Capítulo 20

1244 Palavras
Enquanto o silêncio da praia envolvia Rafael e Rebeca… do outro lado da cidade, a noite tomava um rumo completamente diferente. Dentro da boate, Carla já estava visivelmente alterada. Rindo alto, os passos descompassados, o olhar perdido entre a música e o álcool. — Acho que… eu bebi demais — ela disse, apoiando a cabeça no ombro de Roberto. Ele também já sentia os efeitos. Mas tentou manter o controle. — Vamos embora — disse, segurando ela com firmeza. — Já deu. Carla não discutiu. Apenas assentiu, cansada. Minutos depois, os dois estavam no carro. O silêncio ali dentro era estranho. Pesado. A música baixa tocava ao fundo. Carla encostou a cabeça no vidro. — Hoje foi tão bom… — murmurou. Roberto tentou focar na estrada. Mas a visão não estava totalmente firme. As luzes pareciam mais fortes. Mais confusas. E então… Tudo aconteceu em segundos. Um farol. Um carro surgindo rápido demais. O som de freios. Um impacto violento. Silêncio. Depois… destruição. O carro ficou completamente destruído. Carla e Roberto… presos nas ferragens. Minutos depois, sirenes cortavam a noite. O corpo de bombeiros chegou. A cena era grave. — Duas vítimas presas! — alguém gritou. Na praia, o celular de Rafael começou a tocar. Ele franziu a testa ao ver o número. Atendeu. E, à medida que ouvia… seu rosto mudou completamente. — O quê? — disse, levantando na hora. Rebeca sentiu o coração gelar. — O que aconteceu? Rafael desligou, já tenso. — A Carla e o Roberto sofreram um acidente. O mundo de Rebeca pareceu parar. — Não… — Eles estão presos nas ferragens. Sem pensar, os dois correram. Quando chegaram ao local… o cenário era desesperador. Luzes, sirenes, gente ao redor. O carro… irreconhecível. Rebeca levou a mão à boca, em choque. — Carla… — sussurrou. Ela tentou se aproximar, mas Rafael segurou. — Calma! Mas ela já chorava. — Ela tá lá… ela tá lá! Dentro do carro, Carla ainda estava consciente. Mas fraca. Ferida. — Re… be… ca… — ela tentou falar, ao ver a amiga de longe. Rebeca desmoronou. — EU TÔ AQUI! — gritou, chorando. — EU TÔ AQUI! Os bombeiros trabalhavam rápido. Cortando metal. Tentando abrir espaço. Roberto estava desacordado. A situação dele parecia ainda mais grave. Rafael observava tudo… Com o coração apertado. Sem poder agir como profissional. Só como alguém que se importava. Cada segundo parecia uma eternidade. Cada movimento, uma esperança. Ou um medo. Rebeca chorava sem conseguir parar. — Ela tá sofrendo… — repetia. — Meu Deus, ela tá sofrendo… Rafael a segurava, tentando manter ela de pé. Mas por dentro… ele também estava destruído. Naquela noite… a felicidade deu lugar ao desespero. E tudo que parecia estar começando a dar certo… agora estava por um fio. O tempo parecia não andar. Cada segundo naquela cena era pesado… c***l. O som do metal sendo cortado ecoava na noite, misturado com as sirenes e os pedidos urgentes da equipe. Rebeca não conseguia parar de chorar. — Ela tá com dor… eu sei que ela tá… — repetia, com a voz quebrada. Rafael segurava ela com firmeza, tentando manter algum controle. — Eles vão tirar ela dali… calma… — dizia, mesmo sabendo que não era simples. Dentro do carro, Carla ainda lutava para se manter consciente. Os olhos semicerrados, a respiração fraca. — Fica com a gente! — um dos bombeiros dizia. — Não dorme! Ela tentou focar… tentou responder… Mas o corpo já começava a ceder. Do outro lado, Roberto continuava desacordado. A equipe trabalhava com ainda mais urgência. — Esse aqui tá crítico! — alguém avisou. Finalmente, depois de minutos que pareceram horas… — Conseguimos! — gritou um dos bombeiros. Carla foi retirada primeiro. Com cuidado, imobilizada, sendo levada direto para a ambulância. — CARLA! — Rebeca gritou, tentando se aproximar. Mas foi contida. — Senhora, por favor! — Eu preciso ir com ela! — ela implorava. Logo depois, Roberto também foi retirado. O estado dele era ainda mais grave. Sem reação. Sem movimento. Rafael observava tudo com o coração apertado, o olhar fixo. Ele conhecia aquele cenário. Mas nunca daquele lado. As ambulâncias partiram com urgência. Sirene alta, cortando a noite. Rebeca estava em choque. — A gente precisa ir… — disse, sem conseguir parar de chorar. Rafael assentiu na hora. — Vamos. No hospital, o clima era tenso. Corredores frios. Movimento constante. Profissionais correndo. Rebeca andava de um lado para o outro, completamente perdida. — Eu não devia ter deixado ela ir embora assim… — dizia, desesperada. — Ela não tava bem… Rafael tentou segurar o rosto dela, fazendo ela olhar pra ele. — Ei… isso não é culpa sua. Mas ela não conseguia ouvir. Minutos depois, um médico apareceu. O silêncio tomou conta. — Quem são os acompanhantes? Rafael deu um passo à frente, junto com Rebeca. — Somos amigos. O médico respirou fundo. — As duas vítimas chegaram em estado grave. Rebeca levou a mão à boca. — A mulher… Carla… teve múltiplos ferimentos, mas está consciente. Vai passar por cirurgia. Uma pequena esperança. Mas breve. — E o homem… — o médico continuou. — está em estado crítico. Inconsciente. Estamos fazendo tudo que podemos. O chão pareceu sumir. Rebeca começou a chorar ainda mais. Rafael a abraçou forte. — Eu devia ter impedido… — ela repetia, quase sem voz. Rafael, encostado na parede, observava em silêncio por alguns segundos… até se aproximar de novo. — Rebeca… — ele falou com firmeza, mas com cuidado. — Olha pra mim. Ela levantou o olhar, perdida. — Você não tem culpa disso. — Mas eu sabia que ela tinha bebido… — a voz dela falhou. — Eu deixei… Rafael respirou fundo. — Quem dirigiu foi o Roberto. E foi uma escolha dele. Você não podia prever isso. Ela ficou em silêncio… mas a dor ainda estava ali. As horas passavam devagar. Cada vez que a porta do centro cirúrgico se abria, o coração de Rebeca disparava. Até que, finalmente… Um médico saiu. — Família da Carla? Rebeca foi a primeira a se aproximar. — Sou amiga… como ela tá? O médico tirou a máscara, com expressão cansada. — A cirurgia foi longa… mas conseguimos estabilizar. Ela está fora de perigo imediato. Rebeca levou a mão ao rosto, chorando. — Graças a Deus… Rafael fechou os olhos por um segundo, aliviado. — Ela vai precisar de recuperação, mas vai ficar bem — o médico completou. Um peso enorme saiu dos ombros deles. Mas a tensão voltou na mesma hora. — E o Roberto? — Rafael perguntou. O médico ficou sério novamente. — O estado dele ainda é crítico. Ele teve um trauma muito forte… estamos tentando estabilizar, mas as próximas horas são decisivas. O silêncio caiu como uma pedra. Rebeca segurou a mão de Rafael com força. — Ele não pode morrer… — disse, quase em desespero. Rafael apertou a mão dela de volta. — Vamos acreditar que ele vai sair dessa. Mais tarde, já com o dia começando a clarear, permitiram que Rebeca visse Carla rapidamente. Ela se aproximou devagar. — Amiga… — sussurrou, com lágrimas nos olhos. Carla abriu os olhos com dificuldade. — Re… be… ca… A voz era fraca, quase um sopro. Rebeca segurou a mão dela com cuidado. — Eu tô aqui… você tá segura agora… Carla tentou sorrir, mas sentiu dor. — Ro… ber… to… Rebeca sentiu o coração apertar. — Ele tá sendo cuidado… vai ficar bem… — disse, mesmo sem ter certeza.
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