CAPÍTULO 8 BIBI NARRANDO A casa da Kelly ficava numa esquina pequena, luz amarelada do poste, barulho de rádio de janela pra janela. A gente se abraçou rápido, rimos das besteiras da noite e combinei com ela que ia andando sozinha até em casa — só uns cinco minutos de subida leve. — Se cuida, viu? — ela falou, meio séria, já na porta. — Qualquer coisa me chama. — Tranquila, vou na moral. — respondi, puxando a bolsa pro ombro. Ela fechou o portão devagar, eu ainda tava com o coração disparado, tentando juntar os pedaços da cabeça que a noite tinha deixado. Subi a rua no meu ritmo, sapato batendo na calçada, pensamento zunindo. Queria chegar, tomar um banho quente, comer alguma coisa e talvez, se tivesse coragem, fingir que nada tinha acontecido. Foi quando ouvi o ronco da moto parando

