O caminho de volta pra casa foi silencioso. Rafa dirigia tranquilo, uma mão no volante, a outra apoiada perto da minha, como fazia sempre. Em outros dias, eu teria entrelaçado os dedos nos dele sem pensar. Teria encostado a cabeça no ombro dele, fechado os olhos, aproveitado a paz simples que ele sempre me oferecia. Mas naquela noite… eu fiquei imóvel. Olhando pela janela. Com a mente longe. Muito longe. — Você ficou quieta — ele comentou, quebrando o silêncio. Meu coração deu um salto leve. — Só tô cansada. Mais uma mentira. Eu tava ficando boa nisso. E isso me incomodava mais do que qualquer outra coisa. Rafa assentiu de leve, sem pressionar. — Hoje foi puxado também… o Daniel voltou com tudo. O nome dele. De novo. Eu senti. Mas mantive o rosto neutro. — Foi. Silêncio

