CAPÍTULO 66 JÚLIO NARRANDO A noite caiu pesada. Daquele jeito que parece anunciar desgraça — o ar parado, o calor preso dentro das celas, e o silêncio que precede o caos. O coração já batia no compasso do relógio, cada segundo demorando uma eternidade. Olhei pro Jão, que tava sentado na cama de cimento, afiando o olhar na direção da grade. Do outro lado, o Marcinho roía as unhas, nervoso. Três homens, três destinos, um plano só. — É hoje, né, parceiro? — Jão perguntou, a voz baixa, quase um sussurro. Assenti. — É hoje ou nunca. Desde o meio-dia, o agente que ia ajudar a gente tinha passado por perto umas duas vezes, só pra confirmar que o combinado tava de pé. Ele devia tá com o bolso cheio de dinheiro agora — metade adiantada, metade quando a gente saísse. Aquele tipo de cara

