Capítulo 6
Ponto de Vista de Ethan wood
Meu nome é Ethan Wood.
Tenho trinta anos.
Um metro e noventa de altura.
Cabelos pretos, sempre bem cortados. Olhos azuis que, segundo muitas mulheres, são impossíveis de ignorar. Eu nunca dei muita importância para isso, mas aprendi cedo que aparência abre portas… e também faz pessoas baixarem a guarda.
Sou o dono e presidente da Wood Company, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo.
Meu nome está em revistas de negócios. Em listas de bilionários. Em eventos que reúnem homens que acreditam controlar o futuro.
Alguns me chamam de gênio.
Outros de tirano.
A verdade?
Eu sou apenas alguém que nunca teve medo de tomar o que quer.
E nunca tive paciência para fraqueza.
Meu pai costumava dizer que o mundo pertence aos homens que não hesitam.
Ele construiu metade do império.
Eu construí o resto.
E fiz isso eliminando qualquer obstáculo no caminho.
Sem remorso.
Sem desculpas.
Sem olhar para trás.
Cheguei ao escritório às sete da manhã, como sempre.
O prédio da Wood Company domina o centro da cidade como uma torre de vidro e aço. Um símbolo de poder. Um lembrete constante de que o mundo pertence a quem tem coragem de dominá-lo.
Quando atravesso o lobby, as pessoas imediatamente se endireitam.
— Bom dia, senhor Wood.
— Bom dia, senhor.
Alguns evitam contato visual.
Outros tentam parecer confiantes.
Mas todos sabem a mesma coisa:
Eu não tolero incompetência.
Entrei no elevador privativo que leva diretamente à cobertura.
Meu andar.
Meu território.
Quando as portas se abriram, a primeira coisa que percebi foi o silêncio.
A cobertura é diferente do resto do prédio. Mais espaçosa, mais reservada. Um espaço feito para decisões importantes… e para privacidade.
Caminhei até meu escritório enquanto minha assistente já me acompanhava com o tablet na mão.
— Reunião com investidores às nove — ela disse. — Conferência com a equipe de Londres às onze.
Assenti distraído.
Mas minha mente estava em outro lugar.
Na sexta-feira.
Naquele corredor.
No barulho do balde caindo.
E na pequena sombra que desapareceu antes que eu pudesse ver direito.
Eu sabia quem era.
Ellen.
A faxineira.
O nome não saiu da minha cabeça o fim de semana inteiro.
O que era irritante.
Eu não sou o tipo de homem que fica pensando em funcionárias.
Ou em qualquer mulher por mais de uma noite.
Mulheres, para mim, sempre foram simples.
Elas aparecem.
Eu me divirto.
Elas vão embora.
Sem drama.
Sem apego.
Sem promessas.
E funciona muito bem assim.
Mulheres bonitas sempre aparecem ao meu redor. Em festas, eventos, jantares de negócios. Algumas são modelos, outras herdeiras, outras simplesmente oportunistas.
Todas sabem o que querem.
Dinheiro.
Status.
A emoção de estar perto do poder.
Eu ofereço uma noite.
Elas oferecem companhia.
É uma troca justa.
Nada mais.
Nada menos.
Entrei no escritório e joguei o paletó na cadeira.
A sala é enorme, com paredes de vidro que mostram a cidade inteira aos meus pés. Um lembrete diário de quem está no topo.
A mesa de madeira escura ocupa o centro do espaço.
Passei os dedos pela superfície lisa.
A mesma mesa.
A mesma de sexta-feira.
Um sorriso breve apareceu no canto da minha boca.
A lembrança da mulher que esteve ali comigo não tinha importância.
Ela era apenas mais uma.
O que realmente ficou na minha cabeça foi outra coisa.
O olhar curioso escondido atrás da porta.
A sensação de estar sendo observado.
E o som apressado de passos fugindo.
Ellen.
Uma simples funcionária da limpeza.
Eu a tinha visto algumas vezes antes.
Discreta.
Sempre de cabeça baixa.
Sempre silenciosa.
Mas havia algo nela que chamava atenção.
Talvez os olhos grandes.
Talvez o jeito cuidadoso como se movia pelo ambiente.
Ou talvez o fato de que ela não fazia o que a maioria das mulheres faz quando me vê.
Ela não tentava chamar atenção.
Não sorria.
Não flertava.
Ela simplesmente… evitava.
E isso é raro.
Muito raro.
— Senhor Wood?
A voz da minha assistente me tirou dos pensamentos.
— Sim.
— A equipe está esperando na sala de reuniões.
Assenti e caminhei para fora do escritório.
As reuniões da manhã passaram como sempre passam.
Números.
Estratégias.
Discussões.
Eu tomo decisões rápidas. Diretas. Sem sentimentalismo.
Alguns executivos tentam argumentar.
Eles aprendem rápido que discutir comigo raramente termina bem.
Às vezes sou chamado de implacável.
Não me incomoda.
Empresas gigantes não são construídas com gentileza.
Depois da última reunião da manhã, decidi descer até o lobby.
Eu raramente faço isso.
Normalmente as pessoas vêm até mim.
Mas hoje eu queria verificar algo.
Quando as portas do elevador se abriram no térreo, senti imediatamente o movimento do lugar.
Funcionários andando.
Telefonemas.
Conversas baixas.
Meu olhar percorreu o ambiente automaticamente.
Procurando.
Até que a encontrei.
Ela estava perto da recepção.
De joelhos no chão, passando pano no piso de mármore.
O uniforme simples da limpeza contrastava com a elegância do ambiente.
Ela parecia concentrada no trabalho.
Discreta.
Quase invisível.
Quase.
Eu caminhei lentamente pelo lobby.
Observando.
Quando cheguei mais perto, ela finalmente levantou os olhos.
E me viu.
O efeito foi imediato.
O corpo dela ficou rígido.
Os olhos arregalaram por um segundo.
Medo.
Interessante.
Muito interessante.
Parei diante dela.
— Interessante — murmurei.
Ela piscou, confusa.
— Senhor?
Inclinei levemente a cabeça.
— Eu estava procurando você… lá em cima.
A reação foi instantânea.
Ela ficou pálida.
Então era verdade.
Ela estava no corredor sexta-feira.
E tinha visto tudo.
Um pequeno sorriso apareceu em meus lábios.
— Mas parece que alguém decidiu fugir.
Ela apertou o pano com força nas mãos.
— Eu… eu só estou fazendo meu trabalho.
Claro que estava.
Mas agora aquilo tinha se tornado… entretenimento.
Dei um passo mais perto.
Ela evitou meu olhar.
Submissa.
Mas nervosa.
Como um animal pequeno que percebeu que foi notado pelo predador.
— Eu percebi — respondi calmamente.
Silêncio.
O lobby continuava cheio ao nosso redor, mas parecia que ninguém mais existia.
Então falei mais baixo:
— Mas lobos não gostam quando sãoespionandos.
Ela levantou os olhos novamente.
E, pela primeira vez, vi algo diferente do medo ali.
Confusão.
Talvez curiosidade.
Talvez algo mais.
Endireitei o corpo.
Aproximei-me apenas o suficiente para que ela escutasse minha última frase.
— Tenha cuidado, Ellen.
Pausa.
— Fugir às vezes só torna a caça mais interessante.
Então me afastei.
Sem olhar para trás.
Mas eu já sabia de uma coisa.
Aquela mulher simples da limpeza… tinha acabado de transformar um dia comum no escritório em algo muito mais divertido.
E eu sempre gostei de um bom jogo.
Especialmente quando a presa ainda não percebeu que já foi escolhida.