Não conseguia sonhar com nada a uns bons anos, não me lembro quando parei de sonhar porém simplesmente parei, talvez fosse culpa da pequena quantidade de sangue vampírico em minha veias entretanto meu pai sonhava com minha mãe então suponho que seja um problema comigo e não com meus genes. Às vezes me pergunto se não conseguir sonhar significa que estou vazia por dentro.
Aproveitava cada segundo colada a minha cama, com uma esperança de sonhar que se escondia no fundo de meu peito, estava frio ainda que minha pele não deixasse-me sentir de fato a temperatura meu corpo era como um tanque de guerra feito para ser uma poderosa arma de ataque e defesa, sobreviver a condições extremas não era um problema para mim.
Não precisava de fato dormir, porém era agradável de se fazer, então fazia, assim como comer tanto comidas humanas, meu corpo não precisava porém eu fazia por prazer.
A voz grutal preencheu o quarto, a guitarra e o baixo misturavam-se tornando-me mais desperta, ao menos o suficiente para lançar um olhar irritado para o aparelho que se encontrava sobre minha cabeceira vibrando e brilhando para alertar a chamada que recebia e bastou um erguer de mãos para que o celular voasse para minha mão, ainda que o sangue de bruxo em minhas veias fosse parcialmente adormecido ainda conseguia fazer coisas simples como telecinese ainda que não conseguisse levitar algo mais pesado que um livro.
Com o celular em mãos, observei o nome de meu irmão brilhando na tela brilhosa antes de voltar a fechar os olhos e grunhir perguntando-me internamente o motivo de sua ligação enquanto repousava o telefone ao lado de minha cabeça arrastando o dedo para o lado com mais intensidade do que realmente necessitava, meu corpo agora sem a batida da música voltava a amolecer.
— Faz tempo que não liga— Resmungo, minha voz estava rouca e arrastada denunciando o que estava fazendo, ainda que duvidasse que meu irmão se atentasse a um detalhe tão pequeno.
— Preciso dum favor seu. — Ele vai direto ao assunto, exatamente como eu gostava, sem qualquer tipo de enrolação, ainda que fosse algo Francis me pedir algo como um favor sabia que ele se sentia estranho sobre ter muita i********e comigo já que não compartilhamos o mesmo sangue o que não era um problema para mim, entretanto ele sempre ficava tenso quando algo se referia a mim.
— Pode falar. — Murmurei encolhendo-me debaixo de meus lençóis desejando poder sentir frio para aproveitar ao máximo aquela sensação.
— Preciso que venha traduzir algo. — Ele revolveu com a voz rouca antes de limpar a garganta tentando voltar a seu tom normal. — Um livro de bruxas grego, pode vir? por favor?. — A súplica em seu tom me deixa desconfortável, ele poderia não me considerar sua irmã, porém ele querendo ou não nos havíamos crescido juntos e compartilhado boa parte de nossa infância. Não queria precisar enfrentar aquela m***a, parecia desconfortável ficar em seu entorno enquanto ele me tratava como uma desconhecida enquanto para mim ele era família.
— Não. — ‘Não’ era algo forte que eu sabia não poder sustentar, porém que faria ele mudar sua tática de abordagem, ao menos se ele quisesse realmente minha ajuda. Ouço seu suspiro do outro lado da linha.
— Lembra que eu disse para a mãe que você está morando comigo após a m***a que você aprontou?. — Ele me chantageia arrancando-me um sorriso, agora sim ele parecia um irmão.
Limpo a garganta na tentativa de não deixar minha melhora de humor transparecer.
— Hm… —
Algo como irmãos era algo que eu desejava, porém não era seguro ter considerando que para subir no trono eles poderiam tentar me assassinar e Francis não tendo meu sangue o limitava sobre sua posição na "família real” ele poderia ser um príncipe porém não tinha direito ao trono, seus filhos não seriam da realeza assim como sua futura esposa ou seja sem ameaças a minha vida ou linhagem porém para minha infelicidade Francis estava sempre tenso ao meu redor.
— Ótimo, vou mandar arrumar um quarto para você— Pela primeira vez, posso ouvir a animação em sua voz.
— Não se dê ao trabalho, vou alugar uma casa. — Murmurou girando em minha cama, duvidava muito que francis aprovasse meu estilo de vida enquanto estou longe da realeza, afinal, não era apropriado para uma futura rainha que deveria ser a pacificadora entre todos as espécies uma pessoa calma e sabia o que eu certamente não era.
Ouço um xingamento que quase me faz sorrir e um sentimento agradável me consumir. Desligando a chamada antes de sua resposta finalmente abro os olhos apenas para observar meu teto de madeira branca, estava na hora de ir pagar minha dívida.
...
Assim que estacionei meu carro na frente da mansão a primeira pessoa que vejo é Francis com as mãos para trás do corpo enquanto me esperava de forma respeitosa, ao seu lado alguns rostos desconhecidos que julguei ser de sua alcateia. Ajustando meu óculos escuro e penteando o cabelo com os dedos suspirei, eles estavam seguindo o código social para receber a princesa eles inclinando-se em respeito, mesmo Francis estava de cabeça baixa quando ele não era obrigado a fazer nada além de uma simples saudação. Apertei os lábios em uma linha fina e saí do carro batendo a porta com força.
— Glória ao pacificador. —
— Então, onde está o livro? - Pergunto indo direto ao assunto, ainda não era a maldita rainha então não precisava de toda aquela m***a, não entre família.
Trocando o apoio de uma perna para outra cruzei meus braços observando as cabeças começaram a se erguer em minha direção.
— Bom ver você irmã. — saluda ainda sem se aproximar então faço o mesmo, observando abrir um sorriso de covinhas radiante em minha direção. — Ele está em outra alcateia no momento. — Suspirou relaxando os músculos e levando as mãos ao rosto o esfregando algumas vezes claramente frustrado com algo. Quando suas mãos abaixam-se na lateral de seu corpo, seus olhos se focam em meu rosto pela primeira vez — Criamos uma aliança a eles contra os vampiros do lucas. — Vampiros de lucas? Quis rir, Francis estava realmente se metendo na bosta.
…
A floresta fazia-me sentir mais conectada com meus genes lupinos, o qual era o mais presente em meu ser, ao menos até que me tornasse rainha, porém aquela floresta estranhamente fazia-me sentir mais conectada com essa parte de mim.
Sem pensar nas roupas que estava vestindo, me transformo em uma loba e castanha meio vermelha de olhos vermelhos de alfa. No momento em que me transformo sinto meus sentidos se apurarem e um cheiro invade meu corpo marcando cada célula presente em meu corpo. seguindo o cheiro sem pensar muito não demora muito e esbarro com lobo da minha altura todo preto com as patas brancas, cauda, e orelhas, olhos vermelhos de alfa, meu companheiro.
Porém antes de me aproximar um ruivo familiar me chama atenção, meu irmão estava pedindo ajuda, sem pensar duas vezes viro meu enorme corpo e corro em direção ao meu irmão não poderia abandoná-lo nem em um milhão de anos! Corro o tanto que posso em uma mistura de corrida vampírica com lupina em uma tentativa de ir mais rápido que qualquer outro ser vivo, no momento que chego em sua casa vejo um vampiro em cima de francis e outros dois decapitado, pulo no vampiro e com as minhas garras arranco a cabeça do vampiro num só golpe o matando.
— Você está bem? — Pergunto observando meu irmão deitado no chão enquanto respirava com dificuldade.
— Eles estão na outra alcateia. — Murmura com dificuldade limpando o suor de seu rosto
— Vem, você tá com uma cara h******l. —
...
- — Não posso ficar mais! — Rosno irritada cravando minhas garras contra a cadeira de madeira na qual me apoiava.
— Você disse que ficaria para traduzir o livro. — Rebate.Fran não queria me deixar ir para voltar apenas quando o livro estivesse em suas mãos. Não queria encontrar meu companheiro, algo como almas gemeas sempre me pareceu i****a, mesmo apos encontra-lo ainda me aprecia i****a— Por favor, Lilian, eu preciso proteger eles, você quer ter o peso de vinte pessoas mortas na cabeça? o que sua mãe diria? — Implora me arrancando um rosnado do fundo de minha garganta.
— Você é um grande.— Murmuro ao sentir ele atacando justamente meu ponto fraco.
…
City Wolves, tão clichê que chega a ser surpreendente. Com os pés apoiados no painel do carro enquanto folheio uma revista p***o que achei na casa de Francis - revista que ele jurou não ser sua - as mulheres eram lindas porém as posições e as fotos me passavam um ar de ridículo que transformava a revista em algo engraçado aos meus olhos.
— Típico— Murmuro Francis rir. Folheando a revista me distraio até que o carro para e eu sinto um grande desânimo me preencher, mesmo a revista parecia mais interessante que me envolver em uma briga entre vampiros e Lobos.
— Vocês de são… — observo seu olhar avaliativo para nós dois. — o alfa da outra alcateia e a tradutora do livro, é um prazer, eu sou Luana . — Ela se apresenta quando finalmente parar de avaliarmos, seus cachos vermelhos eram o que mais chamaram minha atenção conforme ela falava eles balançavam e balançavam. — O alfa espera vocês em sua sala. — ela nos leva até uma sala e eu sinto aquele cheiro de imediato, cheiro que vai ficando mais forte até que ela abre a porta e o cheiro está em tudo. m***a.
— jax, está e lilian ela que vai traduzir o livro. — Gus apresenta-me enquanto repousa uma mão em meu ombro e jax rosna quando Francis toca no meu ombro.
— Minha.
Já não gosto dele. Torço meu nariz, quem ele acha que é? Meu corpo treme respondendo ao seu rosnado enquanto minha sanidade o rejeita a todo custo.