Henzo tinha o dia cronometrado. Precisava resolver pendências no Brasil antes de partir com Sol para a França — documentos, transações, um acerto com um dos chefes menores que não podia esperar. Já estava com a chave do carro na mão quando Barão desceu os últimos degraus da escada, ajeitando a camisa como quem vinha pensando em cada palavra. — Fiquem para o almoço — disse, simples, direto, como alguém que não costumava pedir nada. Henzo ia recusar. Sol já respirava para dizer "não", aquela respiração curta de quem queria evitar convivência com qualquer homem. Mas antes que qualquer resposta surgisse, Lupita apareceu atrás de Barão, segurando a barra da própria blusa como uma menina tímida, mas com um brilho diferente no olhar. — Se… se quiserem ficar… — ela murmurou, quase escondendo o

