Ricardo Vargas

1475 Palavras
Leila me olhou com os olhos marejados, buscando em meu rosto alguma confirmação de minhas palavras. A fragilidade em seu olhar apertou meu coração. Eu realmente queria protegê-la, mas a realidade era que a situação era perigosa e imprevisível. — O que vamos fazer? — perguntou ela, a voz quase um sussurro. — Por enquanto, você fica aqui — respondi, com firmeza. — Não saia por nada. Eu vou reforçar a segurança. Já pedi informações para um colega e vamos ficar atentos. Se ele aparecer por aqui, chame a polícia imediatamente. — Mas… e você? — perguntou Leila, com a voz trêmula. — Você pode se machucar. — Eu sou um policial, Leila — respondi, tentando transmitir confiança. — É meu trabalho proteger as pessoas. E eu vou proteger você. Ela assentiu lentamente, ainda com os olhos fixos em mim. Um silêncio pesado se instalou entre nós. A tensão era palpável. Eu sabia que precisava fazer mais do que apenas palavras. Precisava agir. — Vou verificar as fechaduras e as janelas — disse, quebrando o silêncio. — E vou ligar para a portaria do prédio, avisando para não deixar ninguém subir sem minha autorização. Comecei a inspecionar as janelas, certificando-me de que estavam bem trancadas. Verifiquei a fechadura da porta principal e a corrente de segurança. Cada pequeno detalhe me parecia crucial. Enquanto eu verificava a segurança do apartamento, Leila permaneceu na cozinha, observando-me com uma expressão preocupada. Senti seu olhar sobre mim e isso me deixou ainda mais determinado a garantir sua segurança. Após inspecionar tudo, peguei meu celular e liguei para a portaria do prédio. Avisei ao porteiro sobre a situação e pedi que não permitisse a entrada de nenhum visitante sem minha prévia autorização, especialmente um homem chamado Ricardo Vargas. O porteiro, um senhor chamado José, se mostrou compreensivo e garantiu que seguiria minhas instruções à risca. — Pronto — disse, guardando o celular no bolso. — Avisei a portaria. Ninguém entra aqui sem minha permissão. Leila se aproximou de mim, com os olhos ainda cheios de preocupação. — Obrigada, Henry — disse ela, com a voz baixa. — Você está sendo muito bom para mim. — Não precisa agradecer — respondi, colocando minha mão em seu ombro. — É o mínimo que posso fazer. Naquele momento, senti uma forte necessidade de protegê-la, não apenas como um policial cumprindo seu dever, mas como um homem preocupado com o bem-estar de outra pessoa. A situação era delicada, mas eu estava determinado a fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para garantir a segurança de Leila. — Acho melhor você ficar longe da janela — sugeri. — Pelo menos por enquanto. Leila assentiu e se afastou da janela, sentando-se no sofá. A tensão continuava presente, mas havia também uma sensação de que estávamos juntos nessa. Eu faria o possível para protegê-la, e ela confiava em mim. Essa confiança, mesmo em meio àquela situação difícil, me dava forças para continuar. O resto do dia transcorreu em uma tensa calmaria. Leila permaneceu dentro do apartamento, evitando as janelas e mantendo-se próxima a mim. Tentei distraí-la com conversas amenas, falando sobre coisas banais, filmes, livros, qualquer coisa que pudesse desviar sua mente da situação. Ela se esforçava para corresponder, mas era evidente que a apreensão a consumia por dentro. Eu, por outro lado, me mantinha em constante estado de alerta. A cada barulho na rua, a cada toque de campainha de outro apartamento, meu coração acelerava. A imagem de Ricardo Vargas rondava meus pensamentos, e a responsabilidade de proteger Leila pesava sobre meus ombros. À noite, preparei um jantar simples para nós dois. Comemos em silêncio, a atmosfera carregada pela tensão. Após a refeição, lavei a louça enquanto Leila assistia a um programa qualquer na televisão, com o volume baixo. — Acho melhor você dormir no meu quarto hoje — sugeri, enquanto secava as mãos. — O sofá não é muito confortável, e lá é mais seguro. Leila me olhou com surpresa. — Mas… e você? — perguntou. — Eu fico no sofá — respondi, dando de ombros. — Não se preocupe comigo. O importante é que você descanse bem. Ela hesitou por um momento, mas acabou concordando. Preparei a cama para ela e arrumei o sofá para mim. Antes de nos recolhermos, verifiquei mais uma vez as trancas e as janelas. — Boa noite, Leila — disse, da porta do quarto. — Boa noite, Henry — respondeu ela, com um sorriso fraco. — Obrigada por tudo. Deitei no sofá, mas o sono demorou a chegar. A preocupação com Leila e a constante vigilância me mantinham acordado. A cada ruído, eu me levantava e ia até a porta, checando se tudo estava em ordem. No meio da noite, acordei com um barulho alto vindo da rua. Sentei-me no sofá em um sobressalto, o coração batendo forte. Olhei pela janela e vi um carro da polícia parado em frente ao prédio. Desci correndo as escadas e encontrei dois policiais conversando com o porteiro, José. — O que está acontecendo? — perguntei, aproximando-me. — Recebemos uma denúncia de perturbação do sossego aqui no prédio — respondeu um dos policiais. — Algum problema, senhor? — Não, não — respondi, tentando disfarçar o nervosismo. — Só me assustei com a sirene. Os policiais conversaram mais um pouco com José e depois foram embora. Voltei para o meu apartamento, aliviado por não ser nada relacionado a Ricardo. Mas o incidente me deixou ainda mais tenso. A qualquer momento, ele poderia aparecer. Na manhã seguinte, acordei exausto. A noite m*l dormida e a constante tensão me deixaram esgotado. Leila já estava acordada e preparava o café. — Bom dia — disse ela, com um sorriso gentil. — Dormiu bem? — Mais ou menos — respondi, bocejando. — E você? — Consegui dormir algumas horas — respondeu ela. — Obrigada por me ceder seu quarto. Tomei café com Leila, tentando manter uma conversa leve, mas a apreensão pairava sobre nós como uma nuvem escura. Sabíamos que a qualquer momento a situação poderia mudar. E estávamos certos. A campainha tocou. Um toque insistente e ameaçador. Meu coração gelou. Era ele. O som da campainha ecoou pelo apartamento, cortando o silêncio matinal como uma faca. Um toque insistente, impaciente, carregado de uma ameaça implícita. Meu coração disparou no peito, um frio percorrendo minha espinha. Olhei para Leila, que estava parada na cozinha, com os olhos arregalados e as mãos tremendo. Ela sabia, assim como eu, quem estava do outro lado da porta. — Fique atrás de mim — sussurrei para ela, colocando-me entre ela e a porta. Respirei fundo, tentando controlar a adrenalina que corria em minhas veias. Precisava manter a calma, agir com profissionalismo. Olhei pelo olho mágico e vi Ricardo Vargas parado no corredor, com uma expressão furiosa no rosto. Ele batia o pé impacientemente e olhava para os lados, como se estivesse procurando por algo ou alguém. — O que vamos fazer? — sussurrou Leila, agarrando meu braço. — Vou conversar com ele — respondi, com a voz firme, tentando transmitir confiança. — Fique calma. Destranquei a porta e abri uma fresta, mantendo a corrente de segurança. — Pois não? — perguntei, com a voz neutra. Ricardo me encarou com raiva, seus olhos faiscando de ódio. — Cadê ela? — perguntou, com a voz carregada de agressividade. — Ela quem? — perguntei, fingindo desentendimento. — Não se faça de i****a! — gritou Ricardo, tentando forçar a porta. — A Leila! Eu sei que ela está aí dentro! — Não sei do que você está falando — respondi, mantendo a calma. — Este é o meu apartamento. — Eu sei que ela está aí! — insistiu Ricardo, batendo na porta com força. — Abre essa porta agora! — Se você não se afastar da minha porta, vou chamar a polícia — avisei, com a voz firme. Ricardo riu sarcasticamente. — A polícia? — debochou. — Você acha que tenho medo da polícia? Naquele momento, percebi que a conversa não levaria a lugar nenhum. Ricardo estava descontrolado, cego pela raiva. Precisava agir rápido. — Leila, ligue para a polícia! — gritei, sem tirar os olhos de Ricardo. Ouvir minha voz fez com que Ricardo se enfurecesse ainda mais. Ele começou a chutar a porta com força, tentando arrombá-la. A corrente de segurança rangeu, ameaçando se romper. — Abre essa porta! — gritava Ricardo, entre os chutes. — Ou eu vou arrombar! A situação estava ficando perigosa. Precisava agir antes que ele conseguisse entrar. Peguei minha arma, que estava na cintura, e a apontei para o chão, mantendo-a escondida atrás da porta. — Se você der mais um passo, vou atirar — avisei, com a voz fria e firme. Ricardo parou de chutar a porta e me encarou com os olhos arregalados. Ele viu a arma e pareceu finalmente entender que eu não estava blefando.
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