguido ela. — É o Morcegão! — o homem que a salvou de Késia. Anne abriu a porta, incerta e olhou em volta — O patrão qué falá com tú. — O patrão? — Fortão, Princesinha. Ele disse pra tú ih lá falá c*m ele. Vem cumigo que eu ti levo. — Hmmm, certo. Deixa só eu colocar uma roupa, ok? Eu já venho. Ele fez sinal de ok com o dedo e ela fechou a porta. “O que raios esse homem quer comigo? Ele já me causou muitos problemas!” Ela optou por uma calça jeans e uma blusa de manga 3/4 . O cabelo preso em um r**o-de-cavalo. Ela estava bem decente. — Prontinho — ela falou para o tal Morcegão que nem a olhava direito. Quando o Fortão resolvia que queria uma mulher, ninguém podia olhar pra ela. Anne caminhou logo atrás de Morcegão, olhando em volta, com medo. — Relaxa, Princesinha. A Késia num vai te encher mais, não! — Obrigada! — Ela agradeceu, mas o homem soltou uma bufada de riso. —Eu num tenho nada a vê c*m isso, não. Agradece o pai. O ‘pai’ ela compreendeu que devia se tratar do próprio Fortão. Assim que chegaram ao “barraco” dele, Anne ficou de queixo caído. Ali, no meio da comunidade, tinha uma casa que podia ser considerada de luxo. Claro, não era nada perto das mansões que ela estava acostumada a ver, mas ainda assim, para os padrões do local… Ela entrou pela porta que Morcegão abriu para ela e foi caminhando atrás do mesmo, até chegar na sala. Fortão estava sentado numa mesa, jogando cartas com uns outros homens. As armas estavam a um canto e ela estremeceu. Anne tinha pavor daquelas armas. Fortão se levantou, com um sorriso no rosto. Ele estava sem camisa e Anne pode perceber que ele tinha tatuagens, porém, ela não encarou. Pelo contrário, ela desviou o olhar para baixo. — A minha Princesinha chegou! — Ele disse, abrindo os braços. Ele chegou perto de Anne e a abraçou. Ela levou um susto, e também, estremeceu ante o toque dele. Não de medo, exatamente. — Você… você pediu que eu viesse. Em que eu posso ajudar? — Ela perguntou, séria. Ele olhou pra ela sem entender e riu. Os outros riram junto, mas ele olhou para eles, mandando que se calassem. — Eu só queria vê a minha gata! Num posso? Anne olhou em volta e depois, para ele. — Ah, você se importa se conversarmos bem ali? — Ela indicou um canto, visível aos outros, porém, mais afastado. Os outros homens se levantaram, a fim de dar privacidade aos dois — Não, não pre… — Deixa eles ir — Fortão se despediu dos homens com batidas nas mãos e tapas nas costas “valeu!”, “já é, irmão!” — Pronto, gata. Ele segurou Anne pela cintura e ela seria uma mentirosa se dissesse que não se sentiu balançada, porém, ela tinha que se concentrar. — Eu não estou entendendo o que está havendo? — Eu adoro que tú fala tudo certinho — Ele brincou e aproximou o rosto do dela — É bonito pra caramba. — Olha só … — Ela colocou a mão no peito dele e logo se arrependeu. Ele estava desnudo, ali! Por isso, ela retirou as mãos — Eu não estou com você… tipo um casal. Eu realmente não sei o que está acontecendo. Ele passou a língua pelos lábios e sorriu pra ela, com jeito safado. — Deixa eu te mostrá o que tá rolando. Ele puxou Anne pra ele e a beijou.
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