humilhação

713 Palavras
Ponto de Vista de Ellen O som de vozes masculinas ecoou no corredor. Passos firmes, confiantes. O som de sapatos de couro legítimo que custavam mais do que eu ganhava em um ano. Meu coração disparou, batendo contra as costelas como um animal enjaulado. A porta se abriu com um estrondo. — ...e eu disse a ele que, se os números não subirem até sexta, ele está fora — a voz de Ethan preencheu o ambiente, carregada de uma arrogância gélida. Ele entrou acompanhado de um amigo, um homem que ria de alguma piada interna. Eu abaixei a cabeça, deixando meu cabelo cair sobre o rosto, rezando para que eu fosse apenas parte da mobília. Mas a sorte nunca esteve do meu lado. O silêncio que se seguiu foi súbito e cortante. O riso do amigo morreu. Senti o olhar de Ethan queimar o topo da minha cabeça. — Mas o que é isso? — A voz dele não era a de um amante. Era um chicote. Levantei os olhos lentamente, e o medo que senti foi paralisante. Ethan estava parado a poucos metros, os olhos faiscando de uma fúria desproporcional. Ele parecia enojado, como se minha presença ali poluísse o ar purificado do seu escritório. — O que você está fazendo aqui? — ele berrou. O volume da voz dele fez meus ombros encolherem instintivamente. — L-limpando, senhor... — respondi, minha voz falhando, m*l saindo como um sussurro. Minhas mãos, protegidas por luvas de borracha baratas, tremiam visivelmente sobre o pano úmido. — Limpando? — Ele deu um passo à frente, e o amigo apenas observava com um sorriso sarcástico no rosto, o que tornava tudo dez vezes pior. — Olhe para este lugar. Você está espalhando sujeira, não limpando! Quem deu permissão para uma... uma imundície dessas entrar aqui enquanto eu recebo visitas? A humilhação subiu pelo meu pescoço, quente e amarga. Ele me olhava como se eu fosse um inseto sob sua bota. Não havia nenhum traço de reconhecimento nos olhos dele sobre a noite passada, ou se havia, ele o mascarava com um ódio visceral. Para ele, eu não era a mulher da máscara; eu era apenas a "faxineira" que ousava existir no seu campo de visão. — Me desculpe, senhor, eu já estava terminando... — tentei dizer, juntando minhas coisas com pressa. — Saia daqui agora! — ele gritou de novo, e o som reverberou pelas paredes, fazendo meus ouvidos zumbirem. — Eu não quero ninguém no meu escritório! Especialmente gente como você, que nem consegue olhar nos olhos para falar! Fora! Ele apontou para a porta com um gesto brusco e violento. O amigo soltou uma risadinha baixa, comentando algo sobre "o nível da contratação hoje em dia". Aquelas palavras foram como facas. "Gente como você". "Imundície". As lágrimas, que eu tentava tanto segurar, transbordaram, quentes e pesadas, manchando o meu uniforme surrado. Eu me sentia pequena, suja e completamente destruída. O homem que me abraçou com tanta urgência horas antes agora me chutava como se eu fosse lixo. Peguei o balde de qualquer jeito, a água derramando um pouco no chão que eu tanto me esforcei para brilhar, e saí correndo. Meus sapatos velhos faziam um barulho úmido no corredor enquanto eu fugia daquela sala, fugia do olhar dele, fugia da minha própria realidade. Entrei no elevador de serviço e desabei. O soluçou escapou do meu peito, dolorido e sufocado. Eu queria desaparecer. Queria que o chão me engolisse. Mas, acima de tudo, eu sentia o peso da tatuagem de lobo gravada na minha memória. Ethan não era um príncipe. Ele era o monstro que os contos de fadas esqueceram de avisar que realmente existia. E o pior de tudo? Eu ainda dependia do emprego dele para dar de comer à minha filha. A crueldade dele não tinha limites, e eu acabara de me tornar o seu alvo favorito. Sair do elevador chorando e esbarrei em dona Marta que me olhou assustada e diz. — O que aconteceu menina? — O senhor Ethan me expulsou do seu escritório, falo entre lágrimas. Ela me abraça forte e diz. — Estes ricos são assim mesmo, quando estão de mau humor desconta na gente. — Se eu não tivesse uma filha pequena para sustentar nunca mais pisava neste lugar.
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