Carter - Ele estava mentindo não estava?
Luna - Como?
Carter - Não se faça de desentendida, eu vi como ele olhava para você, e ele deu um jeito de sair da mesa assim que você saiu.
O que eu digo agora?
Carter - Você é diferente, atrai atenção por onde passa e não é só pela beleza que é mais que evidente. Em dois dias você se mostrou inteligente, astuta, corajosa, você não se intimida facilmente e não deixa que te ponham para baixo. Parece que está sempre pronta para briga. E também bebe mais que motor V12.
Luna - Me desculpe por isso, eu não gosto de bebidas fracas.
Carter - Na verdade, é impressionante que você esteja tão bem. Você bebe há muito tempo, não é?
Luna - Sim.
Carter – Não, vamos mudar de assunto, apenas tome cuidado. No mundo dos negócios, todos são lobos em pele de cordeiro.
Luna – Entendido, Sr. Lobo.
Carter - Você...
Luna - Não se preocupe comigo, eu sei me cuidar bem.
Carter - Me acompanhando assim, sempre você vai estar muito exposta, na mídia, entre executivos, espero que você saiba lidar com a atenção, principalmente com especulações que sempre acabam rolando.
Luna - Se o senhor apenas conseguir bloquear imagens e meu nome o máximo possível, eu agradeceria.
Carter - Por quê? Está fugindo de algo ou alguém?
Droga, por que tem que ser tão perspicaz?
Luna - Não, apenas proteção para mim.
Carter - Entendo... Você é estranha, muito estranha...
O que será que essa mulher quer esconder?
Luna - Você é que conhece pessoas iguais demais.
Carter - Vamos para minha sala, vou te passar algumas dicas. Você se saiu muito bem hoje, mas precisa estar muito mais preparada para todas as outras reuniões, e também precisa memorizar muita coisa.
Luna - Ok.
Já são tantas horas vendo pastas e documentos, parece que não vou conseguir me lembrar de tudo tão cedo, é mais difícil do que eu imaginava.
Carter - Está cansada?
Luna - Um pouco.
Carter - Você já está aqui muito além do seu horário, eu nunca presto muita atenção na hora, sou sempre o último a sair daqui.
Luna - Não tem problema, vi muita coisa hoje e também eu não tenho nada para fazer depois do trabalho, só vou para casa.
Carter - Você não conhece ninguém aqui?
Luna - Não.
Carter - E sua família?
Luna - Nenhum parente próximo.
Carter - Você não gosta de falar sobre você mesma.
Luna - Na verdade, não gosto mesmo.
Carter - Quer uma bebida?
Luna - Acho que já bebi demais hoje.
Carter - Vamos tomar alguma coisa antes de ir embora, afinal acho que sou seu único conhecido aqui.
Luna - Está bem.
Já tomamos tantas doses, faz um bom tempo que não fico tão relaxada e contente... Na verdade, acho que nunca fiquei assim.
Carter - No que está pensando?
Luna - Nada demais.
Carter - Você ficou séria de repente, seus olhos ficaram tristes.
Luna - É impressão sua.
Ele é muito curioso.
Ela está escondendo algo, vou mandar alguém investigar...
Carter - De onde você é?
Luna - Uma cidade pequena no interior.
Carter – Foi onde você fez a faculdade?
Luna - Sim, bem próximo.
Carter - Porque saiu de lá?
Luna - Cansei da mesmice.
Ela nunca dá detalhes...
Luna - Está tarde, vou para casa, senhor.
Carter - Eu te levo até em casa.
Luna - Não é necessário, senhor. Eu posso ir andando, minha casa é bem próxima daqui, não leva muito tempo.
Carter - Eu insisto, não vou ficar tranquilo você indo sozinha a esta hora. Ainda mais porque fui eu quem te segurou aqui tanto tempo.
Luna - Ok.
Carter - Vamos.
É muito estranho ficar sentada aqui do lado dele no carro, eu me sinto febril. Não posso sentir nada por ele. Não me mudei para cometer os mesmos erros do passado.
Ele está me olhando muito, o olhar dele queima cada parte do meu corpo por onde passa.
Carter - Este bairro não é bom para uma mulher morar sozinha.
Luna - Por enquanto é onde eu consigo ficar melhor.
Carter - Eu tenho muitas casas e apartamentos perto da...
Luna - Não, eu não posso aceitar, gosto de me virar sozinha.
Carter - Eu só quero ajudar...
Luna - Já ajudou, me deu um emprego.
Carter - Você é muito teimosa.
Luna - Não vamos entrar em detalhes de nossas qualidades. Já chegamos... Obrigada pela carona. Boa noite.
Já trabalho com o Sr. Sloan há pouco mais de um mês, ele é um homem muito exigente, mas também muito amigável. É a única pessoa com quem tenho tido contato, não tenho mais nenhum conhecido, e não tenho tido tempo para conhecer. Trabalho cedo fico até tarde e aos finais de semana eu descanso, esta tem sido minha rotina.
Carter – Srta. Park, hoje teremos a festa de comemoração do aniversário a empresa. Você vai participar? Quem sabe até conhece uma boa amiga.
Luna - Acho que sim.
Carter - É para se divertir, ok?
Luna - Está bem.
Durante a festa fiquei muito deslocada, algumas mulheres me olhavam bem feio, principalmente as que estavam com a moça da recepção da cobertura.
Quando eu estava prestes a ir embora, uma moça e um rapaz se aproximaram de mim...
-- Ei, qual o seu nome?
Luna - Luna Park.
Josh – Prazer. Eu sou Josh e esta é Ania.
Ania – Oi, querida, como vai? Nunca tinha te visto por aqui, você trabalha em que setor?
Luna - É um prazer conhecê-los... Eu sou assistente do Sr. Sloan.
Josh - Uau, agora eu entendo o motivo de não te ver. Ania e eu vamos a um bar depois da festa, você está a fim de ir?
Ania - Vai ser divertido, vamos, Luna.
Luna - Eu... É... Bem, eu moro aqui há pouco tempo, na verdade eu não conheço nada e nem ninguém por aqui. Se não for incomodar vocês, eu quero ir, sim.
Josh - Sempre que você quiser, gata.
Ania – Josh, francamente, não assuste a garota.
Josh - Só quero ser simpático.
Eles são muito legais, o Sr. Sloan estava sempre cercado de muita gente, mas notei diversos olhares na nossa direção.
Quando saímos para da festa para o bar, recebi uma mensagem dele...
"Onde você está? Já foi para casa?"
"Estou em um bar com dois funcionários, eles me convidaram."
"Os dois que estavam falando com você na festa?"
"Sim."
"Me avise quando chegar em casa, me ligue se tiver algum problema."
"Obrigada."
Josh - Falando com o seu namorado?
Ania – Josh, deixe de ser curioso. Não precisa responde-lo querida, ele é um grande s*******o.
Luna - Ah, tudo bem. E não, eu não tenho namorado.
Josh - Então me explique como uma mulher tão bonita fica solteira.
Luna - É só ficar trancada em casa e não conhecer ninguém.
Josh - Agora conhece a gente.
A noite com o Josh e a Ania foi muito divertida, gostei muito dos dois. Quando cheguei em casa, já estava quase amanhecendo.
Por volta do meio-dia, alguém começou a bater muito na minha porta.
Luna - Sr. Sloan, o que houve?
Carter - Você não me avisou que chegou em casa, eu fiquei preocupado.
Luna - Eu cheguei muito tarde, não quis te incomodar.
Carter - Eu passei a noite esperando você ligar.
Luna - Eu... Eu...
Carter - O que ele está fazendo aqui?
Luna - Como?
E para minha enorme surpresa, o Josh estava jogado no meu sofá.
Luna - Eu... Não me lembro bem, acho que bebi demais.
Carter - Então você bebe e põe qualquer um na sua casa?
Luna - Dá para se acalmar, por favor? Eu não estou entendendo o motivo de você estar tão irritado.
Carter - DROGA!
Ele deu um soco na minha parede, e neste momento a Ania levantou do tapete onde não tínhamos visto ela.
Ania - Que barulheira é essa? Acorda, Josh, você está roncando de novo. Sr. SLOAN??? Ai, bom dia, senhor.
Carter - Bom dia, senhorita, e você vem comigo agora.
Ele nem sequer me deu tempo para responder, pegou-me pelo braço e me arrastou para fora de casa vestida somente com uma camisolinha que não cobria quase nada.
Luna - Ei! Me solta, você está me machucando.
Ele nem me deu ouvidos e me empurrou para dentro do carro como se eu fosse uma mala.
Luna - Qual é o seu problema, Carter?
Carter - O meu problema? Você bebe com desconhecidos, leva eles para sua casa, e sou eu que tenho um problema?
Luna - Foi você quem falou que eu precisava conhecer pessoas.
Carter - Eu disse uma amiga, e não um homem para se enfiar no seu sofá.
Luna - Pare de gritar.
Carter - Você transou com ele?
Luna - O QUÊ?
Carter - Você me escutou.
Luna - NÃO, e mesmo que tivesse transado, isso não seria da sua conta. Você é meu chefe, não o meu dono!
Carter - Você...
Em um piscar de olhos, os lábios dele estavam colados nos meus. Foi um beijo faminto, violento, um beijo de posse. O corpo forte e pesado dele me manteve imóvel, uma das mãos segurando meus pulsos enquanto a outra passeava no meu corpo como se o pertencesse. Por mais que eu tentasse me debater, ele não se movia um centímetro sequer.
Carter - Você pode não ter se dado conta ainda, mas você é minha, e ninguém mais vai te tocar. O seu corpo e o seu desejo me pertencem, seu corpo me quer, eu sei, eu sinto.
Eu não conseguia falar, estava arfando, o corpo trêmulo, faz muito tempo que ninguém me toca.
Carter – Olhe, eu sinto muito, eu não queria que o nosso primeiro beijo fosse assim. Eu perdi o controle, eu fiquei com ciúmes... Eu...
Sem dizer nenhuma palavra, eu abri a porta do carro. Ele tentou me impedir...
Carter - Espere, por favor, eu não queria te assustar.
Saí do carro de camisola sob o olhar de estranhamento dos vizinhos.