O caminho de volta foi feito em silêncio, mas não um silêncio vazio ou desconfortável, era um silêncio cheio de pensamentos correndo rápido demais para virarem palavras, como se ambos estivessem tentando reorganizar o próprio mundo depois do que tinham acabado de atravessar. Mariana mantinha o olhar fixo pela janela, acompanhando as luzes da cidade passarem em sequência, mas sem realmente enxergar nada, porque a mente dela ainda estava naquela mesa, naquela sala, naquele momento exato em que a decisão quase tinha sido tomada e, por um fio invisível, foi adiada. Não era alívio o que ela sentia, era consciência, a compreensão clara de que agora cada passo precisava ser calculado com ainda mais cuidado, porque eles não tinham mais o benefício de serem ignorados, agora estavam sendo observados

